Quinta de Carnaval: o Samba começou tarde, mas não teve hora para acabar

 

A Quinta do Samba na Avenida, mais uma vez, reuniu uma multidão no Campo Grande atraída pelos clássicos do gênero.

Texto e fotos: André Santana (www.carnaval.ba.gov.br)

 

 

Já disseram que o samba bom é feito no sereno. Deve ser por isso que o desfile dos blocos da Quinta-feira do Samba na Avenida começou tão tarde. No primeiro dia de Carnaval no Circuito Osmar (Campo Grande), os amantes do gênero musical mais popular do Brasil tiveram que ter paciência para iniciar a festa. Uma multidão foi arrastada, até o dia amanhecer, pelos blocos que integram o Carnaval Ouro Negro, programa de fomento da Secretaria de Cultura do Estado/SecultBA, voltado para as entidades de matriz africana.

Já passava da meia-noite quando o Bloco da Capoeira, o primeiro a desfilar na passarela do Campo Grande, trouxe suas cores, em alas repletas de dançarinos e capoeiristas. Sob o comando do cantor Tonho Matéria, o bloco animou os foliões com o samba reggae. Entre os destaques, a cabeleireira, Negra Jhô, uma das figuras mais marcantes do Centro Histórico de Salvador, chamava atenção com sua fantasia branca, inspirada em Oxalá. “É para pedir paz ao Carnaval e ao mundo”, explicou a empreendedora da estética afro.

A beleza das mulheres enfeitou a noite de Carnaval do circuito mais tradicional. Na pipoca, como foliões dos blocos ou em cima do trio, elas esbanjaram charme e criativa nas vestimentas. Animando o bloco Alerta Geral, Mariene de Castro trouxe a alegria contagiante do samba de roda do Recôncavo, tema do bloco que completou em 2011, 16 carnavais. Em cima do trio, além de Mariene, o Grupo baiano Fora da Mídia e os cariocas do Fundo de Quintal, com três décadas de samba. Os integrantes do Alerta colocavam o chapéu panamá branco para cima e cantavam em coro os sambas tradicionais, seja da Bahia ou do Rio de Janeiro.

Bahia e Rio de Janeiro - A diferença na batida dos dois estados que mais divulgam o samba ficou nítido na performance de outras duas mulheres. A cantora Juliana Ribeiro, que puxou o bloco Amor e Paixão, trouxe sambas de letras simples, compasso mais acelerado e ritmo envolvente. Já a carioca Fabrícia Amaral, vocalista da banda Movimento, preferiu os hits românticos, feitos para ser cantada para alguém. O bloco do compositor Nelson Rufino fez bonito na avenida, apesar da hora avançada. “O bloco é ótimo, mas a espera é que cansa. Chegamos às 22h30 e estamos saindo agora”, reclama a secretária Letícia Figueiredo, 51, mostrando o relógio que marcava quase 2h da manhã de sexta-feira. Ainda teve o grupo Revelação, do Rio de Janeiro, puxando o bloco Proibido Proibir e o bloco afro Bankoma, de Lauro de Freitas, com o tema Muxima Ua Uemba, homenageando as mulheres guerreiras “que lutam sem perder a vaidade”, como explicou a dançarina do bloco, Jessica Catarina, de apenas 16 anos, há dez como foliã do Bankoma.

 

É o Tchan - A maior expectativa da noite estava no desfile do bloco Pagode Total que marcou o retorno da dupla, Beto Jamaica e Compadre Washington, ao grupo É O Tchan. Os fãs que sentiam saudade da dupla esperavam com ansiedade a apresentação do grupo. Foi o caso dos amigos Márcio Rocha, 22, e Rafael de Jesus, 28, que vieram do bairro de Dom Avelar para prestigiar o retorno dos cantores. “Eles são demais, só vim aqui para curtir as músicas do É o Tchan que adoro”, afirmou o motorista Rafael. Já Márcio, que trabalha na construção civil, disse gostar de samba em geral e das várias bandas que passaram na quinta-feira, mas reclamou. “Eu prefiro esse circuito do Campo Grande, mas precisa melhor a organização. Os blocos passam muito tarde”.

O desejo pelo início da festa era tanta que bastou os primeiros acordes da banda É o Tchan, ainda em frente à antiga Morada dos Cardeais, na entrada do Corredor da Vitória, para que todos caíssem no samba. Em rodas improvisadas ou executando as coreografias solicitadas pela música (como o ‘amarra o tchan’ ou o ‘passa por debaixo da cordinha’), o público que lotou o Campo Grande nesta quinta-feira matou a saudade dos velhos do tempo da dupla, quando a banda ainda se chamava Gerasamba e popularizou sambas de roda como os do refrão “Mataram Rita, Rita morreu foi na bica”.

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