Quem é Didier Drogba?

Por Dennis de Oliveira

Didier Drogba foi xingado pelo técnico Dunga, logo após a partida vencida pela seleção brasileira - o técnico brasileiro disse "Drogba de merda".

No início do jogo, foi pisado na mão de forma desleal pelo zagueiro Lúcio - desleal porque todos sabem que o jogador marfinense estava contundido na mão. Em todo o momento da partida tensa, tentou apaziguar os ânimos. No final da partida, foi cumprimentar os jogadores brasileiros. Declarou a imprensa que a seleção brasileira mereceu a vitória e que faltou futebol para o seu time.

Drogba foi um campeão da serenidade, infelizmente ofuscado pelo ufanismo nacionalista e postura preconceituosa e racista de parcela considerável da mídia brasileira que não admite enfrentamento aos jogadores brasileiros por parte de oponentes do terceiro mundo - daí a raiva expressa contra os times sul-americanos, principalmente a Argentina - e uma certa veneração aos europeus. Ouvi o comentarista Caio, da Globo, dizer que a "Itália não pode ficar de fora", logo após o vexaminoso empate do "campeão do mundo" com a poderosa Nova Zelândia em 1 a 1.

Mas porque Drogba teve este comportamento? Algumas informações:

- Didier Drogba lançou, junto com Koffi Anan, o Guia Alternativo da Copa do Mundo, em que analisa as diferenças sociais e econômicas dos países que disputam o mundial e apresenta propostas de como as relações podem ser mais equilibradas na política internacional (veja abaixo a apresentação em português) - para ter acesso ao guia, clique aqui.[1]
http://www.africaprogresspanel.org/worldcup/APP_World_Cup_2010_Guide_June_7_Final_OK.pdf

- Didier Droga, junto com o franco-argelino Zidane, embaixadores do Programa da Boa Vontade do PNUD/ONU, lançaram um spot de TV chamando todos para o combate a pobreza. Diz Drogba: "Não pode haver espectadores na luta contra a pobreza. Nós todos precisamos estar em campo para melhorar a vida de milhões de pessoas pobres no mundo".
Para ver o spot, clique aqui.[2]
http://www.didierdrogba.com/en/article.asp?info_id=5869

- Didier Drogba mantém uma série de projetos sociais de atendimento a crianças na Costa do Marfim e na África, participa de campanhas para erradicação da malária no continente africano. Veja no site oficial de Drogba, clicando aqui[3].
http://www.didierdrogba.com/en/index.asp

Enquanto isto, Kaká, o jogador que se colocou como vítima do último jogo e vem sendo tratado como tal pela mídia brasileira, prefere ajudar uma organização criminosa que se traveste de religião e cujos líderes foram presos nos Estados Unidos.

Saudades do Pelé que, pelo menos, dedicou seu milésimo gol às crianças pobres do Brasil. Parece pouco, mas muito mais sensibilidade social que o atual camisa dez da seleção tinha. Sem contar que muito - mas MUITO - mais futebol.

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ÍNTEGRA DA APRESENTAÇÃO ASSINADA POR DROGBA E KOFFI ANNAN DO GUIA ALTERNATIVO DA COPA DO MUNDO

"Bilhões de pessoas estão animadas com a Copa do Mundo. Assim também nós - e não apenas porque os nossos dois países estão disputando com força este torneio. Os jogos são uma vasta tapeçaria de cores, ruídos, talento, a competitividade e o suspense desportivos, e o drama humano, dentro e fora do campo. Acima de tudo, eles são torcedores.
Vai ser divertido - para as equipes e espectadores do mundo inteiro, assistir ou ouvir ao vivo, a partir de cafés, bares, salas, telas e rádios públicas, no centro e nos cantos mais remotos da terra.
A Copa do Mundo unifica o planeta de forma mais eficaz do que qualquer tratado ou convenção. Ela afirma nossa humanidade comum, num momento em que as notícias parecem mostrar o oposto. Por um momento, podemos colocar de lado, as catástrofes e as guerras, o preconceito e a intolerância. O esporte, como a música, derruba barreiras, questionando os estereótipos. Deixa-nos dançando e celebrando.
A diversidade de equipes, e os países que eles representam, é o que faz da Copa do Mundo um evento tão grande. As muitas diferenças entre eles pouco importa uma vez que o jogo iniciado. Mas enquanto cada equipe representa as aspirações de milhões de seus concidadãos, cada um enfrentou caminhos diferentes para chegar lá.
O objetivo deste guia é para ilustrar um aspecto destas jornadas - as circunstâncias extremamente diferentes das equipes africanas e dos países que as irão enfrentar - em termos de seu desenvolvimento e das relações entre as nações. Como mostra este guia, alguns países são relativamente ricos, outros pobres. Eles enfrentam desafios comuns, e lutam contra problemas comuns que unem ambos, mas os dividem.
Temos visto uma e outra vez como o esporte pode ajudar a superar os conflitos mais profundamente enraizados e tensões dentro dos países. Aqui na África do Sul, o Rugby World Cup 1995 ajudou a unificar o país e curar as cicatrizes profundas do passado. Nosso sonho é que o desporto pode ajudar a preencher as lacunas e superar as diferenças entre nações e mesmo continentes.
O fato é que muitos países africanos e os países em desenvolvimento ainda estão em grande desvantagem. Eles não são considerados aptos a competir internacionalmente em condições de igualdade, com um árbitro imparcial e um conjunto claro de regras e regulamentos acordados. Longe disso, na verdade, eles estão sendo penalizados. O que seria um escândalo no mundo do futebol ainda é comum na sociedade das nações.
Estes países não são responsáveis pelas alterações climáticas, mas estão sofrendo seus piores efeitos, tornando a vida muito mais difícil, insalubre e perigosa para milhões de pessoas. As regras globais de comércio, tecnologia, finanças, migração e os direitos autorais tornam os planos de crescimento das suas economias e de luta contra a pobreza, de certificar-se que todos tenham o suficiente para comer e um atendimento decente de saúde muito mais difícil. Como resultado de regras abusivas, as metas do Plano de Desenvolvimento do Milênio é uma busca muito mais difícil que deveria ser. Jogadores e torcedores, seja de Midrand, Manila, Manchester ou Montevideo, todos compreendem a importância do fair play e de um árbitro imparcial. Nós acreditamos fervorosamente que este entendimento não deve ser limitado para os países na forma de jogar, correr e marcar gols uns contra os outros, mas também a maneira como fazem negócios e política uns com os outros, que o espírito da Copa do Mundo deve se estender nas relações políticas e econômicas entre os países,que a celebração de nossa humanidade comum não deve ser limitada a um mês a cada quatro anos.
Neste espírito, nós esperamos que este guia irá, de forma modesta, alertá-lo para uma outra dimensão da Copa do Mundo, e talvez torná-lo mais fácil para canalizar a boa vontade que ela representa para construir um mundo mais justo."

Links:
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[1]
http://www.africaprogresspanel.org/worldcup/APP_World_Cup_2010_Guide_June_7_Final_OK.pdf

[2]
http://www.didierdrogba.com/en/article.asp?info_id=5869
[3]
http://www.didierdrogba.com/en/index.asp

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Comentário de André Luís Santana em 27 junho 2010 às 1:23
Muito bom saber essas informações. Ao contrário de Drogba, nossos jogadores estão cada vez mais comprometidos apenas com as fortunas que recebem das propagandas que fazem às nossas custas. São desenas de vts a cada intervalo, com Dunga, Robinho, Kaká (argh!) e cia. Vamos socializar esse texto, enviem para suas listas. Valeu, Bianca.
Comentário de Rogério Santos em 26 junho 2010 às 23:31
Muito bom! Seria ótimo que os jogadores brasileiros também se engajassem em uma campanha como essa. Parabéns a Drogba.
Comentário de smma em 25 junho 2010 às 6:04
A copa do mundo ganhou outro sentido pra mim. Que bonitas essas ações. Nossos jogadores deveriam saber disso. Todos deveríamos....

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