Ativistas pedem a retratação do jornal CORREIO* sobre cobertura do caso Itamar Ferreira, em Salvador.

Familiares, jornalistas e ativistas de direitos humanos iniciaram uma campanha no último dia 17 de abril pedindo a retratação do veículo CORREIO* em relação ao caso Itamar Ferreira, assassinado no dia 15 do mesmo mês em Salvador. Confiram abaixo o pedido de assinatura da petição online:

Caros, por favor, assinem e repassem. A mídia sanguinária não está presente apenas na tv baiana, os jornais também tem feito sua parte, e esta petição pode conseguir ter pelo menos a dignidade de Itamar Ferreira respeitada. Aos que não sabem, ele era um jovem homossexual, assassinado na principal praça de Salvador, Campo Grande. A partir de então uma série de atos oportunistas se vincularam a tragédia, em especial na própria imprensa.  
Por Pedro Caribé, jornalista. 
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PEDIDO DE RETRATAÇÃO A COBERTURA HOMOFÓBICA DO JORNAL CORREIO*

Na manhã do dia 15 de abril (segunda-feira) de 2013, o Jornal Correio* estampou em sua capa uma manchete intitulada “Sexo Grupal atraiu aluno da UFBA para emboscada”. O título sintetizou o ápice da irresponsabilidade construída por uma série de reportagens publicadas por esse veículo após o homicídio praticado contra nosso amigo Itamar Ferreira no dia 13 de abril do mesmo ano.

Irresponsabilidade que teve como saldo a construção de um discurso que transformou a vítima em algoz, ofendendo sua honra e memória, e corroborando para que novos homossexuais sejam assassinados do País, e principalmente na Bahia.
Para nós, amigos da vítima, foi duro e dolorido ouvir nas ruas comentários que culpavam o nosso amigo. Como se já não bastasse o sofrimento de tê-lo perdido de uma maneira tão violenta!

O pior é que além de descontextualizadas, boa parte das informações publicadas pelo jornal sequer podem ser comprovadas, em partes, por serem retiradas de pessoas em condições de vulnerabilidade que também não tiveram minimamente seus direitos assegurados. Foram expostos às câmeras, microfones e gravadores para saciar a busca por notícias ancoradas na violação a dignidade humana. Não desejamos estancar o sangue de Itamar com o sangue de outras pessoas! Se há culpados, que sejam punidos dentro do âmbito legal.

Aí mistura-se a irresponsabilidade do jornal à irresponsabilidade do aparato policial, que por sua vez, além de abrir ilegalmente as carceragens, expôs a outra vítima que por sorte sobreviveu, e repassou informações inconclusas sobre o ocorrido, numa representação costumeira da aliança perniciosa e histórica entre imprensa e polícia no Brasil, que tem como alvo preferencial jovens negros como Itamar. Porém, os meios de comunicação também constroem a realidade e devem sim ser responsabilizados, inclusive, por não terem cumprido o papel de questionar a polícia.

No Brasil os mecanismos legais para ter a integridade do indivíduo minimamente retratada pela imprensa são parcos, por pressões corporativas. Por isso, já que os donos não desejam regulamentar o direito de resposta previsto na Constituição, apelamos inicialmente para o bom senso e solicitamos a retratação imediata na capa deste mesmo jornal sob manchete: “Itamar: mais uma vítima da homofobia”, seguida pela publicação de artigo redigido por amigos e familiares no corpo do impresso.

Não queremos a retratação por ser um estudante da Universidade Federal da Bahia. O fato de ser universitário não o torna superior a qualquer outro jovem homossexual. Queremos sim retratação ao íntegro Itamar, que não pode ser criminalizado por frequentar a praça mais importante da cidade, seja qual for o horário; muito menos por sua orientação sexual, seja qual for a circunstância. O direito de ir e vir, ou de expressar sua sexualidade, não podem ser desnaturalizados.

É, de fato, difícil traçar os interesses por detrás, já que não conseguimos imaginar o que motivaria profissionais que têm compromisso social e humano – ao menos é o que todos nós, estudantes de comunicação, aprendemos na sala de aula – transformar uma vítima em algoz, se baseando num preconceito do qual a grande maioria dos homossexuais são alvo.

Itamar está sendo colocado como culpado, já que estava, como vocês mesmo afirmaram – incluindo as aspas – “passeando” com um amigo. Sendo assim, o que vocês dizem à sociedade é que ele procurou pelo ocorrido, o que isenta toda a população da preocupação com a falta de segurança da cidade e poupa-lhes o trabalho de levantar uma discussão sobre o preconceito e, principalmente, a violência da qual os homossexuais são vítimas todos os dias.

Amigos de Itamar Ferreira, vítima da homofobia, da violência urbana e da mídia sensacionalista

http://www.avaaz.org/po/petition/PEDIDO_DE_RETRATACAO_A_COBERTURA_H...

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