Quebradeiras de coco do Maranhão ganham etapa regional do Premio Finep.

A 15ª edição do premio FINEP (agência brasileira da inovação), etapa Nordeste, aconteceu no dia 15, em Fortaleza, Ceará e teve como grande vencedor da categoria  "tecnologia social" a Padaria Comunitária "Babaçu é vida" que tem seus produtos feitos à base de mesocarpo do babaçu.

O Premio FINEP, lançou pela primeira vez essa modalidade e cada vencedor regional fica classificado para a etapa nacional, ainda sem data marcada.

Nesta segunda-feira, dia 22, as mulheres da União Dos Clubes De Mães Do Município de Itapecuru-Mirim, localizado a 112 km da capital, comemoraram o titulo regional e o reconhecimento de mulheres que trabalham com novas tecnologias.

A tecnologia social desse grupo é uma ação conjunta de valorização da mulher trabalhadora rural, quebradeira de coco babaçu, através da exploração sustentável da cadeia produtiva do babaçu, por meio do desenvolvimento de produtos alimentares derivados do babaçu (o mesocarpo do babaçu – Orbignya Phalerata, Mart.). Utilizando os conhecimentos tradicionais sobre a quebra do coco e extração do mesocarpo e beneficiando e transformando em alimento para o consumo humano, o projeto tem gerando renda para as mulheres, trazendo independência financeira e melhorando a autoestima das mesmas, dentro da família e da sociedade.

O trabalho do grupo surgiu da necessidade de se adequar a realidade da mulher em si, para que ela conseguisse sair da condição de dependência dos maridos. A partir do que já conheciam que era o babaçu, despertaram para a cadeia produtiva, com a quebra do coco babaçu, passando pela retirada do óleo para uso domestico e para a fabricação de sabonete e principalmente o uso do mesocarpo como base para bolos, mingaus, sorvete e muitos outros produtos que são à frente da padaria comunitária.

Em 2005, 20 quebradeiras de coco desenvolveram um projeto junto a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), usando o mesocarpo em mingaus e bolos para a merenda escolar, hoje são 500 mulheres tecendo uma rede com novas descobertas do potencial do babaçu, desenhando tudo de acordo com a realidade do povo, da cultura para a melhoria de vida. Com o crescimento houve a necessidade de ter uma estrutura maior e mais moderna para produção em escala maior, através de um projeto foi implantado em 2008 a padaria, diversificando os produtos em bolos, biscoitos, pães, para a merenda escolar, com êxito essa expansão chegou a outras comunidades tanto na sede do município quanto nas comunidades rurais aumentando o volume e receita. Hoje fazem parte dos programas governamentais como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) municipal e estadual.

Maria Domingas, uma das coordenadoras da cadeia produtiva, fala que as mulheres trabalhadoras rurais quebradeiras de coco são muito discriminadas “a gente ao longo desses 10 anos de trabalho direto com as quebradoras de coco, hoje conseguimos que essas mulheres se vejam como cidadã. Isso é o fato mais importante, trazer essa mulher pra que ela reconheça o seu valor".

Mariana Nascimento, Assessora da Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidaria, ressalta a importância de um grupo de economia solidária do Maranhão ter ganho um prêmio em um estado que se prega que a pobreza impera. “Eles se esquecem de potencializar as riquezas do nosso estado, não são grandes projetos que irão mudar o Maranhão e sim os pequenos empreendimentos como a agricultura familiar que mantém 75% da alimentação da nossa mesa”.

 

Kadu Mendes, correspondente do Correio Nagô do Maranhão

 

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