A escravidão no Brazill deixou como legado, toda a riqueza que foi produzida pelos negros sequestrados, como herança exclusiva  dos brancos e seus descendentes; para os negros, o que restou foi a continuação da servidão a esses eurodescendentes, já que nem essa riqueza produzida e nem os meios de sua produção tenha sido aventado em algum momento, como objeto da REPARAÇÃO.

 

A herança da escravidão, para os brancos, além de ter sido material, física e psicológica, foi também simbólica. O trabalho do negro nunca teve nenhuma forma de retorno; como hoje ainda o é; o negro construiu o Brazill para o branco, encontrando-se esse negro, até os dias de hoje, exilado no próprio país que ele construiu.

 

Para perpetuar esse estado de exceção, o branco criou a instituto do racismo, que criou e mantém, com requinte de perversidade, as desigualdades sociais, de forma bem naturalizada, a ponto do próprio crime do racismo se confundir com os de preconceito de classe, fazendo com que todos os “esforços” de equidade sejam direcionados meticulosamente para as questões sociais.

 

As leis criadas para o combate ao racismo, são extremamente patéticas e descaradas, sendo os efeitos das mesmas revertido em benefícios aos eurodescendentes, de forma descarada e arrogante; como as leis de cota, por exemplo. Sem citar as leis como a do ventre-livre1, do sexsagenário2lei áurea3 e afins. A alienação a respeito do funcionamento das mesmas, fazem com que os afro-brasileiros tenham a falsa sensação de que estão sendo beneficiados, e isso os acalmam e os mantém passivamento na servidão, como escravos-de-ganho4. Hoje, tais como essas leis para inglês ver, temos as leis de cotas e a lei 10.639, além das famigeradas ações afirmativas.

 

A Organização das Nações Unidas – ONU, em sua declaração Universal dos Diretos Humanos, determinou que os crimes contra a humanidade são imprescritíveis e estabelece a obrigação da REPARAÇÃO pelo ente causador. A Conferência de Durbam, em 2001, contra o racismo, xenofobia, discriminação racial e afins, realizada na África do Sul, reconheceu como crime o tráfico transatlântico de seres humanos da África para as Américas, configurando-os como crime contra a humanidade, e como tal, imprescritíveis e sujeitos a reparação.

 

Apontamos, como responsáveis por esse crime, o Estado, que é permanente; a igreja, que promoveu e manteve, assim como o Estado, o tráfico negreiro, que negou o direito a equidade aos ex-escravizados, uma vez que esse Estado indenizou os senhores escravocratas e subsidiou a vinda dos europeus para o Brasil afim de ocupar as vagas de empregos existentes, deixando milhares de negros ao desamparo; no afã de que a nação brasileira fosse totalmente branca, iniciando-se assim, o holocausto do povo negro que continua até os dias de hoje.

 

Constatado que toda a riqueza nacional tem origem na exploração da escravização dos negros africanos, no genocídio do Povo Negro e do Povo indígena, e a recusa dos beneficiados com essa riqueza em falar sobre REPARAÇÃO, por medo de perder seus privilégios, adquiridos com o suor e o sangue de nossos antepassados. o que somente nos resta nesse momento, é exigir, por todos os meios necessários, a REPARAÇÃO.

 

1 Reza tal lei que as crianças nascidas no cativeiro ficariam em liberdade, mas o governo não tendo como tutelar o grande número de crianças negra, foi decretado, nesta mesma lei, que as crianças ficariam sobre a tutela dos senhores escravocratas até completar 21 anos de idade; sendo que a partir dos oito anos ele era obrigado a trabalhar como escravo, servindo a esse senhor, que, além de ganhar do governo, tinha mais escravos e recebia por eles.

2 O escravo durava de seis a oito anos no trabalho forçado; sua média de vida era de 28 anos, com sorte, 30 anos. Era raro chegar aos sessenta, só os mais fortes conseguiam.

3 A lei áurea, teve a função única de inocentar os senhores escravocratas de seus crimes.

4 Os escravos-de-ganho eram aqueles que, em vez do canavial, iam trabalhar vendendo nas ruas da cidade, e ao final do dia, todo o dinheiro era dado nas mãos do patrão, exatamente é como hoje em dia; toda a riqueza do patrão é produzida pelo trabalhador.

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