Salvador: Carnaval 2012 marca o retorno do cantor Lazinho ao Olodum

Foto: Almir Conceição dos Santos

Texto: Ivana Dorali www.cultura.ba.gov.br 

A Rua Chile ficou pequena pra tanta gente. Três mil associados e dezenas de milhares foliões ‘pipoca’ acompanhando o bloco Olodum, em sua passagem pelo circuito Batatinha. Foi este cenário que marcou o retorno do cantor Lazinho, que estava fora do cenário musical há 10 anos. “Estou muito feliz de voltar pra casa. É como se tivessem me devolvido um órgão”, disse emocionado. Nadjane Souza recebeu o companheiro de palco com alegria. “Lazinho tem uma simpatia que envolve o público. É muito bom ter ele aqui com a gente”. Esse vigor chegou pra somar, já que o tema deste ano é “O Vale dos Reis – As sete portas da energia”.

A trançadeira Negra Jhô, destaque do bloco há 9 anos, bailava em cima do trio. A banda marcava o compasso forte do samba reggae e baianos e turistas, animados, seguiam a batida. Alguns fizeram questão de expressar o carinho pelo bloco com estilo. O verde, o amarelo, o vermelho e o preto – combinação de cores do Olodum – estavam nas tranças, nos torços e nos adereços usados por homens de mulheres.

Esta beleza se fez presenta a noite inteira nos desfiles dos blocos desta sexta-feira no circuito Batatinha. O bloco afro Relíquias Africanas abriu o caminho com a ala de dança representando a “Liberdade dos Orixás”. A entidade carnavalesca nasceu no terreiro Ilê Axé Tomologi, no bairro de Cajazeiras IV. Os integrantes são alunos do projeto sócio-educacional realizado na comunidade.

O Rei do bloco Mutuê mostrou porque carrega a coroa pelo 3º ano consecutivo. O cargo é oferecido ao melhor bailarino do curso de dança afro do protejo realizado na comunidade do Engenho Velho de Brotas. “A minha responsabilidade vai além de representar o bloco, é uma forma de valorização da cultura negra”, disse orgulhoso.

A roda de capoeira esteve presente durante o desfile do Arca de Olorum. A entidade fez uma homenagem aos “Capitães da Areia”, obra de Jorge Amado que no ano passado chegou ao cinema, por meio de uma adaptação da neta do escritor, Cecília Amado. Os atores que compõem o filme são do Subúrbio Ferroviário de Salvador, mesma região onde surgiu o bloco há 28 anos.

Folia sem parar – Por volta das três da madrugada o bloco Os Negões, após desfilar pelas Avenidas Carlos Gomes e Sete de Setembro, retornava à Rua Chile com todo o gás. Os associados, entusiasmados, faziam coreografias e a banda tocava a todo vapor. A cozinheira, Maria José, uma das mais animadas, contou o motivo de tanta empolgação. “Foi um circuito tranquilo, sem brigas e isso traz uma energia muito boa”.

Estas entidades integram o Carnaval Ouro Negro, programa de apoio ao desfile de blocos de matriz africana, criado em 2009, pela Secretaria de Cultura da Bahia. Em 2012, o programa contempla 126 entidades, entre afoxés, blocos afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão, com um investimento de R$5,305 milhões.

Confira as imagens dos desfiles no circuito Batatinha, acesse

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