PIAUÍ: TELA PRETA LANÇA FILME 'FILHA ÍNDIA' DENTRO DA SEXTA NAGÔ 'MAGIA, ENCANTO

Nesta sexta feira (30), a partir das 18 horas, o projeto de cinema negro Tela Preta lança, dentro da programação da Sexta Nagô, o documentário indiano “Filha da Índia', produção audiovisual que foi banida neste país e fala sobre casos de estupro coletivo

[No início do mês de outubro, o Projeto de Lei 5069/2013, que altera a forma do atendimento das vítimas de violência sexual, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Dentre as alterações propostas vale destacar a modificação na definição de violência sexual. Hoje, qualquer atividade sexual sem o consentimento da vítima é considerada uma violência sexual, porém, a alteração propõe que, para que a pessoa agredida seja considerada violentada sexualmente, será necessário marcas e danos físicos e/ou psicológicos comprovados. Ou seja, a vítima será novamente agredida ao ter que provar a violência sofrida. A vítima de estupro também não receberá tratamento preventivo contra gravidez e nem informações sobre seus direitos legais. Somado a tudo isso, caso uma equipe médica realize o aborto (no caso de uma gravidez decorrente do estupro), poderá ser condenada a até 3 anos de detenção.]Fanpage 'Eu quero que desenhe'.

É dentro deste contexto, e ainda com as feridas abertas decorrente do caso de estupro coletivo em Castelo do Piauí, que o Cine Tela Preta, junto à ONG Plan Brasil e a Taturana Mobilização Social, trazem à Teresina o filme Filha da Índia. O documentário, que foi banido na Índia, conta a história e as consequências de uma das mais brutais e chocantes violências sexuais cometidas na história do país - o caso da estudante de medicina, Jyoti Singh, de 23 anos de idade.

Jyoti foi brutalmente estuprada por cinco homens e um menino dentro de um ônibus que viajava pelas ruas de Nova Déli. Sua história foi notícia no mundo inteiro e causou uma onda de protestos sem precedentes na Índia e deu início a uma discussão sobre violência sexual e direitos das mulheres em diversos países. No decorrer do filme, é perceptível a semelhança desse caso com o recente caso de estupro em Castelo do Piauí. Com uma perspectiva classista, a produção resgata a história de vida desses homens estupradores e as condições de privação de liberdade que as mulheres vivem na Índia, não muito diferente da situação de muitas mulheres pelo mundo.

Para intensificar o debate, teremos representantes do Movimento Mulheres em Luta e a Especialista em Gênero, Viviana Santiago, da ONG Plan International Brasil, uma das organizadoras do filme. Segundo ela, "É necessário falar sobre esse assunto porque podemos posicionar quando tudo começou; é necessário falar da primeira vez, porque esse PRIMEIRO assédio nos alcançou quando ainda nem podíamos entender do que se tratava. O PRIMEIRO assédio traz consigo a idéia de mostrar a sociedade que a violência contra a mulher nos alcança em todas as etapas da nossa vida, é violência de Gênero e começa na infância” desabafa a também pedagoga que fará uma discussão sobre educação machista.

O Cine Tela Preta acontece todas as sextas feiras, a partir das 18 horas, dentro da programação da Sexta Nagô, e conta com uma programação audiovisual de temática negra. Esta Sexta, quando muitos estarão comemorando o Halloween, o Memorial Zumbi dos Palmares estará carregado de intervenções artísticas na sexta denominada ' Magia, Encanto Negro'.

O grupo afrocultural Afoxá e o grupo de dança afro Filhas D'água apresentarão a performance 'MARTELO'. Quem vai ficar responsável por dar continuidade a essa misticidade com muita musicalidade é a Banda Fábula, a partir das 21 horas. Também estará no terreiro do Memorial a Exposição [ MANGU, WANGA E INQUISIÇÃO], que vai retratar as mulheres piauienses consideradas bruxas durante a Inquisição, além de diferenciar o significado de alguns termos pras comunidades africanas. Mangu (Bruxaria), para elas, é algo psíquico, e Wanga (Feitiço), na verdade é o domínio dessas comunidades sobre as ervas, provando que diversos conceitos que usamos atualmente estão bastante distorcidos.

Além de todas essas atrações, ainda gastronomia afro com o melhor acarajé da cidade e artigos de vestuário e produção artísticas do Grupo Afoxá na lojinha do Memorial.

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