Poema dedicado á Melvin Tolson

 

Minha pele vestida de Africa anseia a liberdade.

A liberdade é como o sol, nasce nas manhãs de primeveras.

Sinto-me filho da liberdade e como o sol, desponto para o que desejo, sem medo.

A cada perda, fico mais forte, e, sendo mais forte, amo meus inimigos.

A opressão é como nuvens que castram do sol a luz que reflete o olhar.

Todavia, não dura para sempre sua tosca tentativa de parar o que é mais forte.

O amor é mais forte, pois torna os homens livres.

A liberdade é filha do amor e ambas são como sol que vence as nuvens.

 

minha pele negra se veste de África quando desejo o amor e o mundo.

A cor da minha pele põe em relevo a minha consciência,

Fujo de tudo que se chama escravidão,

Desde a opressão aos mais pobre á ditadura religiosa.

Odeio a tudo que em nome de Deus rouba os pobre,

Lesando os seus direitos, sua consciência e seus bens.

As senzalas de hoje possuem cruzes e altares,

As correntes são as teias da erudição feitas de discursos arrogantes,

Os ditadores de hoje são mercenários,

Alimentam as ovelhas para viverem da lã e da gordura,

Usam como azorrague os pergaminhos e em silêncio devora das ovelhas a carne.

Lobo vorazes com anéis, diplomas e uma doce ilusão.

 

A negra cor da minha pele quer liberdade.

Ela deseja estar livre dos novos capitães do mato: fantoche desalmados.

o meu grito se faz ouvir na noite que veste o sol de escruridão,

Da penumbra ouço a voz do Deus que habita a escuridão da dor.

Navios negreiros içam velas para norte,

Que sorte poderá recair sobre os cegos?

Como indagou o poeta:

 

Quem é o juiz?

O juiz é Deus? Respondeu um aprendiz

Por que é Deus? clamou a voz irrequieta.

Porque é ele quem decide quem perde ou quem vence e não o meu oponente.Afirmou.

Quem é seu oponente? interpelou o sagaz ensinador de justiça.

Ele não existe. Disse com sua alma livre.

Por que seu oponente não existe? porque ele é mera dissonância daquilo que eu digo. Sibilou.

Então diga a verdade.Conclui o poeta.

Hoje, me visto de Africa, poque me cubro de amor, liberdade e esperança,

Na negra cor da minha pele livre como o sol entre nuvens.

 

 

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