Salvador: Ilê Aiyê pede paz no carnaval e põe o bloco na rua

Ritual de saída do Ilê Aiyê Foto: Shirley Stolze

Texto de Camilla França www.cultura.ba.gov.br 

As pombas brancas voaram, os tambores ruflaram e o cortejo negro subiu a Ladeira do Curuzu para invadir as ruas do bairro da Liberdade. Este ritual acontece há 38 anos, no sábado de carnaval, para pedir uma festa de paz e representa a resistência cantada e dançada em todos os versos das músicas do bloco afro Ilê Aiyê. Antes de iniciar a parte profana, o Ilê realizou passo a passo de sua tradicional saída, com o ritual religioso.

Os tambores romperam o silêncio e saudaram a Mãe Hildelice Benta, yalorixá do Terreiro Ilê Axé Jitolu, o presidente do bloco, Antônio Carlos Vovô, a nova rainha do Ilê, Edjane Santos e todos os políticos e autoridades presentes. Em seguida, foram jogados milho branco, pedindo boas energias e limpando os caminhos, e ao fundo, a bateria da banda Aiyê, juntamente com os conhecidos clarins orquestravam o momento. Apesar de tão tradicional, a saída este ano causou uma ansiedade especial para uma fã do bloco: Edjane Santos, a rainha do Ilê no carnaval 2012. Emocionada por estar vivendo um momento tão sonhado, com a voz trêmula, ela reforça a consciência do papel que ocupa agora. “Não é ser uma rainha, é representar um bloco que abriu caminhos e recontextualizou a relação de uma sociedade com a beleza, estilo e atitude negras”, destacou Edjane, que realizou hoje seu primeiro desfile após ser coroada.

Emocionada com saída, a jornalista gaúcha Kaiala Silva, diz que aquele momento levará para sempre. “Dificilmente verei algo tão belo quanto isto”. Já o engenheiro Eduardo Campos diz que o carnaval, para ele, só começa depois desta saída. “Preciso ouvir os clarins, preciso receber o milho branco na cabeça e preciso subir a ladeira do curuzu com esta banda maravilhosa. No Ilê, o meu corpo me conduz”, diz o folião.

Entre as autoridades presentes, a tradicional saída do Ilê recebeu a ministra da Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros; os secretários estaduais Albino Rubim (Cultura) e Elias Sampaio (Promoção da Igualdade Racial); os deputados federais, Luiz Alberto, Nelson Pelegrino e Valmir Assunção; o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli; o secretário Municipal da Reparação (SEMUR), Ailton Ferreira e o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, além de uma multidão que se aglomerava na ladeira. A atriz carioca Juliana Alves demonstrou sua emoção ao participar pela primeira vez do desfile do Ilê Aiyê. “A realização de um sonho de infância”, declarou a atriz, que conheceu as músicas dos blocos afro por meio do pai, integrante do Movimento Negro.

O “mais belo os belos”, como também é conhecido, é uma das 126 instituições contempladas pelo Programa Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado. Para o secretário Albino Rubim, este programa ajuda a garantir a sustentabilidade e manutenção de instituições que, para além de blocos carnavalescos, são instituições que trabalhando com obras sociais em suas comunidades. “O investimento neste programa representa metade dos recursos que a Secretaria de Cultura da Bahia investe para o carnaval”, afirma Rubim, referindo-se aos R$5,305 milhões investidos no desfile dos afoxés, blocos afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão.

Confira as belas imagens do ritual de saída do bloco afro Ilê Aiyê: acesse aqui

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Comentário de Maria Isabel (Isa) Soares em 24 fevereiro 2012 às 15:54

De acuerdo con todos os comentários. É importante manter a calma e a cordura. Sabemos que é difícil, mais as institucioçöes compraram essa briga junto a nós e temos todos que apoiar. Axé para tod@s.

Comentário de Girlene Guerreiro em 19 fevereiro 2012 às 22:35

E eu nunca fui ver essa tão  bela saída! :/

Comentário de ateuenasci em 19 fevereiro 2012 às 9:11

...e pensar que um dia, o provinciano jornal ''A TARDE'', em pleno carnaval de 1975, colocou uma nota, ridicularizando,ofendendo, e menosprezando com palavras de baixo escalão e conteudo racista, o primeiro dia da passagem do Ilê Aiyê, na avenida em Salvador. Alguem duvida que isso aconteceu? então acessem o meu bloger; www.nascimentofotos.blogspot.com

Eu fiz questão de ir nos arquivos da Biblioteca Pública do estado da Bahia, no bairro dos Barris, e fiz algumas fotos do exemplar, na pagina que foi posto a matéria.

www.nascimentofotos.blogspot.com

Comentário de Cícero Antônio em 19 fevereiro 2012 às 4:06

A cutura popular baiana, com a sua força e história... Esta sendo amplamente divulgda e valorizada

por diversos projetos das Escolas de Samba de São Paulo-SP... Destaque, ao Tema; "Tenda dos Milagres" do Livro e Jorge Amado - defendido pela "Mostidade Alegre"... Há um fato ao território da indústria do carnaval, como também nos projetos de transmissão televisiva do carnaval baiano. A impressão é, que o nosso carnaval é realizado na Suíça, e ou em qualquer outra cidade Européia. Até quando??? O direito há arena, é um dos temas, que deve ser tratado com resposabilidade.

Cristalizando tendências, permitindo que decisões mais inteligentes sejam adotadas e que, insights corretos sejam aplicados aos negócios, afinados com as realidades das: entidades, empresas de comunicação, marketing, eventos, intercâmbio de idéias, associações étnicas culturais, carnavalescas, governos, municípios, empresas de promoção turísticas e culturais, e outras realidades.
Os mais diversos agentes, e atores pertencentes ás: Indústrias Criativas Baianas - trabalham com a consciência de que, o modelo atual do carnaval baiano, assim como dos setores da produção cultural regional; necessitam urgentemente de transformações, que possibilitem o desenvolvimento do pólo cultural mercadológico baiano, na ótica da responsabilidade social, com capacidade de gerar um ambiente saudável de bons negócios, emprego e renda. Garantindo assim a manutenção das iniciativas criativas, positivas. Proporcionando a renovação dos valores: artísticos, culturais, cênicos, espetaculares, mercadológicos e principalmente tecnológicos, contribuintes na formação técnica profissional, como também para a qualificação de mão-de-obra, inclusão social e desenvolvimento das cadeias produtivas culturais, local.
O ano de 2012 é do pleito político, nas perspectivas municipais. Diante das contradições históricas, presente nas relações econômicas x expressões culturais na soteropolis. O candidato que negligenciar tal realidade. Dificilmente conseguirá estabelecer - um diálogo produtivo com a comunidade popular baiana, que essêncialmente melhor se expressa na força da sua cultura e principalmente do carnaval. Que venham os candidatos!!!

Cícero Antônio

Músico
Fundador do Agbeokuta
Presidente do
Instituto Conexão Triba-ICT
Diretor Administrativo da
Tipiti - Cooperativa de Música do Amazonas
Suplência do
Fórum Permanente da Música do Amazonas no Fórum Nacional da Música
e-mail:conexaotribal@gmail.com

Translation:

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