Que a bandeira de Sergipe se pinte de Afro-feminismo.

Em comemoração ao dia 25 de julho, data de reflexão internacional sobre a Mulher Negra Latina-americana e Caribenha, é que neste próximo sábado (28), às 16 horas, ocorrerá no bairro Lamarão na cidade de Aracaju a roda de debates sobre o papel da mulher negra no estado de Sergipe.

Fruto do I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em 25 de julho de 1992 na cidade de Santos Domingos, em República Dominicana, este encontro teve como principal objetivo a avaliação conjuntural do papel da mulher negra dentro das respectivas sociedades que tem como cerne sistêmico social o patriarcalismo europeu. Devido a esse fato, estas guerreiras negras são expostas à relação sexista e racial, seja em sua vida pública e até mesmo na esfera privada.

Contudo, o foco do 25 de julho é ampliar as práticas ofensivas contra este setor da sociedade e fazer com que diversos setores do estado passem a atender as demandas apresentadas pelas mulheres negras e, por conseguinte, que tais necessidades sejam assistidas por políticas públicas que possibilitem a emancipação delas. Além de fazer com que a sociedade em que essas mulheres estão inseridas não passem mais a naturalizar todo e qualquer tipo de opressão.

Apesar de o estado de Sergipe ocupar o oitavo lugar no que diz respeito a quantidade de população negra no Brasil, a região, devido a omissão histórica da contribuição negra na construção de sua cultura local sempre atribuiu aos (as) negros negras o papel secundário seus livros e documentos que fixam a história do menor estado do Brasil. O velho e conhecido processo de embranquecimento ocorrido em outros locais da nação tupiniquim.

Para Thaty Meneses, coordenadora da UNEGRO-SE, a mesma afirma que “esses debates, que já estão bem atrasados em Sergipe, comparando-se a outros estados, precisam acontecer para romper com barreiras que impedem a realização plena e a autonomia da mulher sergipana, em especial, a negra. Perdura no Estado de modo bastante velado, mas com grande força o “racismo estético”, um modelo de mulher tradicional sergipana (branca, de olhos claros e de bastante condições materiais), submissa a fortíssimos padrões europeus. Toda mulher sergipana, principalmente aquelas que nasceram aqui, podem sentir esse código subliminar, nas campanhas publicitárias ou em qualquer outro tipo de mídia, alega.

Com eixos bastante pertinentes, a roda de conversa que ocorrerá neste sábado, terá como temas; a relação mulher negra e mídia, correlação de força na vida privada e pública e beleza da negra.

Na militância independente do Movimento Negro, a estudante de Arte Lays Vanessa expõe, “acredito que apesar da baixa visibilidade, devido ao preconceito sofrido pela mulher negra latino-americana, é de suma importância suas insurgências na sociedade. Principalmente, em Sergipe já que temos um dos maiores contingentes de população negra do brasil. Mesmo com todo preconceito e opressão sofridos por essas mulheres, acredito que a importância da fomentação de uma sociedade mais matriarcal está completamente despojada na mão dessas mulheres que muitas vezes são os grandes arrimos e chefes de família”, ressalta.

Para além das questões aqui expostas, é importante frisar que o debate fomentado pelo coletivo local Afro Mulheres em companhia da UNEGRO-Se caracteriza-se como um trabalho que aos poucos poderá despertar a negritude da população negra sergipana, e, consequentemente fazer com que esse setor esquecido no estado de Sergipe possa ganhar visibilidade, mas também emancipar-se das mazelas sistêmicas. Parafraseando com Leila Gonçalez, militante feminista negra, “no momento em que o excluído assume a própria fala e se põe como sujeito, a reação de quem ouve só pode se dar nos níveis acima caracterizados. O modo mais sutilmente paternalista é exatamente aquele que atribui o caráter de "discurso emocional" à verdade contundente da denúncia presente na fala do
excluído”.

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