Michele Obama é representada como escrava, parcialmente nua, em capa de revista

Desde que se tornou primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama tem sido capa de diversas revistas, com aparência elegante em várias delas, mas a mais recente está gerando uma grande polêmica. 

Numa foto não autorizada e alterada, Michele Obama é retratada como uma escrava e aparece com seu seio direito descoberto e em destaque numa revista espanhola. A imagem é uma versão feita no Photoshop de uma pintura clássica francesa e, apesar do gesto ter sido pensando para ser um aceno positivo para a persona pública da Sra. Obama, muitas pessoas simplesmente não estão entendendo o  "novo look". 

A imagem aparece na capa de agosto de 2012, da revista espanhola Fuera de Serie. Uma série de sites têm considerado a capa inadequada, porque descreve a primeira-dama no imaginário associado com a escravidão.

A artista francês Marie-Guillemine Benoist fez a obra o "Portrait d'une NEGRESSE" no ano de 1800 - seis anos após a abolição da escravatura na França (e dois anos antes de ser parcialmente restabelecida por Napoleão Bonaparte). Os críticos geralmente consideram a pintura como uma demonstração de apoio para o feminismo e direitos dos negros.

O historiador de arte James Smalls diz que "o artista respondeu ao racismo francês do início do século XIX e a opressão das mulheres", concluindo que "a sua pintura pode ser vista como uma voz de protesto, ainda que pequena, no discurso sobre a escravidão humana."

A revista usou a foto para falar sobre a  popularidade de Michele Obama e  a sua força na Casa Branca, afirmando: "Por trás de todo grande homem há uma grande mulher." Enquanto os espanhóis parecem compreender a sua própria mensagem por trás da imagem, aparentemente os americanos não estão tendo esse mesmo entendimento.


O que você acha, essa foto da primeira-dama dos EUA é adequada? 

Fonte: BET News

Tradução CORREIO NAGÔ

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Comentário de Claudia Simone em 31 agosto 2012 às 10:37

Gel santos adorei a ideia, mas escrever para ela kkk

Comentário de Ibsen em 31 agosto 2012 às 3:03

Creio que a maioria, que fez comentários negativos à publicação da imagem na revista espanhola, não deve ter lido todo o conteúdo do post de Paulo Rogério. Ficou bem claro, para mim, os reais objetivos. A foto só gera polêmica para quem não se dá ao trabalho de entender a razão por trás do que vemos e lemos.

Comentário de Bartira Martins Silva em 30 agosto 2012 às 20:58

Oi, Cláudia Simone, terei muito prazer em ciceroneá-la neste e em outros museus e qualquer local que queira. É só dar o toque...tô no facebook, Bartira Martins.

Comentário de Gel Santos em 30 agosto 2012 às 14:57

Seria interessante que Michele Obama aproveitando essa falta de respeito a sua figura como primeira dama e promovesse na casa branca  um desfile com mulheres negras, relembrando as princesas Africanas. Pois ninguém nasce escrava, a escravidão foi uma imposição dos Europeus, 

Comentário de Claudia Simone em 30 agosto 2012 às 14:38

Felix tudo que diz para mim é correto , discordo so que é uma brincadeira.

é de proposito , o tal Racismo moderno.

Tambem brigo pelo cabelo, mas nao posso obrigar ninguem... Com certeza quando tiver por ai vou ao Museu AfroBrasil..quem sabe Bartira podemos nos conhecer.

axé

Comentário de Dr. Félix Ayoh' OMIDIRE em 30 agosto 2012 às 13:01

Uma brincadeira de muito mal gosto! Ela devia processar o editor. Por que ninguém pensou em fazer o mesmo com as outras primeiras damas dos EUA, ou até dos próprios países europeus? Outro nome não tem, é pura sacanagem para desmoralizar os afro-americanos num ano de eleição. 

Comentário de Bartira Martins Silva em 30 agosto 2012 às 9:19

Ola´, Simone você, mais do que eu, sabe a "dor e delícia de ser como é." Só quero fazer um adendo sobre o ano que as antepassadas de Olga do Alaketo chegaram à Bahia: século XVII, que por um erro de digitação só agora visto saiu como XXII. PS: continuo brigando pelo cabelo! Claro, sabendo que todos tem o direito de escolha!

 

Ah...para os que vivem em sampa ou passam por aqui, é visita obrigatória o Museu AfroBrasil, onde existe uma sala sobre Olga do Alaketo. Reservem umas três horas para a visita, é o que eu gasto quando levo visitantes novos. Fica no ibirapuera.

Comentário de Claudia Simone em 30 agosto 2012 às 5:36

Bartira o cabelo no caso de todas as mulheres negras é importante, define as vezes o lugar que ocupamos em cargos sociais, empregos, lojas, em relacionamentos. Define nossa visibilidade e invisibilidade nesse mundo racista. Pergunto se o fato dela ser uma pessoa em tal posto ja nao é uma forma de resistencia....muitos nao conseguem lidar com tamanha visibilidade e se perdem, fogem, porque? Podemos ficar falando de embranqueamento e dando muitos exemplos sobre o fato, nesse caso nao quero dar foca para isso, que ressaltar é o exemplo de resistencia , de força , de avanço. Mulher negras com estetica branca temos muitas..sim temos...invasao do cerebro , sim em muitas e muitos..Mas exemplos de superaçao...esses sao poucosss..e esses sao os que me interessam...e quanto aos cabelos , estou falando sobre o direito a diferença, a diversidade, a escolha...cabelo dos negros como de qualquer um é dele é que ele faça o que quiser com ele , desde que tenha orgulho e consciencia de que é um negro. Que bom Bartira partilhar esse exemplo de Mae Orla ela que é uma princesa nao passou a ser uma mae de Santo, Mae de Santo é a princesa de todas as princesas porque tem ligaçao direta com a Alma do Mundo. Princesa antes e princesa sempre, depende do pônto de vista da historia que estamos contando. Axe..Muito bom falar com voce.

 

Comentário de Bartira Martins Silva em 29 agosto 2012 às 21:00

É sim, Simone, o cabelo, no caso dela, é importante. Creio que os cabelos dos negros, por sinal lindíssimos, usados sem alisamentos à la ariana, é uma forma de resistência. Uma mulher poderosa como ela, sem  esse toque de "embranquecimento", faria um bem tremendo para milhões de mulheres negras ainda mais oprimidas pela dor da inferioridade que lhes é impingida pela estética do dominador.

Já que foi falado em princesas, lembremos  de Mãe Olga do Alaketo,descente de duas princesas do Daomé que no século XXII foram vendidas como escravas na Bahia, foi uma Yalorixá poderosa e viveu até sete anos atrás, quando faleceu, salvo engano, em São paulo. Cito apenas para ilustrar o tema realeza, ela que era uma princesa e foi uma Mãe de Santo respeitadíssima. E eu tive o prazer de conhecê-la, dentro e fora dos cultos.

Comentário de Paulo Roberto de Almeida Barbosa em 29 agosto 2012 às 14:41

Cláudia, suas opiniões são ótimas,

continuo sem ter o que falar depois de seu pronunciamento.

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