Seminários debatem perspectivas e impasses do Museu Digital Afro-Brasileiro

Na capital baiana, pesquisadores, professores e estudantes participaram de seminários sobre o lançamento do Museu Digital Afro-Brasileiro

Por Jaqueline Barreto/ Da Redação do Portal Omi-DùDú



O primeiro Museu Digital Afro-Brasileiro tem como finalidade disponibilizar ao público acervos referentes à memória afro-brasileira e afro-baiana através da digitalização dos
documentos via Internet. O Projeto é uma iniciativa do programa Fábrica de
Idéias do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), da UFBA, em parceria com
universidades nacionais e internacionais. A construção de um museu virtual visa
fomentar pesquisas e estudos étnicos-racias além de estreitar laços entre as
Universidades, os museus físicos, Centros de Pesquisa e sociedade civil.



De acordo com Marcelo Cunha, museólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, os museus foram utilizados a partir de uma perspectiva etnocêntrica, funcionando como
ferramentas de cristalização de imaginários de determinados grupos sociais. O
museólogo, lembrou que o museu deve ser visto como local de produção de
conhecimento e, que, no Brasil, esses espaços adotaram a política do
branqueamento. “As novas mídias eletrônicas estão, cada vez mais, ajudando a
democratizar a informação através dos acervos digitais. Colocando a serviço da
sociedade documentos que auxiliam no processo de afirmação da identidade com as
narrativas dos homens e mulheres negras que ajudaram a construir a história brasileira”,
enfatizou o Coordenador do componente museoólogico.



Para ele, na versão virtual, problemas de limitações de público que são inerentes aos espaços físicos, serão resolvidos pela digitalização dos acervos. Entretanto, ressalta
que é necessário pensar em políticas de acesso do público ao museu
digital, caso contrário, se tornará um “museu de lugar nenhum”. “ O museu
deixará de existir se não tiver nenhum acesso”, destacou.



Marcelo Cunha apontou como aspectos positivos dessa nova concepção de museu uma convergência midiática apresentada pelas presenças da hipertextualidade, do áudio, das imagens, dos
documentos originais e de uma interatividade com o internauta impulsionada pelo
ambiente on line. “Através dessa interação, o público poderá satisfazer desejos
e vontades que no museu tradicional não seria possível. Além disso, esse museu
poderá ser acessado em qualquer lugar e a qualquer tempo”, explica.



Para Jamile Borges, apesar da Internet ser bastante utilizada, desde a dec de 50, essa possibilidade de transpor as ações museólogicas para o universo virtual ainda é muito recente.
Segundo ela, os blogs são marcos importantes para essa discussão sobre os
museus digitais.Diversos museus estão usando os blogs como espaço de discussão
de múltiplos saberes, trazendo à tona debates que foram esquecidos pela
historiografia tradicional. “A tendência é que você leve o museu para onde você
vai. Um museu de todos, sem dono!”, ressaltou.



Conferir em: www.nucleoomidudu.org.br

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