Saiu na Folha de SP: DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu

Fonte: Folha de São Paulo

Estudo diz que cerca de 70% da herança genética nacional vem da Europa

Variação de região para região do país é baixa; cor da pele tem elo com poucos genes e, por isso, é parâmetro enganoso

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA 

No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são "africanos". Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz "preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA.
O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme.
"A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava", disse Pena à Folha.
De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.

QUASE MIL
Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul).
Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.
Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de "inserção e deleção"). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA.
Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população -alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.
Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do branqueamento -defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com forte conteúdo racista- acabou dando certo, diz Pena.
Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da pessoa.
Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito visível. O trabalho está na revista "PLoS One".

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Comentário de Vanice da Mata em 25 fevereiro 2011 às 21:46
Ratifico as palavras de Paulo Rogério! E que pesquisa mais supreendente, não acharam? Bem quando a gente tem avançado, a passos curtos (ao meu ver), em vários aspectos rumo à conquista da igualdade racial, o que deve ser mais do que suficiente para fazer ferver os cérebros ninarodriguemonteirolobatianos.
Comentário de Jesiel em 21 fevereiro 2011 às 14:32
Se condiderarmos que todos os estudos demográficos mostram que, desde o século XVIII, pelo menos metade da população do Brasil é formada por negros, os resultados obtidos pelo prof. Pena só confirmam a extrema crueldade do escravagismo brasileiro, que privava o homem africano até do direito a ter descendentes, ou inviabilizava a possibilidade de que esses homens tivessem filhos masculinos capazes de chegar à idade reprodutiva. Pois é a essa terrível conclusão que uma leitura histórico-populacional desses dados genéticos conduz. Não tenho visto, entretanto, esse fato sendo comentado...
Comentário de Luiz Souza em 21 fevereiro 2011 às 1:11
o fato é que todos sabemos quem são negros no Brasil, e a genética não explica por que os negros brasileiros não aparecem em comerciais de tv, ou possuem cargos e salários mais altos nas empresas...
Comentário de Paulo Rogério em 20 fevereiro 2011 às 21:35

O problema é que esqueceram de miscigenar nosso bolso, até agora nenhum descendente de europeu apareceu em minha casa oferecendo passaporte da União Européia e herança..rsrss

É verdade que raças não existem, também é verdade que geneticamente um alemão de Frankfurt e um negro do Curuzu podem ser bastante semelhantes, porém, infelizmente raça ainda é uma categoria social muito importante no mundo real. Todos sabem muito bem que são os/as negros/as: a polícia,  o empregador, o juiz, as portas dos bancos..

 

Muito bom você trazer esse texto para o Correio Nagô, Sueide. E vocês  o que acham?

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