Os olhos dos nossos mortos

 

Para o Poeta Agostinho Neto

 

Os olhos dos nossos mortos

Penetram nos meus sonhos

Como se meu sono,

Fosse uma janela aberta.

 

Sinto-os lendo minha mente

De noite,

E espanando as princesinhas,

Os faunos, anões, mistérios

Que brigam por povoar

Minhas fantasias ocidentais.

Eles atiçam meu ódio

Reacendem meu fogo,

Acordam-me a crença,

São profundos seus olhos.

 

São tantos os olhos dos nossos mortos,

Que não os conto,

São quantos?

Mortes de São Carlos,

Mortos de Soweto,

Mortos da Mangueira,

Alagados, Curuzú,

Moçambique, Angola.

 

São tantos nossos mortos

Que suas lembranças

Sacodem-me do medo,

Mostram-me que não devo.

Não posso,

Não tenho sequer o direito, de calar agora!

 

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