Ministra Luiza Bairros fala sobre ações da SEPPIR em reunião com movimento negro baiano

 

 

Na noite de ontem (04), a ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, encontrou-se com representantes dos movimentos sociais do Estado da Bahia, para tratar das demandas desse segmento e discutir a política de atuação do órgão. O encontro teve a presença, também, da senadora Lídice da Mata e da secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR, Anhamona de Brito. Essa foi a primeira vez que a ministra falou com os movimentos sociais da Bahia desde que assumiu a pasta no mês de janeiro.

 

Entre os assuntos pautados durante o encontro destacam-se: o extermínio da população negra; a falta de qualificação profissional; o incentivo aos quilombos educacionais; políticas para população que vive em situaçao de rua; atenção aos quilombos; fiscalização da participação da população negra na pasta do Ministério da Cultura (MinC); políticas para a anemia falciforme e o sistema carcerário.

 

A ministra Luiza Bairros falou sobre a participação da SEPPIR no Fórum Direitos e Cidadania, criado pela presidenta Dilma Rousseff para gerir ações na área social e promover a interação entre os ministérios, a fim de obter melhores resultados em todas as áreas. O Fórum Direitos e Cidadania é composto, além da Secretaria-Geral da Presidência da República, pelas Secretarias de Direitos Humanos; Políticas para as Mulheres; Promoção da Igualdade Racial; e pelos ministérios da Cultura, Saúde, Educação, Trabalho e Emprego, Justiça, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Comunicações, Desenvolvimento Agrário, Pesca e Aquicultura. Há, também, a parceria da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES, Correios, Petrobras, Eletrobrás, Sesi e Sebrae.

 

Além do Fórum Direitos e Cidadania, foram criados mais três eixos temáticos que abrangem os 37 ministérios, agrupados por temas semelhantes, como o de Desenvolvimento Econômico, sob a coordenação do Ministério da Fazenda; o de Infraestrutura, (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão);  e o da Erradicação da Pobreza, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

 

Confira abaixo a entrevista que a ministra Luiza Bairros concedeu ao CORREIO NAGÔ:

 

CN: Qual sua avaliação do encontro?

Luiza Bairros: Eu achei muito bom. Tenho feito encontros dessa natureza em todos os estados que tenho ido e aqui percebo na mesma fala que as preocupações são dirigidas para uma mesma questão: a do extermínio da população negra. Do ponto de vista da Bahia, percebo como nós trabalhamos de forma ampla essa questão das mortes violentas, essa tem sido de uma questão central, durante o encontro percebe-se que o assunto divergiu muito pouco desse tema. Esperamos agora é poder dar continuação ao trabalho do Ministério em outros espaços e também avaliar o trabalho realizado. Como a nossa ação é uma ação de longo prazo, só poderemos avaliar os resultados concretamente num prazo maior.

 

CN: Como está a relação e as ações da SEPPIR com os outros ministérios?

LB: Estamos recomeçando as conversas com os Ministérios, em primeiro lugar ver os programas que já existem na relação com eles, mas principalmente prospectar o que vai ser a nossa relação daqui para frente. Como havia dito, esse fórum de Direitos e Cidadania onde a Seppir e outros ministérios participam tem sido um espaço político muito importante para a gente conseguir colocar nossa agenda entre as ações que os outros ministérios fazem, isso inclusive está sendo nosso objetivo principal, porque quanto mais a gente conseguir deixar explícito nas pautas dos outros ministérios o que são as ações voltadas para a comunidade negra, mais condições a gente vai ter de cobrar resultados e de acompanhar as demandas do nosso povo.

 

CN: Qual a principal demanda da SEPPIR hoje? Existe uma demanda urgente?

LB: Todas as demandas são para ontem, porque sem dúvida nos últimos oito anos aconteceu um processo de mobilidade dentro da comunidade negra. Então, esses setores da comunidade negra que não conseguiram se beneficiar das politicas públicas são as mais difícies de serem atingidas. Na verdade, o trabalho que temos daqui para a frente é um trabalho muito mais dificil, por que vamos ter que checar aquelas populações, como por exemplo, as pessoas que vivem nas ruas, o movimento sem teto, que são exatamente esses setores que têm a demanda não atendida, não resolvida, sem contar as comunidades quilombolas que estão sendo deixadas para trás ou perdendo aquilo que tem por conta dos conflitos que acontecem. Tudo isso, acredito, dá para a nossa agenda uma complexidade muito maior do que ela teve nos últimos oito anos.

 

CN: Quais os planos da SEPPIR com relação ao Plano de Ação Conjunto entre o Brasil e os Estados Unidos - JAPER em termos de investimentos?

LB: As notícias que circularam sobre o JAPER achei que não foram notícias completas do ponto de vista do que a SEPPIR tem tentado fazer. Nós fizemos ainda no mês de janeiro, início de fevereiro uma reunião com setores da sociedade civil que estão dentro do JAPER extamente para fazer uma avaliação, colocamos qual era a nossa intenção. É um plano de ação que não tem modelo de gestão, que não tem definido qual é a participação da sociedade civil, do governo. Então toda essa avaliação, na verdade, fomos nós que antecipamos, chamando setores da sociedade civil para avaliar isso com mais profundidade e estamos agora no processo de rever o programa todo. Já teve recentemente uma reunião da SEPPIR com os representantes dos EUA, uma reunião em Washington, que tivemos a percepção do governo americano, que é exatamente a mesma e nós agora estamos preparando algumas propostas que deverão ser apresentadas na reunião do JAPER, que acontecerá no mês de maio, no Brasil. A gente pretende que não seja um mega evento [o evento que a Seppir organizará em maio], porque os megas eventos produziram muitos contatos e muitos intercâmbios, mas produziram poucos debates, do ponto de vista, do que é a estruturação do programa, então nessa proxima reunião no Brasil a nossa intenção é fazer uma reunião técnica de trabalho.

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Comentário de Ismael Costa em 7 abril 2011 às 16:52
Parabéns Julii,ficou muito boa a sua matéria,principalmentes as perguntas ...
Comentário de JORGE EUMAWILYÊ SANTOS em 6 abril 2011 às 15:21

RESOLUÇÃO nº 0000/2011.

 

Sob o titulo 'Liderança negra investida de "Ministra" é utilizada pelo governo brasileiro em mais um 'engodo' contra o Movimento Negro do Brasil', de nossa propria autoria - e desculpem-nos pelos excessos sinalizatórios - propomos que todas e todos negras e negros, ativistas e militantes - principalmente em partidos politicos brasileiros - ou não se organizem para, em data a combinarmos, dizermos NÃO, NÃO E NÃO às politicas publicas que destoem dos institutos preconizados, e que sofreram drasticas mutilações, no EIR - Estatuto da Igualdade Racial.

A nossa excentricidade militante nos indica que com ações para-radicais conforme a acima proposta, talvez consigamos nos livrar, politicamente, das negras e dos negros oportunistas, 'traças, ratos e cupins' de gaabinetes governamentais, os quais exercem papeis Ossei Tutuantes juntos aos governos os quais lhes dão funções extremamentes comprometedoras.

Digo e proponho isto porque as e os que aqui desferem elogios emocionantes e duras criticas, serão as mesmas e os mesmos que, se não já enviaram, enviarão 'projetos-livros de ouro' para alcançarem as mais insignificantes migalhas que, aos descuidos das farras palacianas, talvez cheguem às e aos desumanizadas e desumanizados querelantes.

Em face do exposto, assevero que só me permitirei acreditar - e creditar - em politicas publicas governamentais, as quais possam ser asseguradas pelo Estado brasileiro, tais como as da Juventude, as das Mulheres, as dos Idosos e assim sucessivamente.

Pois SE ESTATUTO - INTEIRO - É BOM, NÓS TAMBÉM QUEREMOS. Porque, façamos justiça, NINGUÉM, MAIS DO QUE NÓS, MERECE.

 

Divulguemos, publiquemos e busquemos cumprir.

 

Salvador-Bahia, 06 de Abril de 2011.

 

À O5 (CINCO) DIAS DO DIA DA MENTIRA, ANO INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES E DO RENASCIMENTO AFRICANO, MOMENTO DE RADICALIZARMOS NA POLÍTICA E NA DEFESA DOS INTERESSES DO POVO NEGRO DO BVRASIL E DO MUNDO.

 

Jorge Eumawilyê Santos

jeumawilye2010@hotmail.com

Um profisional liberal, acima de tudo

Porque Autonomia, também é poder! 

 

 

 

 

   

Comentário de anita de jesus costa em 6 abril 2011 às 13:20
blz...massa....parabens
Comentário de Denilson José Santana em 5 abril 2011 às 23:17

A INICIATIVA É SEMPRE MUITO BOA, MAS OS RESULTADOS SÃO IGUALMENTE LASTIMÁVIES, QUANDO SE TRATA DO ESTADO BRASILEIRO SE APRESENTAR PARA DIZER QUAIS AS PROPOSTAS CONCRETAS PARA CONTEMPLAR AS DEMANDAS DA COMUNIDADE NEGRA, DEMANDAS ESSAS, QUE JÁ SÃO CONHECIDAS PELO ESTADO BRASILEIRO DESDE 1850, QUANDO FOI ESTITUIDO O FIM DO TRÁFEGO NEGREIRO. A MINISTRA É MILITANTE DO MOVIMENTO NEGRO E SABE DAS NOSSAS DEMANDAS, ENTÃO SE APRESENTAM NOVAS DEMANDAS  E SE GANHA TEMPO E CAPITAL POLÍTICO DISCUTINDO  O QUE JÁ FOI DISCUTIDO. O ESTADO BRASILEIRO SABE O QUE TEM QUE SER FEITO E OS SENADORES DA BAHIA SABEM QUE MESMO QUE ELES COLOCASSEM TODO O SEU PODER DE INTERFERÊNCIA JUNTO AO ORÇAMENTO DA REPÚBLICA E EMENDAS CONSTITUCIONAIS EM FAVOR DAS DEMANDAS DO MOVIMENTO NEGRO SERIAM NECESSÁRIOS MUITOS MANDATOS E MANDATÁRIOS.ACOMPANHAREMOS E VEREMOS QUE ESSES MANDATOS JÁ ESTÃO COMPRMETIDOS COM DEMANDAS DE OUTRAS MATIZES. FALTA VONTADE POLÍTICA. AS NOSSAS DEMANDAS JÁ ESTÃO DESCRITAS E ACORDADAS NAS DIVERSAS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS ASSINADAS PELO BRASIL DESDE 1850 ATÉ DURBAN NA ÁFRICA DO SUL. (ESSA ÚLTIMA JÁ FOI ATÉ REVISADA). O QUÊ O ESTADO BRASILEIRO QUER OUVIR DE NÓS ESTÁ NOS INÚMEROS DOCUMENTOS REDIGIDOS NAS CONFERÊNCIAS VOLTADAS AOS DIREITOS HUMANOS E "IGUALDADE RACIAL". SERÁ QUE O ESTADO É ANALFABETO E NÃO ESCUTA TAMBÉM?

SERÁ QUE A MINISTRA JA SE ESQUECEU DO QUE ELA MESMA ESCREVEU? NA, NA, NI, NA, NÃO!!!

AINDA SOMOS CHAMADOS A ESSES ENCONTROS PARA OUVIR E CONCORDAR, SE DISCORDAR É TACHADO E PROBLEMÁTICO E PERSEGUIDO POLITICAMENTE. O ESTADO BRASILEIRO É SÓRDIDO, CONFUNDE O MOVIMENTO SOCIAL COM POLÍTICA DE GOVERNO. SOMOS CHAMADOS A DIZER QUE APOIAMOS AS INTEÇÕES DO ESTADO QUE CONTINUA RACISTA, CAPITALISTA E ESCRAVAGISTA.

AGUARDAREMOS O PRÓXIMO ENCONTRO COM O PRÓXIMO MINISTRO(A), O PRÓXIMO SENADOR (A)

QUE VIRÁ PARA SABER E DISCUTIR QUAIS SÃO AS NOSSAS NOVAS DEMANDAS...

 

DENILSON JOSÉ

cursomaguma@hotmail.com

 

Comentário de Luis carlos Mattozo em 5 abril 2011 às 13:53
Não podemos confundir o papel do estado com o papel do movimento Negro,fui presidente do conselho do Negro de pelotas e fui vereador e sei como e importante termos um estado alinhado com nossa pauta,no Brasil a escravidão foi politica de estado,o Racismo ainda esta encravado em nossas instituições,superalo portanto deve ser um tambem um papel do Estado Brasileiro.
Comentário de Valdo Lumumba em 5 abril 2011 às 13:47

Eu confio na Luiza Bairros, acho que é uma pessoa que além de muita bagagem nunca se vendeu, ou fez negociatas por  cargos públicos, é daquelas militantes que de fato tem compromisso com sua gente. E assim como na SEPROMI, fará uma excelente gestão dessa pasta para o "seu" povo (nosso Povo). É um absurdo, que no universo de demandas que temos, a gestão passada só tenha utilizado 10% do disponibilizado. Foi um prejuízo para além da imagem do gestor, porque em primeira e última instâncias foram recursos que podiam ter potencializado a manteneção de vida de milhares de jovens negros e negras que foram "abatidos", nestes últimos anos.

Parabéns ao nosso Povo por ter uma Luiza Bairros a frente dessa Pasta, que possamos lhe dar os subsídios e apoios necessários para ela fazer boa parte do que precisamos e quem sabe ser a primeira mulher negra presidente deste país. Creio que todos nós precisamos correr para estar mais preparados, pois os desafios que se despontam não são pequenos e precisamos ser vitoriosos e vitoriosas, para frear a mortandade de nossa Gente.

ÊEEEEEEEA LUIZA!

ÊEEEEEEEA POVO NEGRO!!!

Comentário de P. Kassan em 5 abril 2011 às 12:13
A função designada para a SEPPIR,  não se constituem na busca da redução do racismo, como se faz parecer  pela propaganda apresentada. A função principal da SEPPIR está a cargo de fazer retenção das atividades de um movimento negro, impedido a articulação de um movimento negro politicamente independente e combativo. A SEPPIR se vale de  manobras de pura demagogia, como essas conversações com a ''sociedade civil'' ou  seja atraves de uma cooptação de uma série de supostas ''lideranças'' que são de forma voluntária ou involuntária alienadas a ser subordinar as secretarias a níveis estaduais e federal.
Comentário de Luis carlos Mattozo em 5 abril 2011 às 11:21
Importante esta iniciativa da Ministra de visitar os Estados buscando um debate direto com o Movimento Negro,na semana passada ela visitou o Rio Grande do Sul,fruto desta visita o gabinete do Vice Governador esta coordenando um GT composto por varias secretarias com a finalidade de construirmos uma agenda estadual dentro do Ano do Afro-Decendente 2011,temas como a saude da população Negra,o Feriado Estadual de 20 de Novembro,a Implementação da lei 10639,politica de emprego e renda entre outras propóstas estão na pauta do Governo do Estado.
Comentário de Claudia Martins em 5 abril 2011 às 11:15

O Movimento Negro da Bahia está de parabéns pelas ações que promove com vistas à valorização da população descendente de africanos. Cada um deve fazer o que estã ao seu alcance. Acessem nosso blog que vai na direção de fazer algo. http://serravallenaafricadosul.blogspot.com

Abraços Claudia Martins

Comentário de Jussara Santana em 5 abril 2011 às 10:52
Achei muito boa a participação do movimento negro, só acho que devemos acrescentar encontro com o movimento negro social,- Jussara Santana Associação Cultural Aspiral do Reggae - Conen

Translation:

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