Saúde da População Negra, mas um Caso e Descaso!

 

Caso ou Descaso?

 

 Já se passaram cem anos da descoberta da Doença Falciforme e poucos resultados para essa população, temos diversas pesquisas publicadas, mestres, doutores e notórios saberes a respeito desta temática na Bahia e no Brasil. O Ministério da Saúde desde o início da gestão do presidente Lula tem apoiado nosso estado, mas os avanços ainda são timidos. O diagnóstico da doença esta no Teste do Pezinho desde 2001, os recém nascidos e as crianças são atendidos na Apae Salvador, compartilhadas nas Unidades de Referência dos distritos sanitários de Salvador, na UNIFAL de Camaçari (adultos e crianças), no CERDOF em Itabuna (adultos e crianças), na  Hemoba (adultos e crianças) e alguns municípios já foram sensibilizados e outros tiveram oficinas para  implantação com seus profissionais de saúde e gestores, a exemplo de Teixeira de Freitas, Valença, Jequié, Eunapólis e Ilhéus. Com certeza existem mais alguns atendendo às pessoas com doença falciforme com qual resolutividade? A incidência da doença na Bahia é 1/650 nascidos vivos a maior incidência fora da África, já existe o Programa Estadual de Atenção Integral de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme gerido pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia - SESAB, sabemos que o Movimento Negro foi o percusor desta luta e posteriormente encampada pela Associação Baiana de Pessoas com Doença Falciforme-ABDFAL, ou seja, anônima a doença falciforme não é, pois existem instrumentos de gestão estadual e federal, conhecimentos dos acadêmicos, publicações na internet, site e etc.

Como ainda pode acontecer uma história dessa num município da macrorregião Centro-Leste " sr boa noite.Eu sou a srª.
tenho uma tia que desde dos cinco anos de idade ela sente muitas dores no corpo todo.
em dezembro 2006 ela fez um eletroforese de hemoglobina no qual teve esse resultado(hemoglobina A2 3,7%).(hemoglobina F 1,5%).(hemoglobina S 52,9%).(hemoglobina C 41,9%).foi falado para ela que é anemia falciforme.desde então ela ficou tomado algumas vitaminas pasanda por clinicos e enfemeira, nunca foi encaminhada para um especialista.hoje ela esta com 60 anos e alguns dias atras ficou quasi sem sangue teve que ser enternada e tomar sangue.diante dessa cituação procurei me informar melhor sobre essa doença, acabei sabendo que ela deveria esta sendo orientada por um hematologista.mais o serviço de saúde da cidade é muito precario.por isso ao encontrar a ABDFAL estou pedido que me ajude como for possivel..." Fiz alguns cortes necessário à preservação da identidade da senhora sexagenária que sofreu e sofri desde criança, ou seja, pelo relato são 55 anos de sofrimento e temos informações que mentalmente ela encontra-se desorientada, concerteza as dores nas articulações provocadas das crises vaso oclusivas (que mesmo tomando morfina não dá alívio imediato para quem tem a assistência efetiva) e os estigmas ao longo da vida que contribuiram para a fragilidade mental de mais de meio século de sofrimento, por que será? Não posso acreditar que num estado composto de 80% de afrodescendentes ainda seja aceitável tamanho DESCASO por se tratar de uma doença que atinge majoritariamente a população negra, quando o Movimento Negro irá retomar esta Bandeira e evitar relatos tristes como desta senhora sexagenária, de nossas crianças que nascem 30 por mês, dos nossos adolescentes e adultos ficando sequelados fisicamente e mentalmente com tanto sofrimento. Acredito que somente a ABDFAL não é suficiente nesta luta, pois não é uma doença que atinge um grupo, mas sim a população, o caso foi encaminhado para Área Técnica Saúde da População Negra- ATSPN dentro da Coordenação de Promoção da Equidade em Saúde-CPES e parte da composição da Diretoria de Gestão do Cuidado-DGC, ou seja, a gestão estadual vêem se organizando com atraso histórico e a gestão municipal dos 417 municipios precisa tratar doença falciforme como uma das prioridade de saúde pública concomitantemente com o Programa de Combate ao Racismo e o Movimento Negro orientar os Movimentos do interior do estado para cobrar dos seus gestores a implantação destes dois programas, juntos estes programas podem fortalecer nossa população e mudar este cenário feito de CASO como a sexagenária e DESCASO como a sexagenária foi assistida pela saúde pública.

 

Antônio Purificação

28/03/2011 

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