Morte de adolescente negro acirra tensão racial nos EUA

Presidente Barack Obama disse que 'se tivesse um filho, se pareceria com Trayvon'.

A morte, há quase um mês, do adolescente negro Trayvon Martin, de 17 anos, por um vigilante voluntário na Flórida, está acirrando a tensão racial nos Estados Unidos.

O fato de o responsável pela morte não ter sido indiciado, com base em uma controversa lei da Flórida (cuja legislação permite que se atire quando se sinta ameaçado), tem motivado uma onda de protestos em cidades como Miami e Nova York, que nesta sexta-feira ecoou na Casa Branca.

Classificando o caso como uma 'tragédia', o presidente Barack Obama lamentou a morte e disse que 'se tivesse um filho, se pareceria com Trayvon'.

Ao comentar a polêmica de forma pessoal, Obama, que é o primeiro negro na Casa Branca, pode acrescentar mais polêmica ao caso. Até agora, o presidente vinha evitando fazer declarações sobre questões raciais.

'Eu acho que todos os pais dos EUA deveriam ter a capacidade de entender por que é absolutamente imperativo que se investigue cada aspecto disso. Todos nós precisamos nos questionar como uma coisa deste tipo acontece', disse Obama.

Trayvon foi morto pelo vigilante voluntário George Zimmerman, de 28 anos, no dia 26 de fevereiro, na cidade de Sanford, na Flórida. De acordo com seu depoimento, o vigia disse ter considerado o jovem como uma possível ameaça por ele estar com um moletom e capuz.

O adolescente não estava armado, e carregava somente uma lata de refrigerante e um pacote de balas comprados em uma loja de conveniência da qual retornava. Graças a uma lei específica do Estado, Zimmerman alegou 'legítima defesa' e ainda não foi indiciado formalmente.

Racismo

Esta é a segunda vez em seu mandato que o presidente comenta um caso de cunho racista. A primeira ocorreu em 2009, quando o professor de Harvard Henry Louis Gates Jr, negro, foi preso.

Para o especialista da BBC Mark Mardell, os comentários de Obama devem ser bem recebidos por parte da população, mas também devem ser alvo de críticas, além de servirem como potencial 'material' para seus adversários republicanos.

'O presidente foi amplamente criticado em 2009 quando descreveu a ação policial que prendeu o professor em frente à sua casa como 'estúpida'. Agora, de forma mais sutil, ele dá voz ao que muitos americanos negros sentem: que sua cor, por si só, faz com que alguns brancos os vejam como criminosos', avalia.

'Atire primeiro'

A controversa lei em vigor na Flórida, que até o momento garante liberdade a Zimmerman, é conhecida como 'atire primeiro'. A legislação garante imunidade contra processos civis e penais a pessoas que dizem ter atirado em legítima defesa.

Antes de 2005, quando a legislação foi aprovada, o uso de 'força letal' só era permitido se ficasse comprovado que o atirador tinha evitado um confronto ou ameaça concreta.

Já de acordo com a lógica da lei 'atire primeiro', pode-se disparar contra uma pessoa usando armas de fogo desde que alguém tenha indícios 'razoáveis' indicando uma ameaça contra si mesmo ou outras pessoas.

Grupos que lutam pelos direitos dos negros argumentam que a lei de tem viés racista, já que os afroamericanos seriam um dos principais alvos da legislação.

A Associação de Promotores de Acusação americana acredita que ao menos 33 dos 50 Estados possuam leis parecidas, embora a da Flórida seja a mais 'expansiva'.

'A ideia é que alguém está prestes a lhe atacar. Ao invés de fugir, você pode confrontar a pessoa com o uso da força', diz a professora de direito Janet Malcolm, da Universidade George Mason.

Para Stuart Green, da Universidade Rutgers, no entanto, a lei em vigor na Flórida vai mais longe, já que garante a imunidade contra processos civis e criminais.

'É realmente extraordinário. É tirar o julgamento das mãos do júri e dos promotores, e dizer à polícia 'vocês têm que fazer um julgamento se deve haver uma prisão ou não'', diz.

Entenda o caso

O vigilante voluntário George Zimmerman, de 28 anos, estava em seu carro na noite de 26 de fevereiro e tinha ao seu lado uma pistola 9 milímetros legalmente registrada.

Segundo o seu depoimento, era uma noite chuvosa e recentemente a comunidade havia registrado um aumento de criminalidade.

Em uma gravação divulgada pela polícia local, ele ligou para o 911, serviço de emergências americano, informando sobre 'um cara muito suspeito' que 'parece mal intencionado ou drogado'.

Pouco depois, a voz de Zimmerman fica ofegante, como se ele estivesse correndo, e ele diz ao 911 que está perseguindo o jovem.

Segundos depois, ouve-se uma briga e um tiro.

Trayvon Martin morreu com um disparo no peito efetuado pelo vigilante. Detido e interrogado pela polícia, ele foi solto sem que uma acusação formal fosse registrada, e, portanto, sem a abertura de um inquérito.

Ele disse à polícia que o jovem deu início a uma briga e que foi obrigado a atirar em legítima defesa. Para o chefe da polícia de Sanford, Bill Lee, não foram encontradas evidências que contrariassem a argumentação do vigilante, e por isso não foram registradas acusações.

Fonte - BBC

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Comentário de Marco Antonio Soares em 26 março 2012 às 21:31

Este é o país que quer ser o exemplo de civilização para outros povos. Os cidadãos podem atirar a vontade naqueles a quem por ventura julgarem ser uma ameaça, não importando o quanto de subjetivo e eivado de preconceitos abomináveis podem conter tal sentença.

Comentário de Antonia Conceição Abbamonte em 25 março 2012 às 19:24

Por favor, enviem-me todos os comentários, e mesmo os que eu acabei clicando errado e fiquei sem poder ler o que me haviam enviado, agradeço muito.

Comentário de Antonia Conceição Abbamonte em 25 março 2012 às 19:21

Quando eu presenciei um cobrador xingando um casal de homossexuais, não me senti bem e rezei para meus Orixás para iluminar aquele homem que mostrava muita truculência ao falar, e que Eles (prof. King escreve com letra minúscula, para desmistificar, mas eu prefiro mistificar) me preparassem para um agir sábio, numa hora de “DESINTELIGÊNCIA”, como a que eu estava passando, se este cobrador conhecesse a fundo a Cultura Yorubá  (Ioruba) teria evitado o “azar para ele mesmo” de ter lançado tantas sementes de ódio; esta Cultura Yorubá é um pouco parecida com os estudos do Satori (http://vivalavanca.blogspot.com), já escrevi à respeito, só que não expliquei a diferença: -No Satori a nossa Medicina Natural se atém mais à parte visível dos seres humanos (um total de 3 trilhões de células, temos um livro “Autocontrole Mental” do Prof. Tomio Kikuchi, etc..., que fala à respeito, um pouco da parte espiritual) mas na Cultura que estou estudando no Centro Cultural Oduduwa (www.oduduwa.com.br), através dos nossos adoráveis e veneráveis africanos (as) entre eles o Dr Sikiru Salami (prof. King), estuda-se, além da parte visível (não se dá tanta ênfase para os alunos nesses 20%, mas estuda-se também e muiiito), no Oduduwa estudamos os outros 80% do restante de nossas células ou seja, as 12 trilhões que são a parte espiritual, eu apanhei muiiiiiiiiiito para estudar a parte visível, imagine a espiritual, apesar de ter estudado 20 anos de Súkyo Mahikari, Yoga, Catolicismo, etc...., Estou levando outra “surra” pois são NNNNNNN detalhes, NÃO DÁ TEMPO PARA PRECONCEITOS, QUE PARA MIM É UMA PURA PERDA DE TEMPO. Além de ter passado pelo “crime” (prof. Kikuchi assim fala dos partos cesarianos, que deveriam ser evitados ao máximo), de 2 cesáreas, eu padeci com uma nevralgia do nervo trigêmeo, e tive que estudar, pois não encontrei nada que passasse uma dor que é um dos maiores índices de suicídios (pelo menos na época, uns 25 anos atrás), e tive que estudar muito para controlar a “metástase” deste nervo (minha alimentação era muito ácida, eu era péssima “pilota” de fogão, o que mudei após os intensos treinamentos no Satori, e tenho muita gratidão aos meus mestres da família Kikuchi, nosso laboratório é na cozinha alimentação ,muiiiito saborosa, é também um lugar mágico o nosso Satori; só que estou levando mais uma surra, a de “juntar as 2 Medicinas”, “interceccioná-las” (?, não sei se posso escrever assim), inventei um acarajé de soja, de feijão azuki, no lugar do camarão já usei iriko um peixinho seco, até pele de bacalhau eu já usei (mas só um pouquinho, não posso comer muita proteína , pois não existe cura de nada, SÒ CONTROLE...), etc...preciso ver se meus Orixás não me repreenderão por essa alimentação afronipo rsrs; voltando para meus divinos mestres africanos (minha família Kikuchi, também é divina)  eles só nos encantam, só não se encanta com nossos sábios africanos, é quem gosta de “ferrar” com os outros, acabam não se dando bem com nossos estudos, muito bom seria expandir essas Culturas , e mostrar aos que se unem para “picuinhas”, “ganância” para ferrar as pessoas, que ganhariam MUIIIIIIITO MAIIIS se saíssem desse INFERNO, LOUCURA de azucrinar os outros; quando alguém me ferra, procuro entender o que aconteceu, e fico surpresa, como as pessoas perdem ao agir mal com seus semelhantes, confesso que já explodi, xingando, praguejando, nessas ferrações, mas já estou com mais SURU (paciência, que os Yorubás, dizem ser uma das mais importantes virtudes para sermos felizes, procurem ler as Jóias dos livros do Dr Sikiru Salami, tesouros imprescindíveis, ótimos para ocupar o tempo com tanta sabedoria, não se tem quase como escrever dessa Cultura, prof King teve que ir várias vezes para a África (foi uma proeza hercúlea), e pesquisar no que se tem escrito somente a partir dos meados do século passado, seus livros trazem estudos inusitados.  Axé para todos nós, Mojubá (para atrair sorte, prosperidade, e um cumprimentar respeitoso)

 

Comentário de Movimento Mulher de Raça em 25 março 2012 às 9:05

Eu sinto um misto de irritação, frustação e indignação  quando leio essas  noticias, principalmente quando  vejo a reação imediata dos negros americanos.

Ontem vi o facebok repleto de luto  e comoção pro causa da morte de Chico Anisio.Também  sinto a morte de grandes artistas principalmente aqueles que  dão exemplos a nossa juventude e que defendem a causa  da nossa raça, Não sei se seria o caso de Chico Anisio.

O que me deixa  triste é que não vejo nenhuma comoção  com o genocidio da raça  negra e dos pobres que vem acontecendo neste  pais. É uma  pena que somos apenas  um pais de expectadores, sonho com o dia que nos  tornemos  atores e escritores da nossa propria  historia.E  que se faça um minuto de silencio em homenagem, aos Joazinhos, Serginhos, Luizinhos,Fernadinhos,Marias,e Joanas anônimos e invisiveis que saõ exterminados todos os dias em nossa cidade e em nosso pais e que ninguem se importa.

E que essa licença para matar que  foi instituida no nosso pais, que é a frase "estava envolvido", deixe de ser aceita passivamente pelo nosso povo.

Meu coração chora diariamente quando assisto o exterminio da minha  raça, e o silencio e  a omissão dos que se dizem bons.

Eu me pergunto o que corre na veia do povo brasileiro?Que geração é essa?

Comentário de Adelson Silva de Brito em 25 março 2012 às 8:42

Essa “lei” “que sustenta a “legítima defesa” na Flórida me parece inspirada na famigerada legislação “Jim Crow”, que marcou a história dos Estados Unidos da América.

Jim Crow era o nome pelo qual ficou conhcido um sistema de castas raciais vigente nos  principalmente, mas não exclusivamente, no sul e nos estados de fronteiços, entre 1877 e meados dos anos 1960. Esse sistema foi mais do que uma série de rígidas leis anti-negros. Era um modo de vida. Essa cultura segrgacionista De acordo relegava os Africano americanos à condição de cidadãos de segunda classe. Jim Crow representou a legitimação do racismo anti-negro. Muitos pastores e teólogos cristãos ensinaram que os “ brancos eram o povo escolhido, e os negros os pvos que foram amaldiçoados para serem servos, e Deus apoiou a segregação racia”l.Alguma semelhança com a noss realidade? Voces conhecem os sermões do Padre Antonio Vieira?

Comentário de Aristides Marchetti filho em 24 março 2012 às 23:02

Tantas coisas diferentes das que ocorrem por aqui.

É difícil apreciar a intenção do agente. Apenas que o resultado de uma ação foi mais uma vez fatal para alguém.

em meu entendimento, um indivíduo que assume a função de "vigilante voluntário" possui em sua psicologia a necessidade de ações, e o mesmo iria, uma hora ou outra, provocar algo que pudesse prejudicar um membro qualquer da sociedade.

Aconteceu.

Agora partem para, como se diz no senso comum "colocar panos quentes".

Há espaços ainda intransponíveis o inconsciente coletivo para que se possa declarar chegado um intervalo ameno nos conflitos que envolvem questões raciais.

Há a questão do arquétipos, esterotipado durante muito tempo para que as questões de racismo deixem de existir por força de lei.

Mas a declaração do Presidente Obama foi oportuna e sentida, sem nenhuma intenção de provocar quem quer que seja sobre questões raciais.

Foi a declaração de uma pessoa sensível, uma declaração que pai que enxerga a violência e a intolerância levada a esse nível como uma ação totalmente impensada, ignorante e criminosa.

Comentário de joao cicero em 24 março 2012 às 22:34

morte de negros nos eua tem repercuçao populaçao vai a rua  aqui no brasil morre todos os dia jovem negros pela policia por racista no transito niguem se sencibilisa estamos anesteciado

Translation:

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