Os Negros sempre carregaram e carregam o Brazil nas costas; foram e ainda são, o arrimo do país; mas os direitos dos construtores desse país se resume a um único direito: o de se calar; enquanto os nomes dos que comandarem o Estado brasileiro forem todos nomes de procedência estrangeira. Um fato funestamente notório e público para corroborar tais atrocidades cometidas diuturnamente, é o absurdo do negro brasileiro ser até hoje, ainda mesmo proibido de registrar o seu próprio filho com o nome de sua família originária, já que este ato remete a sua memória, à sua ancestralidade e a sua história de luta. Ou seja, assim como a cor de sua pele, que infere em sua sentença, visto não ser possível arrancá-la de todo por falta de cemitérios e sepulcros públicos suficientes, o nome próprio é um discurso poderosíssimo que precisa ser coibido e apagado, proibido e esquecido. 

 

Nosso país está dividido em três nacionalidades principais: o Povo Negro, os Povos indígenas, e a população branca. e quem sempre governou, explorou, torturou, roubou e furtou, sabemos muito bem qual foi e continua sendo; é que sempre deteve o poder com base na coação e coerção, detendo o monopólio total da maledicência e da corrupção, enquanto os fracos sofrem o que for necessário, já que estes oprimidos, em consequência do assimilacionismo, não atinam para a sua condição de escravizado; contribuindo para criar, por sua vez, um eficiente mecanismo de tolerância à violência e a subalternidade, fazendo com que ele transforme esse instituto de opressão em algo banal; permanecendo enfim, na condição de completa servilidade.

 

 

Se atinássemos para nossa atual condição e caminhássemos em direção a FORMAÇÃO da tão temida coletividade, tomada de consciência esta que tem sido motivo de infinitas insônias em branquinho, ter essa consciência que nos tornariam ser um povo descendente de Rainhas e de Reis. Parece que, lamentavelmente ainda temos que permanecer nos porões dos negreiros, hoje em forma de camburão, para nos lembrar do significado e da significância da palavra MALUNGO, que traz latente o poder da espiritualidade ancestral de nosso povo. 


Mesmo que esse ato de rebeldia, a formation da coletividade, signifique ingressar numa batalha desigual. Mas, como a verdade está sempre ao lado do oprimido, trilhemos o caminho do Ubuntu como a única via ainda não explorada neste novo mundo, aonde a humanidade se encontra coberta pelo manto da completa solidão. Desse modo, finalmente nosso país multiétnico se tornará PLURIÉTNICO, sendo enfim, um país de todas e todos, indo além da superfície do discurso propagandista da plutocracia fascista pós-moderna.

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