O rapper paulista Criolo esteve em Salvador no ultimo sábado, 5 de maio, em show realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves - TCA. O show intitulado Nó na Orelha, nome do seu último disco, reuniu pessoas de várias idades na Concha. Criolo passou uma energia contagiante, onde a plateia vibrava juntamente com o artista, em canções como: Nó na orelha e Não existe amor em SP. Criolo ainda parodiou a canção Cálice, de Chico Buarque e Milton Nascimento, que ficou muito famosa na sua versão. O artista também cantou a música Que bloco é esse, do clipe que gravou com o Ilê Aiyê. O rapper dedicou o show a Valmir Dois Mundos, produtor cultural e figura emblemática do Centro Histórico de Salvador, falecido no mês passado. Dois Mundos marcou presença no clipe de Criolo e Ilê Aiyê.  

O jovem do Mídia Periférica, Enderson Araújo, foi convidado pelo programa Mosaico, da TV Bahia, para acompanhar as gravações de uma entrevista com o Criolo, antes do show. Durante a entrevista, o artista foi surpreendido pelo jovem, que presenteou o artista com uma camisa do grupo, e pediu para Criolo pousar para uma foto da campanha publicitária do Mídia Periférica, onde os jovens vendem as camisetas por meio das redes sociais Facebook e Twitter. O objetivo é conseguir dinheiro suficiente para a compra de uma nova câmera, visando melhorar os trabalhos de cobertura jornalística que os jovens realizam nas comunidades periféricas. O cantor aceitou sem hesitar, e fez questão de comentar, que sentia uma enorme felicidade em saber que a juventude está fazendo a mudança, que o caminho era este. Criolo ainda disse que para se alcançar o sucesso, é preciso pisar em muitas pedras, que não era para desistir dos sonhos, e fazer com que outros jovens sonhem.

Criolo é o nome artístico de Kleber Cavalcante Gomes, rapper com atuação desde 1989. Conhecido por ser o criador da Rinha/Batalha de MC’s, Criolo até início da década de 2000 era praticamente desconhecido. Trabalhou como educador entre1994 e 2000. Em 2006, lançou seu primeiro álbum de estúdio, intitulado Ainda Há Tempo e fundou a Rinha dos MC's existente até hoje em São Paulo. Ela abriga batalhas de freestyle, shows semanais e exposições de graffitti. No ano seguinte, fez participação no Som Brasil especial em homenagem a Vinícius de Moraes; e foi indicado ao Prêmio Hutúz em duas categorias: "Grupo ou Artista Solo" (que perdeu para GOG) e "Revelação" (vencido por U-Time). Em 2008, recebeu o prêmio "Música do Ano" e "Personalidade do Ano" na quarta edição do evento "O rap é compromisso".

Em 2011 o Rapper lançou seu segundo disco, Nó na orelha, gratuitamente através da internet e mudou seu nome artistico apenas para "Criolo". Antes era chamado de “Criolo Doido” No disco, o cantor diversificou os ritmos de RAP com vários outros, como a MPB, funk, soul e blues. Este disco teve excelente recepção pela crítica (inclusive estrangeiras), levando Criolo a participar de diversos programas de tevê e estar no topo dos trending topics do twitter.

Criolo foi um dos campeões de indicações ao VMB 2011 da MTV, sendo indicado nas categorias "Videoclipe do Ano", com "Subirusdoistiozin" e "Artista do Ano", e vencendo os prêmios de "Álbum do Ano", com "Nó na Orelha", "Música do Ano" com "Não existe amor em SP", e "Banda ou Artista Revelação". Ele também foi o primeiro confirmado a se apresentar ao vivo durante a premiação, onde cantou a canção "Não existe amor em SP" ao lado de Caetano Veloso.

Texto: Enderson Araújo, correspondente do Portal Correio Nagô na Bahia

 

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Comentário de Dilnei Severo em 15 maio 2012 às 8:08

TESTE DE AUTO-ESTIMA

Vou provar aqui neste espaço como uma pequena medida mostra que não basta blá, blá, blá em torno das questões raciais. Tem que agir...

Se você é negro, não branco, moreninho, etc e é constantemente é chamado pela sua cor...Experimente o seguinte:

Ao ser chmado pelo apelido diga para a pessoa que se referiu a você...

" - Olha , não leva a mal mas eu gostaria de chamada daqui pra frente pelo meu nome....que é... JOÃO, MARIA, ROBERTO, etc"

Voce estará dando o 1º passo na prática para combater as discriminações...

Voce verá que a pessoa ficará dando mil desculpas de que não quis ofender, que na sua familia também tem negros, etc.

As pessoas vão ficar olhando diferente prá você...

Faça o teste se assuma ...

Não permita ser chamado pela cor.

Você ja viu alguem ser chamado de branco, brancão????

Claro que não porque o branco não está associado a sub-raça, a escravidão....

Pelo contrário chamar alguém de alemão é orgulho....

Olha aquele cara do Big-broher...o Alemão, vive da fama até hoje...

Com certeza as pessoas vão dizer que você agora está diferente....Mas se todos nós negros tomarmos esta atitude as coisas começam a mudar . Quem chama pela cor não é CIVILIZADO, OU SEJA, NÃO SABE VIVER EM SOCIEDADE. junto a diversidade.

Já dizia o ditado chinês ..Se cada um varrer a sua calçada o mundo todo ficará limpo...

Comentário de Fabio Teles em 15 maio 2012 às 0:14

Jovens, assustado fiquei a verificar o nome assumido, sobretudo ouvi o comentario do Rapper do por que desse nome, apenas para desmistificar a ideia de criolagem, pois era utilizada como divisão social de inferioridade, usada para negros e seus descendentes. O Kleber assume suas raizes e enfreta dificuldades pela opção assumida, perceba que para seu nome seria mais facil entrar no mercado fonografico. Sem contar que lecionava, fortalecendo a ideia da escolha do nome Criolo Doido, nome no qual iniciou seus trabalhos.

A cultura rap está espressando as magoas do povo perante a sociedade, que importa ou assume uma cultura europeia que descrimina o que é diferente, em um país tropical.

Eu agradaço a todas as pessoas que proliferam a cultura negra, principalmente aos que parafraseam, ou utilizam palavras de baixo calão. O cara faz um som legal, se permitam e ouçam.

Comentário de Dilnei Severo em 14 maio 2012 às 13:30

Gostei Celso Pacheco. Não quero desfazer  a atuação do Enderson que acompanhou o artista, foi convidado, etc.

Quero apenas deixar claro que quando a gente ouve estes nome na rádio, na Tv, divulgados de uma maneira totalmente livre,  a idéia que fica ém 1º lugar é de que o cara é "NEGRÃO".

Depois, já surge a idéia de que se a TV divulga é porque não há mal nenhum em chamar alguem pela cor antes do nome.

Se este artista faz música de protesto, de conscientização ele deveria fazer um exame de consciência para verificar que 1º ele se deprecia , se desvaloriza ae depois quer o reconhecimento do seu trabalho.

Depois não adianta criticar ou denunciar o Alexandre Pires, etc. 

Temos que entender que a melhor maneira de se referir a alguém é pelo seu NOME. Quem não consegue chamar alguém pelo nome demonstra não ser CIVILIZADO, ou seja, não está apto a viver em sociedade e a conviver com a diversidade.

Comentário de Celso Pacheco Val em 14 maio 2012 às 13:06

Mais um artista a fazer do seu nome esteriótipado um caminho para o sucesso...lamentável 

Comentário de enderson araujo em 14 maio 2012 às 0:51

Mano, o que faz a pessoa é a sua Identidade, me desculpe, mas você foi infeliz em seu comentário, Criolo vem prejudicando o quê?

Comentário de Dilnei Severo em 12 maio 2012 às 21:32

Acho lamentável todo o artista que se utiliza de um nome que tradicionalmente serve para colocar o negro no seu lugar. "CRIOULO"

O nome artístico do rapper Kleber Cavalcante Gomes só serve pra deixar sempre na boca das pessoas que nos discriminam,  expressões que ao ficar sempre sendo lembradas, servem como justificativa para os brancos dizerem..."- Sim , chamei ele ou ela de crioulo mas não foi por mal pois tem até um artista que se chama assim..."

Não sou radical mas sou do sul e sei o estrago que estas expressões causam no amor próprio de uma pessoa.

Por mim eu lutaria para retirar do dicionário a palavra "NEGRÃO". Acho que quem chama alguém em 1º lugar pela cor antes de saber o nome NÃO É CIVILIZADO.

Depois não adianta reclamar se o próprio indivíduo é o primeiro a se desvalorizar.

Quanto ao trabalho do artista prefiro não opinar!!! Já vem prejudicado pela infeliz alcunha. 

Translation:

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