Aproximam-se as eleições e a gente escuta críticas e deboche à candidatura do pugilista baiano, do humorista cearense, do jogador carioca, dentre outros. Não sou ingênuo e sei que muitos candidatos não querem fazer política, querem apenas “mamar nas tetas do Estado” como se diz comumente. Não obstante, quero ressaltar que esta crítica tem também, como pano de fundo, um preconceito social, contra candidatos humildes, de formação educacional mais elementar, como se o parlamento, em vez de ser a Casa do Povo, fosse a Casa dos Intelectuais. Não é esse o conceito de democracia, se existe uma bancada ruralista que defende interesses dos latifundiários, um representante dos industriais, outros dos banqueiros por que não um homem do povo, representante dos camelôs ou de qualquer outra classe de proletários? Quanto a mamar nas tetas do Estado, na hora que estouram os escândalos, dentre os envolvidos se existem os pobres que queriam enriquecer, há também, os ricos que querem enriquecer ainda mais. A corrupção não é atributo dos pobres. Para não estender mais neste assunto específico deixo aqui o endereço de um artigo meu que versa sobre esta questão: http://www.sergipe.com.br/balaiodenoticias/colabor64.htm.

Partindo dessa noção do preconceito social contra os candidatos que visa impedir o acesso de pobres e pretos ao poder eu quero fazer comentários com base numa experiência, na minha visão pessoal e também trazendo como referências os textos abaixo citados e postados aqui no Correio Nagô:

Igualdade Racial ausente da Agenda dos Candidatos “ (http://correionago.ning.com/profiles/blogs/igualdade-racial-ausente-da) postado por Negr@ Bernardes em 10 de setembro e

“Voto racial precisa Ser Racial” (“http://correionago.ning.com/profiles/blogs/o-voto-racial-precisa-ser “) postado por Eduardo Santiago em 14 de agosto.

Pois bem, em 18 de agosto de 2009, atendendo a convite do Instituto Mídia Étnica, eu tive o prazer e privilégio de atuar como Mestre de Cerimônias e intérprete do evento “Experiências Parlamentares Afro descendentes Brasil – EUA” que reuniu aqui no Centro Cultural da Câmara de Vereadores de Salvador alguns políticos do Estado de Illinois (EUA) e do Estado da Bahia.

Num dos momentos do colóquio, um político baiano dizia no seu depoimento que, apesar da nossa forte “baianidade nagô” o número de afro descendentes ocupantes de cargos políticos era ínfimo, desproporcional à população de residentes e, por conseguinte, de eleitores. Depois de ter escutado a tradução desta informação, um dos integrantes do grupo americano sugeriu: vocês devem fazer uma campanha para que as pessoas negras se registrem para votar, de modo a ampliar o número de eleitores negros, os quais poderão assim, eleger outros negros que representem os interesses da comunidade de vocês. Demorou um tempo até que “caiu a ficha” em mim de que ele estava dizendo aquilo baseado na realidade americana em que o voto não é obrigatório e por isso era necessário ampliar a base de eleitores negros. Eu expliquei para ele que aqui no Brasil o voto é obrigatório para todos os eleitores dos 18 (dezoito) aos 70 (setenta) anos ao que ele então questionou o que estávamos esperando para “virar o jogo”. Ao traduzir este intercâmbio de visões para os conterrâneos, eu acrescentei o meu comentário de que aquela instigação do brother americano deveria servir como lição de casa para reflexão nossa. O artigo postado por Negr@ Bernardes demonstra a força do voto da população pobre e não branca deste país, com certeza ainda mais numerosa na Bahia e em Salvador. O artigo do Eduardo Santiago chama a atenção para a escolha de representantes que estejam, de fato, sensíveis à nossa causa e sintonizados com os nossos anseios. A reflexão pode começar agora, o primeiro exercício será em 03 de outubro vindouro e vamos aperfeiçoando a prática da consciência política. Temos TUDO para mudar a realidade.

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Comentário de Jr Borges em 26 setembro 2010 às 9:49
Como Diz Mv Bill chapa preta, sou militante de um partido que considero até avançado racialmente, mas me pego procurando candidaturas majoritarias representativas e não as encontrando... Partidariamente meu voto passaria em branco... Mas sou negro... A CHAPA É PRETA...
Comentário de Paulo Rogério em 25 setembro 2010 às 0:40
No dia 03 de outubro não deixe seu voto passar em branco =)

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