O massacre de Sharpeville e o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial

O Massacre de Sharpeville ocorreu em 21 de março de 1960, no município Sul-Africano de Sharpeville, no Transvaal (hoje Gaunteng). Após um dia de manifestações, a polícia sul-Africana abriu fogo sobre uma multidão de manifestantes. Na atual África do Sul, 21 de Março é comemorado como um feriado para lembrar o episódio que passou aos anáis da história como “ O Massacre de Sharpeville”. O governo democrático da África do Sul, decretou feriado o dia 21 de Março para homenagear os mártires e celebrar a adoção da legislação de igualdade de direitos para todos.

Como ocorreu o fato: No regime do “apatheid” os negros eram obrigados a portar documentos de indeficação denominados de “livros de passagem” para circular no terrítório Sul-Africano. Em 21 de Março 1960 , um grupo de entre 5.000 e 7.000 pessoas convergiram para a delegacia de polícia no município de Sharpeville, oferecendo-se para serem presos por não portarem os seus “ livros de passagem” . A polícia de Sharpeville não foi pega totalmente de surpresa pela demonstração, pois já tinham sido forçados a prender grupos menores de ativistas e militantes mais longe da delegacia, na noite anterior.
Muitos dos civis presentes compareceram para apoiar o protesto, mas não há evidência de que o Partido do Congresso Nacioanl Africano (partido de Nelson Mandela) tenha usado meios de intimidação para atrair a multidão para a manifestação.

Às 10:00 horas, já havia uma grande multidão nos locais próximos a delegacia, mas , a atmosfera era inicialmente pacífica e festiva. Menos de 20 policiais estiveram presentes na estação no início do protesto. Mais tarde, a multidão cresceu para cerca de 19.000 manifestantes e o clima começou a se tornar inesperadamente hostil. O crescimento da multidão foi interpretado  plea polícia como evidencias de um “ clima hostil, insultoso e ameaçador”, que culminou com a adição de 130 reforços policiais, apoiados por quatro veículos blindados. A polícia estava armada com armas de fogo, incluindo sub metralhadoras. Não houve evidência de que alguém na multidão estava armado com nada além de pedras.

O clima piorou com a chegada de Jatos de caça dos tipos Sabre e Harvard em formação de guerra, que em vôos rasantes (que chegaram a umas poucas centenas de metros do chão), voavam sobre a multidão em uma tentativa de dispersá-la. Os manifestantes responderam lançando algumas pedras.

Por volta das 13:00 a polícia tentou prender um dos supostos líderes. Houve uma briga, e a multidão avançou. Os manifestantes começaram a gritar. Um comandante da polícia foi jogado ao chão, outros foram possivelmente atingidos por pedras e  o tiroteio começou pouco depois.

O massacre em Shaperville, África do Sul, em 21 de março de 1960, obriga-nos, todo ano, nesta data, a fazer uma reflexão profunda sobre desigualdade, racismo, xenofobia e todas as formas correlatas de ódio entre os seres humanos. Guardem que os negros sul-africanos foram escravizados, aviltados, inferiorizados e massacrados pelos invasores brancos, que tomaram as suas terras e estabeleceram uma nação espúria com base na pilhagem das riquezas originalmente pertencentes aos nativos. Tudo feito à revelia dessa realidade e com a conivnencia da comunidade internacional da nações, da mesma forma que ainda acontece nos dias atuais..

Irmãos e Irmãs: Homens, mulheres e crianças foram covardemente fuzilados pela polícia racista da África do Sul, em Shaperville, em 21 de março de 1960. Aquelas pessoas morreram porque se recusaram a aceitar leis injustas em seu próprio território, lutaram contra uma ideologia que pretendia identificá-los como inferiores.

Irmãos e Irmãs: No Brasil, homens, mulheres e crianças negras são covardemente massacrados pela sociedade racista, pela polícia racista de um Brasil que não quer assumir o seu lado africano, que quer apagá-lo, usando o dinheiro público para levar adiante o seu projeto infame.

Em Shaperville, no dia 21 de março de 1960, aquelas pessoas morreram porque se recusaram a aceitar leis injustas baseadas em uma ideologia que impunha o terror, a fome e a vergonha a uma nação: o apartheid.

Em 1969, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu este dia, 21 de março, como o Dia Internacional de Combate ao Racismo. Essa data marca não só o martírio das 69 pessoas mortas e 186 feridas em Shaperville, mas também nos fazem refletir sobre nossa própria história e as relações raciais no Estado brasileiro, fundadas sobre a  escravidão, a opressão e a exploração.

É tarefa nossa, de todos nós, homens e mulheres, criar as condições para que o mundo seja melhor e que a solidariedade e a fraternidade vençam o ódio, o racismo, e todas as formas de desigualdade.

Shaperville é importante enquanto memória de luta de um povo que conquistou sua liberdade à custa de seu próprio sangue. Foi assim quando lutamos, em 1798, na Revolta dos Búzios; em 1826, no Quilombo do Urubu, em Pirajá; em 1835, na Revolta dos Malês. Enfim, em toda a trajetória dos negros e negras nesse território hostil, fizemos luta.

Nesses 21 de março, temos que relacionar o martírio das vítimas de Shaperville com nossa realidade de desigualdade, ambos gerados pela mesma matriz histórica: o tráfico de seres humanos, a escravidão. Maior holocausto da história da humanidade.

Em pouco mais de 100 anos de República, o que temos é a desigualdade e o abandono de nosso povo nos piores indicadores econômicos de educação e outros. Essas desvantagens que nos atingem não são desvantagens naturais e biológicas. São históricas e só se corrigem com políticas focadas e específicas, que são uma exigência de um povo que construiu esse país.

Precisamos de reparação histórica e humanitária para banir de vez a prática hedionda de se matarem negros como se fossem insetos, a exemplo do que tem acontecido em nosso Estado. A cada dia que abrimos os jornais ou caminhamos por nossas comunidades, vemos uma Shaperville erguida a sangue e cadáveres de gente negra.

O massacre de Shaperville, em 21 de março de 1961, obriga-nos, todo ano, a uma reflexão e um posicionamento firme contra as desigualdades, o racismo e o genocídio do povo negro.

.Foi assim como o povo Sul-Africano, que lutamos, em 1798, na Revolta dos Búzios; em 1826, no Quilombo do Urubu, em Pirajá; em 1835, na Revolta dos Malês. Enfim, em toda a trajetória dos negros e negras nesse território hostil, no qual nascemos e lutamos.

Vale aqui lembrar as palavras  disse do Vereador Moisés Rocha no ano de 2010:

“Nesses 21 de março, temos que relacionar o martírio das vítimas de Shaperville com nossa realidade de desigualdade, ambos gerados pela mesma matriz histórica: o tráfico de seres humanos, a escravidão”. Maior holocausto da história!

Em pouco mais de 100 anos de República, o que temos é a desigualdade e o abandono de nosso povo nos piores indicadores econômicos de educação e outros. Essas desvantagens que nos atingem não são desvantagens naturais e biológicas. São históricas e só se corrigem com políticas focadas e específicas, que são uma exigência de um povo que construiu esse país.

Precisamos de reparação histórica e humanitária para banir de vez a prática hedionda de se matar negro como se fossem insetos, a exemplo do que tem acontecido em nosso Estado. A cada dia que abrimos os jornais ou caminhamos por nossas comunidades, vemos uma Shaperville erguida a sangue e cadáveres de gente negra.

“O massacre de Shaperville, em 21 de março de 1961, obriga-nos, todo ano, a uma reflexão e um posicionamento firme contra as desigualdades, o racismo e o genocídio do povo negro.”


REFERENCIAS

Wikipedia

Notícas JusBrasil, Câmara Municipal de Salvador, 19 de março de 2010

BlackPast.org 

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Comentário de Ana Claudia em 21 março 2012 às 19:22

Vamos levanta nossa bandeira nao somos melhores e nem pior que ninguem. Somos feliz....

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