Pam Grier - Uma verdadeira estrela hollywoodiana

Entre os anos de 1970 e 1979 Hollywood produziu uma serie de filmes dirigidos especificamente a comunidade afro-americana dos grandes centros urbanos. Dos varios atores e atrizes desta epoca, uma teve um papel fundamental em protagonizar pela primeira vez na historia do cinema norte-americano uma heroina negra. Seu nome, Pam Grier. A senhora Grier fez parte daquilo que hoje e conhecido aqui nos EUA como o periodo do cinema "Blaxploitation". Ou seja, producoes de baixo custo orcamentario com atores desconhecidos do publico em geral, com o objetivo unico de criar herois negros urbanos. Para os diletantes brasileiros que nunca ouviram falar de seu nome, Pam Grier e a protagonista principal do filme "Jackie Brown" do diretor Quentin Tarantino, um fa incondicional dos filmes do periodo da Blaxploitation.
Esta sexagesima senhora esteve esta semana em Nova York, mais precisamente na livraria Barnes e Nobles no extremo sul da ilha de Manhattan, bem ao lado do lugar onde se encontravam as torres gemeas, para falar de seu livro de memorias, "Foxy - My life in three acts". Vestida impecavelmente num conjunto azul marinho, uma camisa branca, e usando pouca maquiagem, ela certamente aparentava bem menos do que os recentes completados 61 anos.
Nesta leitura a senhora Grier falou de tudo um pouco. Como foi o incio de sua carreira como atriz, afirmando que somente a partir do momento que comecou a fazer filmes protagonizando uma heroina negra e que passaram a usar o termo Blaxploitation. Ela falou tambem como foi crescer no Colorado, ao lado de sua mae irmaos e seu pai que era mecanico no Exercito. Por ser produto dos agitados anos 60, ela falou tambem como o racismo norte-americano estava sempre pronto a mostrar sua cara. E claro que o publico que lotou as dependencias da livraria estava esperando pelos detalhes de sua longa historia em Hollywood. Certamente a espera nao foi em vao. Ficamos sabendo de seu relacionamento com o grande comediante Richard Pryor que mal sabia ler, e que nao conseguia se apresentar ou atuar sem estar drogado. Ela nos contou tambem detalhes de seu namoro com o famoso jogador de basquete Kareem Abdul Jabbar do Los Angeles Lakers, e como ele tentou convence-la a tornar-se uma mulcumana. Foi hilario ouvi-la falando do seu primeiro encontrou o senhor Abdul Jabbar num clube em Los Angeles, ele dancando e usando um oculos escuros. Ao dizer a ele que era do Estado do Colorado, incredulo lhe pergunta: Ha negros no Colorado? No que ela prontamente responde: Tem sim, eu sou a prova.
Depois de mais de 2 horas ouvindo suas historias, e suas respostas as mutiplas perguntas da plateia, deixei a dependencia da livraria com um enorme sorriso. Primeiro, estava de posse de seu livro de memorias autografado. Segundo, passei a admirar ainda mais este icone do cinema norte-americano por causa de sua determinacao em nao se deixar abater pelo negativismo das pessoas com ideias preconceituosas sobre o lugar subalterno que ela deveria ocupar dentro da sociedade norte-americana.

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