Fonte: Portal Vermelho 15 de Março de 2010 - 14h34

Nos últimos dias, ela cometeu dois crimes de racismo. O jornal O Globo simplesmente vetou a publicação de um anúncio pago (pago!) do movimento Afirme-se, que defende as cotas nas universidades brasileiras. Já a FSP (Folha Serra Presidente) se meteu numa enrascada ao dar espaço para o racista Demétrio Magnoli, que esculhambou dois repórteres do próprio jornal.

A peça publicitária do movimento Afirme-se, produzida pela agência baiana Propeg, enfatizava que 60% dos brasileiros apóiam as políticas afirmativas e defendia a manutenção das cotas. O anúncio visava interferir nos debates da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Ele foi publicado em vários veículos ao custo médio de R$ 40 mil. Já o jornal da famíglia Marinho, que antes havia orçado a publicação em R$ 54.163,200, ao saber do conteúdo da campanha elevou o preço para R$ 712.608,00 – um aumento de 1.300%.

Preço elevado em 1.300%

Diante deste evidente racismo, a entidade ingressou com representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra O Globo, exigindo a “punição do veículo e a obrigatoriedade da publicação do anúncio a preço simbólico ou gratuito”. Para o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, o majoração de 1.300% “é uma coisa irracional, por isso ingressamos com uma representação por abuso de poder econômico”. Segundo o advogado João Fontoura Filha, a atitude do jornal atenta contra a liberdade de expressão e fere vários artigos da Constituição.

Na ação enviada ao subprocurador-geral de Justiça e Direitos Humanos, o advogado afirma que o anúncio visava “informar a sociedade a respeito da constitucionalidade das cotas – tão atacadas nos editoriais e artigos difundidos, entre outros, pelo O Globo”. Mas o jornal preferiu vetar a sua difusão, confirmando a existência de “uma verdadeira campanha que objetiva extinguir, vetar e destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa; e impedir, bloquear e derrotar qualquer possibilidade de criação de novos instrumentos legais de ação afirmativa”.

Magnoli, o novo jagunço das elites

Na mesma semana, os senhores da Casa Grande confirmaram que seguem mandando na mídia. Após publicar matéria dos jornalistas Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM responsabiliza negros pela escravidão”), a Folha abriu espaço para o seu jagunço de aluguel, Demétrio Magnoli, atacar seus dois repórteres. No artigo “O jornalismo delinquente”, o novo mercenário das elites se solidariza com o discurso racista do senador demo Demóstenes Torres, que culpou os escravos pela escravidão, e criticou covardemente os dois jornalistas, sugerindo a sumária demissão.

A atitude da Folha, que terceirizou as suas críticas à política de cotas, causou forte repulsa. Um manifesto de solidariedade aos dois repórteres já circula nas redações. Para o blogueiro Leandro Fortes, a Folha cometeu suicídio editorial ao autorizar um “elemento estranho à redação (mas não aos diretores) a chamar de ‘delinquentes’ dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, eu não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca”.

Enquadramento de repórteres e editores

“Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados, como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra suas atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião”, opina Leandro Fortes. Para ele, o repulsivo artigo de Magnoli visa a “intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam” –, referindo-se a batalha eleitoral em curso.

A delinquência de Magnoli também atingiu um dos principais articulistas da Folha, Elio Gaspari, que ironizou o demo: “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas”. Para o jagunço, a reportagem e, de quebra, a coluna de Gaspari não deveriam ter sido publicadas sem prévia autorização da direção do jornal. Ou seja: ele exige maior censura na decrépita Folha. Os racistas, bastante reais e atuantes, estão nervosos no combate às cotas.

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Comentário de Fafá M. Araújo em 6 abril 2010 às 15:32
Muito bem Rogério, temos quer formar pessoas com esse pensamento. Da liberdade de escolha e não fazer o mesmo, usar das mesmas armas que esses dai costumam utilizar. Educação gente, é a chave para o negócio. Utilizemos esses instrumentos como material pedagógico para demonstrar de forma didática a forma de exposição das questões relacionadas ao povo negro e às outras minorias.
Comentário de Rogério Santos em 6 abril 2010 às 13:49
Eu já faço isso. Ultimamente, o televisor da minha casa só tem permanecido ligado quando - e enquanto - a minha mãe está presente. Além disso, eu tenho discutido o assunto abertamente com as minhas estudantes e deixo todas à vontade para decidir o que é melhor. Jamais direi o que elas devem fazer, pois, na minha opinião, isso não seria estimular o livre pensamento, mas ditadura - e eu tenho horror a ditadores.
Comentário de Movimento Mulher de Raça em 6 abril 2010 às 10:02
Por que não começamos demonstrar nossa revolta com menos palavras e mais ações. Como por exemplo convocar aos negros a não comprarem esse funesto jornal, e deixarem de assistir a rede Globo.
Comentário de NAPOLEAO em 5 abril 2010 às 8:49
muito bom isso, é a prova de que "deixa eu falar filho da p...", continua sem existir a liberdade de expressao, mas nao e por isso que vamos nos calar, e esse demetrio magnoli é um racista babaca.
FALO O QUE QUISER, LOGO EXISTO.
Comentário de Rogério Santos em 2 abril 2010 às 23:29
Isso me revolta, mas não me surpreende. Esse abuso de poder econômico deve ser denunciado e combatido na justiça, mas convenhamos que foi muita ingenuidade da coordenação da Campanha Afirme-se esperar postura diferente por parte das Organizações Globo. Afinal de contas, um dos que manda e desmanda por lá é Ali Kamel, outro proeminente jagunço de aluguel dos reaças brasileiros e autor do famigerado Não Somos Racistas. Diante disso tudo, um anúncio favorável às ações afirmativas não seria - e não será - publicado n'O Globo nunca. Não nos iludamos, pessoal.
Comentário de Operario em 2 abril 2010 às 18:01
É apenas um retrato mais nítido do "grande partido político, direitista, elitista e racista" que se tornou a grande mídia brasileira. Demétrio Magnoli, Ali Kamel (Não somos racistas), os sub intelectuais estão sempre a postos para corroborar a opinião de seus senhores e por consequência best sellers de uma classe média cada vez mais manipulada pela mídia.

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