Negritude: Novos tempos, novas atitudes. Sangue, Suor... e Sucesso!

Olá, pessoal

O Brasil é um país democrático que adota o sistema do capital investidor especulativo, a concorrência de mercado e a livre iniciativa empreendedora como fatores de alavancagem de sua economia.

Importa e exporta produtos de quase todos os seguimentos de consumo e possui um parque industrial diversificado e em franco desenvolvimento.

A maior fatia e os maiores rendimentos de sua economia, contudo, são percebidos em diversas formas da área de serviços (algo em torno dos 35% do PIB do país).

A sua população economicamente ativa é composta de consumidores com poder aquisitivo, na média, de razoável para bom.

Na esfera governamental, há um eterno esforço de gestão do Estado em buscar um equilíbrio entre os índices de inflação, a balança comercial, a taxa de juros e o câmbio com o dólar; o 
que, convenhamos não é uma tarefa das mais fáceis.

Em todo este contexto, a participação da população afrodescendente (entre 48 e 52%, de toda a população) é eminentemente mais como consumidora de produtos e serviços do que de geradora de bens tangíveis, de valores corporativos, de polos industriais, de nichos comerciais e de sinergias financeiras. Ainda não desenvolvemos, em nossa comunidade, "know-how" para vôos tão altos. 

Entretanto, levando-se em conta os novos ambientes e a nova dinâmica de uma economia irreversivelmente digital e globalizada do século 21, nós afrodescendentes do Brasil seremos todos colocados frente à frente com uma série de desafios que vão determinar os destinos de nossa inserção nas tomadas de decisão que afetarão e determinarão, de fato, a nossa promoção aos níveis de cidadania de primeira classe que há tempos ansiamos.

A saber: qualificação acadêmica, o domínio de uma segunda ou terceira língua e o empreendedorismo atrelado à uma sólida educação financeira.

Não são desafios fáceis e de resolução imediata. Todos eles passam pela doutrina (às vezes um dogma, dentro de nossa comunidade) do planejamento, do foco e da disciplina. 

Vamos ter que aprender a conciliar o nosso gosto pelo futebol, pelo samba, pela cervejinha, pelos bailes black, pelas festas, pelo carnaval, pelos churras de fim de semana, pelas reuniões com feijoada e similares com uma linguagem e um comportamento que incluam: "terminar uma faculdade", "aprender a guardar dinheiro", "abrir meu próprio negócio", "fazer um intercâmbio", "tentar aquela vaga numa multinacional", "investir na bolsa de valores", "colocar meus filhos em um curso de línguas" e afins.

Os caucasianos e os asiáticos (e os seus descendentes) fazem isso no Brasil desde a inauguração da República, em 1889.

Entendo que os fatores históricos que contribuíram para que os negros e negras do Brasil não atingissem (ainda) os mesmos níveis de cidadania que os descendentes de europeus e asiáticos devam passar a ser entendidos como uma OPORTUNIDADE e não como um obstáculo. 

A nova ordem econômica mundial não vê mais tanto (e exclusivamente) a cor da pele quanto a cor das notas da conta bancária. O novo mundo quer o seu dinheiro, não a sua etnia.

Politicamente falando, entendo que a militância social dos negros deve, sobretudo, continuar, na medida em que TODAS as áreas estratégicas do país (seja ela industrial, acadêmica, científica, militar, econômica, financeira e religiosa) estão sob o domínio de uma elite caucasiana, hereditária, secular, territorial e conservadora. 

Mas a nossa militância social não deve se limitar timidamente ao discurso ideológico simples e retórico. Advogo a favor da tese de que essa deva vir associada com ações efetivas de nossa comunidade que minimamente estimulem as nossas gerações mais novas a exercitar um novo tipo de olhar sobre o país o qual eles habitam.

Precisamos gerar e multiplicar líderes, empreendedores e exemplos de sucesso dentro de nossa comunidade que não se limitem ao sucesso e êxito nos campos de futebol e grupos de pagode. Nada contra, mas podemos ser MUITO MAIS DO QUE ISSO!
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Precisamos aprender a gerar e distribuir renda entre a nossa comunidade. Precisamos de banqueiros (e não apenas bancários), empresários (e não apenas empregados), acadêmicos (e não apenas alunos), generais (e não apenas soldados), economistas (e não apenas consumidores), industriais (e não apenas mão de obra), precisamos de ministros e senadores (e não apenas eleitores)... Negros e negras bem sucedidos, com a auto-estima elevada e compromissados com a sua herança cultural.

E nós precisamos, além de tudo, assumir o nosso papel de atores principais da História nacional e se rebelar contra o script de eternos coadjuvantes sem destaque e reconhecimento deste enredo perverso que é a saga do negro na evolução do Brasil, muitas vezes visto, entendido e anunciado apenas sob uma visão única e tendenciosa.

O caminho é longo, e o êxito pretendido e merecido para os negros e negras do Brasil não virá sem uma boa dose de sacrifícios pessoais, uma estratégia clara de resultados a médio e longo prazos e um despertar civil respeitador das leis vigentes, sem no entanto, abrir mão das reinvidicações e demandas já há muito proteladas que podem e DEVEM colocar nós negros como cidadãos que, com seu trabalho e sua História, ajudaram o Brasil a chegar (entre erros e acertos) onde chegou na nova ordem global do século 21.

Abraços fraternos.

AUTOR: DURVAL ARANTES. TEXTO PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NA INTERNET EM 

02/08/2013, ÀS 19hs31. SE DECIDIR DIVULGAR, POR FAVOR, DÊ OS CRÉDITOS.

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