Mobilização pró-saúde da população negra fecha 2010 com missão cumprida, mas indicadores continuam sendo maior desafio

A Mobilização Nacional Pró-Saúde fechou o ano de 2010 com a missão cumprida: atingiu cerca de 60 cidades em todo o país. A participação do movimento social negro em parceria com gestores estaduais e municipais foi fundamental para mobilizar e sensibilizar a população negra, profissionais da saúde e sociedade em geral sobre o racismo e suas implicações na área.

A agenda – iniciada em 20 de outubro e finalizada em 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra – garantiu a inclusão do tema da saúde da população negra na pauta nos quatro cantos do país. O maior desafio, contudo, ainda é a superação dos indicadores que denunciam as desigualdades de acesso e no tratamento da saúde da população negra, conforme revelam dados do Ministério da Saúde em 2009.
Em 2009, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), as três principais causas de mortalidade na população negra foram doenças do aparelho circulatório (27,8%), causas externas (17%) e neoplasias (12,9%), que juntas representam quase 60% do total. Pela ordem, as causas específicas de mortalidade mais freqüentes na população negra são: doença cerebrovascular, doenças mal definidas – que podem ser associadas ao acesso e qualidade dos serviços de saúde –, homicídios, infarto agudo do miocárdio, diabetes, doenças hipertensivas, acidentes de transporte e pneumonias.

Considerando-se a faixa etária de 15 a 24 anos, a morte materna e AIDS aparecem entre as principais causas específicas, incluindo os homicídios e acidentes de transporte. De 25 a 59 anos prevalecem os homicídios, acidentes de transporte, doença cerebrovascular (AVC), infarto agudo do miocárdio, doenças crônicas do fígado e também a AIDS. A partir dos 60 anos, prevalecem como causas o AVC, infarto agudo, diabetes, hipertensão, pneumonias, bronquites e asmas e CA de próstata e de pulmão.

Já o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) informa que, em 2009, as mães de recém nascidos negros (46%) e indígenas (18%) fizeram menos consultas de pré-natal do que as mães de recém nascidos brancos (73%). Fazendo o recorte da baixa escolaridade (até três anos de estudos) também há diferenças marcantes entre as mães desses mesmos grupos: 35%, 11% e 54%, respectivamente tiveram acesso ao pré-natal. Entre as mães com maior escolaridade (12 anos ou mais de estudos) encontramos, respectivamente, 64%, 39% e 88%.

Em 2005, os indicadores revelavam que a distribuição percentual de óbitos maternos em mulheres brancas, pretas e pardas, cuja principal causa é a eclampsia, atinge 13%, 23% e 21%, respectivamente. O aborto é outra a causa de morte materna, chegando a 8% (mulheres brancas), 14% (mulheres negras) e 11% (mulheres indígenas).

Fonte:Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra. Disponível em: http://redesaudedapopulacaonegra.org/archives/786. Acesso em 05 de Dez. de 2010.

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