Tenho sempre na memória um relato que me foi dito em tom de brincadeira por amigo, quando eu vivia no Japão (vivi lá por 15 anos). Ele dizia que quando seus pais foram visitar o Canadá, o fato que irritou a sua mãe foi a incapacidade de “falar Português das pessoas no Estrangeiro”. Essa observação, assim comentada parece algo distante da nossa realidade cotidiana. Afinal, nós que estamos antenados com o mundo pela Internet, só podemos achar graça em “observação inocente”. Mas, infelizmente, a nossa realidade é que nos achamos o centro do mundo, Nos enxergamos como um povo melhor do que os outros, e esse sentimento, penso, está na base da nossa atitude em relação ao resto do mundo: “Eles, os outros, é que precisam nos imitar” – nós pensamos. É aí que alimentamos uma atitude nociva com relação a interpretação da realidade: O “Triunfalismo”. Em tudo tipo de competição que nos lançamos, já sai “campeões”, independente do desprezo que nos cultivamos pela disciplina e pelo exercício paulatino. Um grande exemplo disso é o “pré-sal”, que já vendemos e re-vendemos, dando lucro a expertos especuladores, para depois cairmos na realidade de que não temos tecnologia para implementarmos uma exploração comercial na escala que propagamos. Antes de ficarmos zangados com essas observações que aqui vão, cabe uma reflexão corajosa: A nossa realidade está bastante defasada em relação ao movimento da comunidade internacional.

Uma pesquisa realizada pela escola de inglês on-line Global English mostra a deficiência em números. O Brasil ficou em penúltimo lugar no ranking mundial dos países com melhor proficiência em inglês, na frente somente da Colômbia. É o que mostra o resultado de um teste feito em 76 países, com foco na análise no nível de conhecimento da língua de Shakespeare. No Brasil, 13 mil pessoas fizeram a prova. Enquanto a média mundial foi de 4,15 pontos, a brasileira ficou em 2,95 (Correio Braziliense).

A Internet criou uma revolução. A ascensão da Internet comercial mudou
a vida das pessoas de uma forma fundamental e isso se reflete também por uma mudança fundamental em algumas atividades de mercado. As indústrias de conteúdos e mercados, em particular, têm sido profundamente alteradas por formatos digitais e de distribuição. Yochai Benkler, autor do livro The Wealth of Networks, diz que “a mudança que o ambiente de informação em rede trouxe é profunda”. Assim, torna-se fundamental compreender, a partir de uma perspectiva de país em desenvolvimento, A Internet muda a capacidade de produção de conhecimento, distribuição e acesso esse conhecimento, com a seguinte cláusula implícita: A capacidade de se comunicar em Inglês. Afinal vamos combinar uma coisa: No planeta onde uma variedade de idiomas é usado e o Inglês assume o papel de língua franca de comunicação internacional, quem não partilha desse veículo de informação está do lado de fora do contexto.

Uma das desvantagens mais evidentes da qual nos damos conta é que o país inteiro é vítima do que se chama “digital divide” (que pode ser traduzido como “ fosso digital”), que é o resultado da diferença entre os níveis de desenvolvimento tecnológico entre países desenvolvidos em desenvolvimento, que apesar da impressao geral de equidade, quem lida com Ciencia e Tecnoloigia conhecido como segmento ITC (Information, Technology and Communication) no dia-a-dia, sabe da desproporcionalidade real das coisas.

De todos os pontos do espectro político institucional do nosso país o que ajuda a nos caracterizar como pais em desenvolvimento, e nos mantém nesse status quo é a nossa tradição histórica de tendência paternalista e de adoção de ideologias messiânicas. Precisamos evoluir para a adoção de posturas políticas que busquem resultados pragmáticos e antenados com o mundo que progride, independentes de colorações ideológicas que não prestam serviço ao avanço da dignidade do indivíduo. Precisamos nos dissociar da prática de profissionalização da pobreza, que está em curso no nosso País.

Precisamos urgente apreender Inglês.


REFERENCIAS

 

1. The Open Access Movement: opportunities and challenges for developing

countries. Let them live in interesting times, Carolina Almeida A. Rossini; http://campus.diplomacy.edu/env/scripts/Pool/GetBin.asp?IDPool=3737

2. Correio Braziliense; http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2012/08/21/...

3. Ilustraçãodo Zé Carioca: : http://www.murilocampos.com/blog/malandragem-da-um-tempo-walt-disne...

 

Exibições: 146

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço