REFLEXÃO DE UM ABIÃ - Ao menos a Duvida de Élder Vieira é Democrática. ” Eleições 2010, em quem confiar?”

Ao menos a Duvida de Élder Vieira é Democrática. ” Eleições 2010, em quem confiar?”

Pensando no artigo do Elder Vieira, realmente suas indagações são um dilema. No decorrer da nossa história vivemos nos deparando com essas questões, como nossos organismos sociais, servem de fato a população. As indignações que menciona, partilho-as. Assustam-me mais quando ocorrem em sistemas menores ao nosso alcance, quando olhamos ao Macro sistema, com suas diversidades geográficas, de povos, culturas, de capital e etc. Um amontoado de complexidades e meandros que nos perdemos, na quantidade de forças atuantes e pelegas que imperam em nosso congresso. Mas o micro organismo, que revelam o que acontece em dimensões gigantescas ocorrem as nossas barbas por pessoas do nosso convívio. Sou chamado por organizações menores para formatação de projetos de cunho social, e vejo que muitas vezes se quer sabem como querem atuar, mas já tem brigas pelo poder interno, onde muitas vezes, me hostilizam por acharem ser uma ameaça a cúpula em exercício.

Nos anos 60 e 70 no auge da resistência, nos círculos intelectuais, discutia-se deviam empenhar-se por uma revolução da classe média (diga-se de passagem, quando se envolvem em causas sociais conseguem no mínimo mais representatividade) ou uma revolução operaria de fato. A pergunta era esse povo quer de fato, a tão sonhada democracia ou se seu sonho é serem burgueses? . Acho que o âmago da nossa questão esta ai. Vem à memória uma cena do filme Terra em Transe de Glauber Rocha , quando uma personagem interpretada por Jardel Filho, o jornalista e poeta Paulo pega o homem do povo, e quase aos delírios, falando diretamente para a câmera diz, - vocês querem ouvir a voz do povo – direciona o foco para homem do povo – fala povo! E o homem assustado se mantém no ensurdecedor silencio.

Vejo essa cena antológica, e que nada mudou, mesmo com a anistia ampla geral e irrestrita, do inicio dos anos 80, e ressurgimentos de frentes populares, até mesmo o nascimento do PT, como um partido ícone dessas lutas, tendo como base as manifestações dos operários nas greves do ABC paulista que abalaram de fato todas as forças. Esse alento mudou a cara do país. E conseguimos a tão sonhada Democracia, sonho esses de seguimentos muito específicos, e humanitários, porque nas feiras publicas, e reuniões familiares eram comuns quem defendesse a Ditadura Militar, e quantos declarados filhotes dessa ditadura ainda se elegem décadas depois.

Passamos 30 anos dessa mudança social, e vemos ainda não sabemos o que fazer com esse campo irrestrito que é a democracia?Ela nos mostrou que na sua amplidão de possibilidades, como Elder Vieira citou no seu artigo, caminhos para outras ditaduras que empacam a ação de fato democrática. Olhamos para os organismos democráticos menores, sindicatos, as organizações de bairros e associações de tudo quanto é tipo. São poucas as que de fato se preocupam com temas de responsabilidade social, inclusão e representação da comunidade junto ao poder publico. Na maioria são diretorias criando mecanismos para interesses próprios. Quantas ONGs não são criadas, e outras tantas investigadas, por serem mecanismos para colocarem as mãos na grana, seja de que origem for. O desejo de serem burgueses e de formas escusas continuam.

Essas pseudo-s organização vêem nas suas formas de lutar, aliar-se a candidatos, que profetizam ser o representante legítimo da comunidade em troca de seus votos, na maioria são esses que o amigo citou com repudio. Esses presidentes acabam sendo porta voz da falsa ilusão, e colocando no banco das assembléias esses sujeitos, que retornam as bases as vésperas da reeleição do próximo mandato. Lembro de uma vez encontrar uma desses paladinos comunitários, esse com o discurso afiado, detalhem uns são amestrados como mandam a cartilha, e parte da premissa que o povo é alienado, portanto meia dúzia de chavões é o suficiente para inibir o interlocutor. Retomando essa simpática liderança, veio me apresentar seu candidato, com seu folheto, (corpo a corpo) é trabalho das bases, depois de proliferar os versículos de seu magazine partidário com arrogância de sua “consciência política”. Causou-me certo asco, que precisei parar o discurso com uma pergunta: Sabe qual a diferença de sua atuação política e a minha? A minha desenvolvo ações de inclusão social, através de oficinas olhando nos olhos do participante, e buscando que ele reconheça em si seus valores. E você não passa de um cabo eleitoral, que faz do caixote de madeira da sua realidade, um pedestal para sua soberba.

Hoje vemos o segundo setor organizado, em questões de responsabilidade social, claro que movidos por motivos na maioria das vezes mercantis, mas o fato é que atuam nessas questões de forma mais profissional, e o que esta fazendo a diferença no país hoje. É esses empreendedores com a bandeira do comprometimento social, e o terceiro setor, os sérios, existem muitos que são. Vendo isso e a duvida do Elder que sabiamente a dividiu conosco, porque intui ser de milhões de brasileiros. Chegou a hora de fazermos um balanço de valores, dentro mesmo de nossas famílias, de nossos círculos, grupos, do que vemos como justiça social, e um senso de fato de comunidade, para iniciarmos não um macro revolução nesses valores, mas sim uma revolução molecular, com a atuação dirigida a melhor qualidade de vida de todos. Mudemos nossas células, para que assim, a ganância pelos privilégios do poder, não seja mais o objetivo de quem colocamos lá e sim ser um braço dessas forças. Portanto que nossas associações de mulheres, artistas, etnias, terceiro setor, fazendo sua parte, e criamos nossa revolução molecular.

Sérgio Cumino

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Comentário de GLÓRIA TAVARES em 11 março 2010 às 14:08
Vc é muito!

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