“Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”

III Marcha contra o Genocídio do Povo Negro mobiliza jovens de Salvador

A politica combativa de repúdio ao racismo e genocídio da população negra da campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, mobilizou a população para mostrar nas ruas a revolta pelos casos de brutalidade nas ações policiais, como a chacina do Cabula, a morte de Geovane Mascarenhas e de muitos outros negros de periferia, na tarde da última segunda-feira (24) e juntou o povo negro, jovens em sua maioria, que caminharam pelo centro da capital baiana, na III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. Estavam presentes também vítimas da violência.

Do Largo dos Aflitos à Praça da Piedade, cerca de cinco mil pessoas marcharam em um filão puxados pelos integrantes da “Campanha Reaja”, que formavam uma barreira uniforme, vestidos de luto, em memória aos negros violentamente assassinados pelas investidas policiais, não só em Salvador, como também, em outras partes do Brasil. Uma multidão que entoava protestos com as temáticas bases da Campanha, como o fim da militarização, o repúdio à PEC 171, que versa sobre a redução da maioridade penal de 18 anos para 16, durante todo o percurso.

Os gritos de ordem eram liderados pelo fundador da campanha, o advogado e ativista do Quilombo X, Hamilton Borges. De cima de um mini trio elétrico, ele entoava o comandos como: ‘Povo forte, marchem!’, ‘Chega de chacina, eu quero o fim da polícia assassina’, ‘ Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Policia Militar’. Hamilton disse não acreditar na igualdade que apenas homens brancos fazem. “Precisamos tomar as ruas com as pessoas que estão aqui. Irmãs, irmãos, parentes de vítimas desse modelo que tem aqui a sua máquina de moer gente preta. E sabemos disso depois do massacre do Cabula. O governo convocou alguns pretos para promover a dancinha da igualdade”, completou Borges, após a execução do hino da União Africana, que deu inicio ao percurso.

Ao final do percurso, em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública, os organizadores da marcha continuaram o protesto contra a violência policial. “Nossa vida, as vidas negras não estão à venda. Estamos aqui por nossa conta. Não vamos ser mortos e mortas sem reagir”, garantiu a militante Andreia Beatriz, fazendo a chamada dos representantes da Campanha nas cidades do interior baiano, em outros estados do Brasil e, ainda, dos países como Colômbia, Áustria e Estados Unidos presentes no ato.

Assista o vídeo sobre a marcha

Imagens: Rosalvo Neto

Texto e fotos: Fabiana Guia, da redação do Correio Nagô

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Comentário de Otacílio Favero de Souza em 22 novembro 2015 às 15:17

Sou do grupo , otacilio professor de africanidade en santos e gostaria de postar esse texto no meu face, possso

Comentário de Rosivalda Barreto em 27 agosto 2015 às 5:32

Parabéns, correio nagô pela matéria!!!

Fico feliz pela mobilização da população negra,mas ao mesmo tempo perplexa por que sinto que em muitas dessas atividades, os organizadores parecem que sentem medo de que outras pessoas se aproximem e também colaborem ou estejam juntas na luta. As vezes tratando com descaso a atitude de negros(as) que também se disponibilizam a estar presente nas organizações colaborando, até solicitando a presença num bairro da periferia para falar algo para os moradores. Por que digo isto, algumas vezes senti vontade de conhecer o trabalho de duas pessoas que considero fazer um bom trabalho de conscientização da população e jovens negros a partir do que elas mesmas relatavam, pedi que fosse no meu bairro falar para jovens e senti desinteresse nelas em que eu conhecesse o trabalho e em registar a sua presença na comunidade. Penso que pessoas diferentes falando do mesmo tema faz com que as demais pessoas creiam no que se fala cotidianamente, exemplo, na existência do racismo antinegro. Era como se sentissem medo.... agora me limito a fazer elogios e pronto, e o eu tiver de fazer pela população negra faço de dentro de minha sala de aula!! Acho que nós negros pecamos em fazermos trabalhos fragmentados, por isto muitas vezes estamos na desvantagem. Passei a perceber que alguns de nossos irmãos negros, alguns dos que organizam eventos, ou qualquer outra coisa, fazem isto num grupo, depois de tudo organizado fazem o convite para outros participarem, mas para fazer o número e pronto, um apoio, tempo em que se colocam em evidencia. Foi a impressão que ficou.Acho esta atitude desnecessária por que nem todos nasceram para serem líderes e muitos têm outros afazeres e só irão mesmo para apoiar a luta. Mesmo, assim considero que toda atitude vale a pena, mas elas feitas constantemente, faz com que outros desacreditem e fique imobilizados sem crer nos nossos próprios líderes.

Comentário de Cély Leal em 26 agosto 2015 às 17:14

Parabéns ao Correio Nagô pelo belissimo trabalho de comunicação. Apresentando sempre temas sérios e da maior importância. Axé

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