No Jornal A Tarde de 16/11/2001 saiu uma notícia intitulada "IBGE: renda dos ricos supera a dos pobres em 39 vezes" e um dos blocos da notícia informava:

Cor e gênero

No Brasil, os rendimentos médios mensais dos brancos (R$ 1.538) e amarelos (R$ 1.574) se aproximaram do dobro do valor relativo aos grupos de pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) ou indígenas (R$ 735). Entre as capitais, destacaram-se Salvador, com brancos ganhando 3,2 vezes mais do que pretos; Recife (3,0) e Belo Horizonte (2,9). Quando analisada a razão entre brancos e pardos, São Paulo apareceu no topo da lista, com brancos ganhando 2,7 vezes mais, seguida por Porto Alegre (2,3).

Os homens recebiam no País em média 42% mais que as mulheres (R$ 1.395, ante R$ 984), e metade deles ganhava até R$ 765, cerca de 50% a mais do que metade das mulheres (até R$ 510). No grupo dos municípios com até 50 mil habitantes, os homens recebiam, em média, 47% a mais que as mulheres: R$ 903 contra R$ 615. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, os homens recebiam R$ 1.985, em média, e as mulheres, R$ 1.417, uma diferença de cerca de 40%.

 

Vale observar que dia 16/11 foi a quarta-feira desta semana e que esta notícia foi veiculada noutros jornais e mídias, sem contar que o que diz o texto acima não é nenhuma novidade. 

Pois bem, dito isto, no final da tarde de ontem, dia 18/11, por volta das 18h, eu sai do Centro de Convençoes, onde participava do AfroXXI - Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes evento sobre o qual estou publicando comentários também neste portal, quando liguei o rádio do carro. Sintonizei bem no momento em que o apresentador falava da proximidade do Dia da Consciência Negra  quando haveria, segundo ele, toda aquela "patacoada" de falar de racismo num país onde ninguém é branco puro. Dito isto, ele foi apoiado por um comediante de uma stand-up comedy que estava no programa e que falou que não concordava com esse debate sobre racismo porque "somos todos iguais" e fez outros comentários irônicos e ignóbeis sobre a questão étnica.

Considerando que a questão da desigualdade promovida pela escravidão persiste até hoje e considerando ainda que tais questões tem sido amplamente debatidas pela sociedade civil e governo e divulgadas pela mídia, inclusive reforçando o fato de estarmos sediando o AfroXXI eu não consigo acreditar que o apresentador e o comediante sejam pessoas tão mal informadas acerca da realidade, inclusive porque vivem dela. Eu me permito achar que, em vez de pessoas  mal informadas, são pessoas com mentalidade mal formadas ou deformadas por paradigmas e preconceitos arraigados que fazem com que ignorem a realidade  e continuem reproduzindo este modelo mental pautado no mito da democracia racial que já não tem mais sustentação.

Bem até aí não há muita novidade para nós, mas o que considero importante neste registro é de estarmos sempre atentos e conscientes de que assim como existem neo-nazistas tanto tempo depois da morte de Hitler, ainda existem pessoas que não enxergam ou que se fazem de cegas e como formadores de opinião seguem reproduzindo  velhas crenças, e parafraseando Cazuza, seguem vendendo falsas ideologias para quem ainda quer uma para viver, disparando suas metralhadoras cheias de mágoas, mesmo com a piscina cheia de ratos e com idéias que  não correspondem aos fatos.       

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