Em época de eleições, surge o movimento em que é tempo de negociar demandas e estudar a representação que mais irá supostamente funcionar de modo a satisfazer os desejos do povo nos mais variados campos da vida social. E sempre cabe, sem dúvidas, questionar as bases e rumos do sistema de poderes, pois está bem longe algo que ao menos lembre a perfeição.

Cada pessoa e/ou grupo possui diversos interesses, todavia, é comum que existam temas que figuram como fundamentais para cada segmento. Saúde, educação, segurança, moradia, trabalho e emprego, acesso à terra, renda, entre outros, se
consagraram como indispensáveis à qualquer agenda política que se preze e assuntos como sustentabilidade ambiental, mídia e comunicação, diversidade cultural, direitos humanos..., gradativamente passam de debates éticos à necessidades básicas da nação.

Há a força da falsa ideologia de que existe uma democracia racial no Brasil, não
obstante - sem negar o óbvio de que somos multiplamente misturadas/os - hoje, já há núcleos fortes que reinterpretam o quadro humano nacional de forma a perceber assimetrias baseadas no arraigado rechaço à tudo que se diferencia do padrão hegemônico, o que desnuda motores da existência de verdadeiros contingentes de marginalizadas/os. Falar em racismo, grupos racialistas e racializados, desracialização, entre outras "temáticas da diferença'', não é inserir mais um tema a ser tratado como detalhe acessório, é, sobretudo, perceber o que constitui cada
dimensão, para assim desenvolvê-la de forma mais plena, pois os traços que formam e singularizam cada sujeita/o social, fazem parte do que se queira como resultado final satisfatório ou o todo nunca ocorrerá.

Questão étnico-racial não é apenas mais um tema, e sim uma pulsão fundamental
que trespassa todos os temas nacionais de forma elementar e central, assim como a questão de gênero, meio ambiente, sexualidade, geração, etc. Sem o reconhecimento dessa básica constituição, tudo tende a emperrar e não se efetivar ao fim. Por isso, representantes que entendam e se sensibilizem frente a esse quadro, são do maior interesse do povo negro, povo integrante do que vem sendo chamado de povo brasileiro, porém que, por desvantagens históricas e golpes contínuos da discriminação negativa, nem sempre pode receber e doar inteiramente cidadania, o que gera prejuízos para o resultado coletivo no geral e que precisa ser corrigido! Desse modo, reivindicar nossas demandas é, enfim, lutar pelo país, país que precisa da plenitude de nossa participação.

Os interesses do Brasil somos nós também, e os nossos interesses são também o Brasil, pois o país é tudo o que tem sido e será. Que os vários elementos, sem aos outros sufocar, possam defato ser expressados sem prejuízos por estarem unidos aos demais. Afro-brasileiras/os, índio-brasileiras/os, gytano-brasileiras/os, euro-brasileiras/os, nipo-brasileiras/os... QUE POSSAMOS IR,VIR, SERÁ, SER, DEVÌR... SINGULAR-PLURAL! As nossas diferenças fazem a diferença!