Salvador sediará a exposição com imagens de paredes da Penintenciária Lemos de Brito

A mostra integra a série ‘Peles Grafitadas’ e estará em cartaz durante o mês de agosto
 
Redação Correio Nagô* - A Roberto Alban Galeria de Arte apresenta a partir desta quinta-feira (1º) para convidados e do dia 02 para o público a exposição Peles do Cárcere – Willyams Martins, que ocupará a galeria com 30 obras inéditas.

As obras apresentadas fazem parte da série Peles Grafitadas, composta por imagens das superfícies murais das cidades através da técnica de remoção e deslocamento. Desta vez, o artista pesquisou e descolou imagens desgastadas existentes nas paredes da Penitenciária Lemos Brito, onde os presidiários imprimiram suas expressões subjetivas durante anos.
 
Em Peles do Cárcere, Willyams Martins expõe todo o trabalho de pesquisa realizado no Complexo Penitenciário. “A parede do presídio torna-se um suporte mediador de onde se retiram signos de referências sociais e artísticas, deslocando uma produção visual, um repertório de identificação”, explica o artista.

A exposição conta com o apoio financeiro da Fundação Cultural da Bahia, através do edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBa, no qual 105 projetos foram inscritos e apenas 15 foram contemplados.

A mostra Peles do Cárcere busca “lançar um olhar diferenciado das imagens comuns existentes nas superfícies das paredes internas, externas e do urbanismo”. “As imagens que estavam encarceradas formam uma polifonia de significados produzindo uma conexão entre o perto e o longe, o interno e o externo, aquilo que foi extraído da parede encarcerada e que agora está livre”, explica Martins.
 
As imagens que compõem a mostra foram retiradas do presídio através da técnica de remoção, onde se utiliza tecido voille e resina de poliéster aplicado sobre a imagem para remover a “pele” das superfícies. Os conteúdos dos desenhos trazem conotações poéticas, filosóficas e abstratas sobre a vida e o cotidiano dentro e fora da cadeia.

 “Durante a pesquisa pude contar com o auxílio dos detentos. Dessa forma, realizei o levantamento das imagens dentro das celas e lá encontrei desenhos, pinturas, números, frases, rabiscos e colagens. Imagens que os presidiários fazem como desabafo, mostrando sua subjetividade, seu traço individual, refletindo suas características singulares”, explica Martins.

Muitas das paredes pelas quais Willyams removeu imagens foram repintadas na reforma geral que a Lemos Brito está passando, mas esse processo de libertação das imagens preserva na tela o que seria perdido através da reforma.

“O cárcere agrupa seres transgressores que estão reclusos, porque infringiram o Código Penal e por pertencerem a um determinado grupo socioeconômico. Ao adentrar neste universo e deslocá-lo para fora dos muros, Martins descortina todo um universo simbólico, trazendo à tona amores, crenças, desilusões, enfim, toda a humanidade das pessoas que são obrigadas a matar o tempo neste panóptico perfeito”, elogia o artista plástico Francilins Leal.

*Com informações da assessoria da mostra

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