A comissão nacional de articulação do I° ECONTRO de ESTUDANTES e Coletivos Universitários Negros lança Nota de Repúdio postura da UFSCar em negar refeições para o estudantes.



         No Brasil, historicamente, o ensino superior se configurou em um espaço das elites politicas e/ou econômicas que dispunham de capitais culturais e simbólicos. A formação acadêmica na história brasileira sempre esteve atrelada à manutenção de privilégios de segmentos sociais específicos. Grupos esses, que apresentavam não à toa, um perfil delimitado pelo gênero masculino e a tez branca. Entretanto, com a conquista recente das politicas afirmativas, tornou-se cada vez mais necessária uma atenção especial às demandas pela permanência estudantil qualificada.
Dessa forma, com o objetivo de convocar a juventude negra e universitária para um grande debate de avaliação das politicas públicas direcionadas ao acesso ao ensino superior, estudantes negras e negros de diferentes estados brasileiros construíram o I Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros – EECUN. O evento é uma atividade cultural, politica e acadêmica prevista para acontecer em São Carlos nos dias 07,08 e 09 de maio.
O processo, porém, vem se inviabilizando devido à postura retrógrada da Universidade Federal de São Carlos em não fornecer subsídios para a realização do Encontro. Uma regressão na importante trajetória de inclusão iniciada desde a adoção do programa de ações afirmativas em 2008.
A UFSCar, por meio da Pró-reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis, negou, aos estudantes negros e às estudantes negras mobilizados no Brasil para esse encontro, ceder sua estrutura para alimentação e alojamento. Mas, sequer nos ofereceu uma saída.
De maneira transparente, boicota-nos ao negar acesso ao restaurante universitário, pois tem conhecimento da vulnerabilidade da juventude negra. Adota, desse modo, uma postura vergonhosa: lava as mãos e se abstêm da oportunidade de contribuir para a construção do I EECUN, evento cujo potencial transformador da realidade social é inquestionável.
Questionamos, então, o porquê dessas barreiras? Teria a elite branca brasileira receio de um evento que se propõe a unir as negras e os negros universitários do país? Temem a nossa articulação?
Nós, da comissão nacional de articulação do I° Encontro de Estudantes e Coletivos Negros – EECUN, repudiamos a atitude da UFSCar que desse modo contribui para que o encontro não seja uma realidade.
Avisamos, contudo, que a escolha em não subsidiar um evento tão específico quanto esse não nos fará recuar. Nós, que sofremos com o racismo estrutural, cotidiano e velado brasileiro, clamamos pela presença dos nossos irmãos e das nossas irmãs de todo o país em São Carlos para debatermos uma sociedade mais igualitária e democrática. Representamos a minoria universitária, mas a esmagadora maioria populacional. A nossa luta é a luta de todo povo preto!

FORTALECER PARA PERMANECER!

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