Quem guiou a cabra cega, por George Oliveira

 

No nosso primeiro papo sobre as relações interraciais no Brasil: “As brancas são para casar” (link 1) o título provocativo e alguns elementos do texto foram responsáveis por um certo alvoroço nas redes sociais. Estamos perto de atingir a marca de cinco mil acessos e oitenta comentários na rede social do Correio Nagô e neste texto, estava pactuado o compromisso de escrever, pelo menos, mais cinco vezes sobre o tema. Antes disso, procede uma análise sobre uma recente notícia dos telejornais: Uma mulher branca de 44 anos acusa de estupro quatro jogadores de um time de futebol baiano. A vítima e os acusados estavam hospedados no mesmo hotel em Curitiba-PR.

Sim, mais uma vez os jogadores de futebol. Antes que vocês me perguntem parto na defensiva e já respondo antecipadamente.  Aliado à esse debate temos o machismo, o racismo e o sensacionalismo midiático dialogando e moldando comportamentos e atitudes. Segundo o Jornal A Tarde (link 2): Conforme a versão da suposta vítima, ela estava em uma boate com uma amiga, que seria namorada de um dos jogadores do time baiano. (...) Depois, ela subiu para um quarto do hotel com quatro jogadores

Em outra matéria do mesmo jornal (link 3): “Uma amiga da mulher que acusa quatro jogadores do Vitória de estupro disse, em depoimento à Polícia Civil de Curitiba, que não houve violência sexual contra a suposta vítima”. Revelação que divide opiniões. Enquanto não temos o resultado das investigações, as questões de gênero e raciais vêm à tona no debate sobre o caso.

Para diversificar as opiniões e alimentar o debate, uma vez que temos elementos suficientes para uma breve análise, fiz o seguinte questionamento em minha página numa famosa rede social: “A amiga diz que não foi estupro e que a possível vítima só quer ‘aparecer’. Digamos que isso seja realmente a intenção dela. Podemos afirmar que trata-se de mais um caso de racismo e os jogadores (dos quatro deve ter ao menos três negros - maioria) passam a ser as vítimas?”.

A Jornalista Maíra Azevedo respondeu que: “Acho que temos que ter bastante cuidado. Acho q nesse caso todos são vítimas. Vítimas do despreparo. Existe hoje a cultura da permissividade e da ostentação. Talvez a mulher tenha ido até o quarto dos caras justamente para ficar perto de jogadores de futebol, símbolos de sucesso. (...). Não defendo. Sou mulher preta e sei como o machismo e o racismo funcionam. Os dois matam...não defendo, nem culpo nenhum dos envolvidos. Mas, acho que a justiça deve ser feita.”

Trechos de outro depoimento mostram a opinião do economista Nilton Luz: “...acho que a raça é uma categoria importante que não deve ser usada para contestar outra categoria, o gênero. não esqueça que as mulheres negras são as principais vítimas de todas as chagas do machismo. (...) por enquanto, temos vários homens, um empresa (o clube), toda uma máfia do esporte (incluindo financiadores e imprensa) contra uma mulher. As relações de poder estão, portanto, nítidas!”

Por fim, para finalizar esse texto e não o debate, temos o depoimento do escritor Guellwoar Adún, de onde tirei um trecho da musica (link 4) e foi utilizada como título: “...é necessário haver comprovação, né? Do contrário repetiríamos o que os brancos tradicionalmente faziam no período do escravismo e ainda fazem, quando queriam justificar seus desejos por sangue, bastava acusar de estuprador e bang... segue uma música do Matheus Aleluia sobre um caso defendido durante o escravismo de um suposto caso de estupro envolvendo uma mulher branca e um homem negro.”

Alguns desses pensamentos já haviam sido abordados quando mencionei o passaporte branco no texto anterior sobre esse assunto. Há também uma estereotipação do homem (e da mulher) negro/a. Eles podem ter partido em busca do tal passaporte e ela em busca da satisfação de um desejo ao estar ao lado de homens negros para satisfação de um desejo e um certo status.

Em meio às duvidas, uma vez que o caso ainda está sendo investigado, o que nos resta é aguardar novas informações. Cabe-nos tomar os devidos cuidados e evitar que histórias como essa se repitam. Que a justiça seja feita. 

Link 1: http://correionago.ning.com/profiles/blogs/as-brancas-s-o-para-casa...

Link 2: http://atarde.uol.com.br/esportes/vitoria/materias/1537306-jogadore...

Link 3: http://atarde.uol.com.br/materias/1537364

Link 4: http://www.youtube.com/watch?v=-VmgdrwoA2k

Link 5: http://www.lancenet.com.br/minuto/Exames-comprovam-relacoes-atletas...

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George Oliveira

Economista

Militante do Movimento Negro

Mestrando do CIAGS/UFBA

grbo2003@yahoo.com.br

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