Primeiro fotógrafo brasileiro a registrar os ritos do candomblé no Brasil é tema de livro

O Olhar e a Palavra - Fotojornalismo de José Medeiros na Revista O Cruzeiro
Livro de Ranielle Leal

O lançamento do livro se dará no dia 24 de maio, a partir das 20 horas, na Casa da Cultura, localizada no centro de Teresina.

O livro O OLHAR E A PALAVRA, de Ranielle Leal, aborda a trajetória do fotógrafo piauiense José Medeiros e as grandes reportagens fotográficas realizadas por este na Revista O Cruzeiro, entre os anos de 1946 e 1960.

Grandes reportagens fotográficas acerca da diversidade cultural brasileira, assim como sobre problemas enfrentados por grupos étnicos, trouxeram a cara de um Brasil que não se conhecia até então. José Medeiros chegou à Cruzeiro em 1946 e permaneceu por lá até os primeiros anos da década de 1960.

Durante o período em que esteve atuante na revista realizou importantes reportagens fotográficas de repercussão internacional, como do ritual do Candomblé na Bahia, que inclusive originou o seu livro homônimo publicado em 1952. Tendo em vista a popularidade de O Cruzeiro na época, e o ineditismo do conteúdo, a matéria foi anunciada em Salvador por vários dias seguidos e pelos mais importantes veículos da imprensa local. No meio do Candomblé , a tensão se instalou. O fotógrafo considerado o "poeta da luz" por trabalhar a luz ambiente em seu favor e de modo a produzir uma estética única, acompanhou e registrou a vida brasileira desde a praia de Copacabana no Rio de Janeiro ao Xingu, na Amazonia


Seu trabalho traz uma contribuição importante não somente para o fotojornalismo brasileiro, área que o considera como pai, mas também para todo o processo de reconhecimento da diversidade nacional no século XX. O livro da jovem Ranielle Leal Moura, também piauiense como o Zé Medeiros, dedica-se a visibilizar uma importante produção da imprensa brasileira que merece ser conhecida pelas novas gerações.
QUEM FOI JOSÉ MEDEIROS:

José Araújo de Medeiros (1921-1990), ou simplesmente José Medeiros, como ficou conhecido, teve seus primeiros contatos com a fotografia em Teresina, sua cidade natal. Em 1939 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a colaborar para as revistas Tabu e Rio. Em 1946 o fotógrafo francês Jean Manzon, radicado no Brasil desde 1940, convidou-o a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, então um dos maiores sucessos do jornalismo brasileiro, e mais do que isso, um importante centro de inovação do fotojornalismo. Lá José Medeiros ficaria por 15 anos.
Em 1957 publicou Candomblé, primeiro livro de fotografias sobre essa religião no Brasil. 
Fotografou animais, tribos africanas no Kênia, pessoas comuns, sempre exaltando a beleza negra, casamentos em comunidades negras, terreiros de candomblé com rituais de yaôs (iniciação), mães de santo, indígenas.  Ganhou diversos prêmios, entre eles, o Troféu Coruja de Ouro, de melhor diretor de Fotografia, em 1976, com o filme " Xica da Silva".

*Texto de Carmen Kemoly, correspondente do Correio Nagô no Piauí, com informações do Agenda Cultural The.

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Comentário de Antonia Conceição Abbamonte em 24 maio 2012 às 15:25

Os brancos temem, por ignorância, a cultura mais tradicional Afro e tentam a todo custo tampar o “Sol com uma peneira”  deixaram as mazelas dos brancos quase destruir nosso planeta. Passei minha vida toda pensando que minha mãe e meus irmãos eram católicos (meu pai foi feito de bobo), hoje sei que meu pai e eu fomos enganado (a) para depois se favorecerem com isso, tudo por envolver grana, colocaram meus filhos contra a Casa dos Orixás que freqüento, destruindo a nossa força familiar, para administrarem como é melhor para eles, e armarem para eu e meus filhos não termos condições de brigar na justiça pelo nosso quinhão que temos direito; meu Babalorixá ficou indignado com tanta loucura e tantos “maus feitos” que temos sofrido, eu confio na justiça de Xangô, das Iyami Oxoronga (som de x, mas é um s com um pontinho embaixo) e de todos os Orixás que esperam que estas “mazelas” da curtura (cultura é cultura mas o que se acompanha pelos meios de comunicação, é curtura) dos brancos terminem o mais cedo possível para ser comemorada uma nova era (preventiva) com muito Axé. Antonia

Comentário de hilton sa em 23 maio 2012 às 19:24

Sou amante da arte da fotografia e acredito que os profissionais que as fazem merecem total respeito, porém na condição de representante do candomblé, não poderia deixar de demonstrar minha indignação.

             será que tudo que nos roubaram durante os 300 anos de escravidão no Brasil já não foi suficiente ou ainda precisamos abrir mão dos nossos elementos sagrados?

 Faz-se necessário compreender que a nossa religiosidade é que nos mantém fortes  e a sua preservação é o que nos uni.

Comentário de Maria Marise Karaí em 23 maio 2012 às 16:19
Se o Correio Nagô valoriza e se importa com seus seguidores, principalmente àqueles são do Candomblé sério e ético, retira do blog essa propaganda - de um livro que não nos acrescenta em nada.
LEIAM OS COMENTÁRIOS ABAIXO meu e de Denisia Martins

Se voces não tiverem esta sensibilidade, por favor excluam meu e-mail. Obrigada !
Comentário de Denísia Martins em 23 maio 2012 às 15:25

Gostaria muito de saber qual a contribuição de um livro como esse para as religiões de matriz africana. O autor, sacerdotes e sacerdotisas, que permitiram essa heresia deveriam fazer uma reflexão. Há coisas que pertencem ao universo dos iniciados e é lá o seu lugar, não nas mãos de quem usará tais imagens para nos prejudica. Espero que ninguém compre, pq quem precisa saber sobre isso terá seu momento adequado e quem não tiver esse momento é pq não precisa ter acesso a essas informações.

Comentário de Patrícia Bernardes em 23 maio 2012 às 13:57

Parabéns pelo texto Carmem apesar do Candomblé apresentar cada vez mais aspectos de folclorização pelos veículos de comunicação brasileros . Nossa matriz está cada vez mais "oprimida".

Comentário de Vanice da Mata em 23 maio 2012 às 13:13

Como se candomblé pudesse ser restrito a uma casa, a um único fazer... Reducionices brasileiras...

Comentário de Vanice da Mata em 23 maio 2012 às 13:10

É bem temeroso quando intuo que a técnica tende, neste caso, a prevalecer sobre a ética. Até hoje este trabalho publicado na revista O Cruzeiro determina a vida que o candomblé tem fora de seu próprio círculo religioso. Se é que posso falar do que temos em termos de subjetividade a respeito da religião como vida... Que o diga a força da intolerância religiosa.

Comentário de Maria Marise Karaí em 23 maio 2012 às 10:31
Comemorar o quê ?
A invasão oportunista de um Ritual que deve ser intimo e viceralmente pessoal – não porque seja feio ou demoniaco, mas porque tem todo um profundo simbolismo ? Comemorar o quê ? A exposição aos olhares preconceituamente debochado das outras religiões ?
Comemorar o quê ? Que precisou devassar a nossa intimidade religiosa para ganhar ou consolidar sua notoriedade ? Ele precisava realmente fazer isto ?
Será que essas fotos, tão fortes à luz dos ignorantes (no sentido literal de ignorar) foram acompanhadas pelo menos com a seriedade poética do momento?
Que a feitura simboliza um renascimento ? A camarinha simboliza o útero materno - e por isto deve ser resguardada do olhar profano ? E que a yaô é o bebê gestado neste útero e por isto, no rito de passagem é ungido como na foto da capa ?
O que nós e nossa religião ganhamos com isto ?
Será que ele era incapaz de capturar poesia apenas na parte que é oferecido nos barracões e nos espaços abertos dos terreiros ?
Nós negros e negras comemorarmos este tipo de exploração (quanto ele ganhou mundo a fora às nossas custas ?) me causa, no mínimo, perplexidade.

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