Sexta Nagô debate Extermínio da Juventude Negra no TELA PRETA - Teresina/PI

Sexta Nagô recebe ensaio da Sambão no Memorial Zumbi dos Palmares e debate Extermínio da Juventude Negra no TELA PRETA

Serão exibidos clipes e documentários de rap locais, trazendo à tona o caso do Preto Kedé, rapper que sofreu repressão policial recentemente

A Sexta Nagô abre o mês de fevereiro com muito gás de luta, indignação e samba! Às vésperas do Carnaval, é a Escola de Samba Sambão quem vai fazer seu Ensaio Geral no palco do Memorial Zumbi dos Palmares. Esse ano o tema do desfile da escola será “A Rede”, fazendo um link que vai desde nosso histórico artefato indígena até o fenômeno das redes sociais. Os integrantes prometem fazer uma festa tal qual estivessem na Quadra da Sambão, a partir das 20 horas.

A partir das 18 horas, segue o Tela Preta , projeto de Cinema Negro dentro da Sexta Nagô que tem arrancado gente de casa para conferir produções audiovisuais que mostram uma outra cara do povo preto, buscando retratar sua identidade, origem, religiosidade de forma mais original e parecida com a realidade, diferente do que vemos cotidianamente nos grandes veículos de comunicação, que ainda insistem em fetichizar o negro e a negra.

Incubido dessa tarefa, o Tela Preta vem trazer um tema bem atual esta semana. Vão estar em debate os temas: Extermínio da Juventude Negra, Desmilitarização da Polícia Militar, Sistema Carcerário e Cultura de Periferia. Recentemente, os rapper’s Preto Kedé e Luciano Leite, do grupo de rap ‘A Irmandade’ e o jornalista Renato Bezerra, sofreram forte repressão da polícia, no bairro Parque Industrial, zona sul de Teresina, quando gravavam cenas de seu novo clip.

O objetivo é discutir porque fatos como esses continuam acontecendo nas periferias de Teresina, bem como de todo o Brasil, principalmente com a população negra, que é maioria nesses locais. Repressão e abuso policial devido à cor da pele, inchaço da população carcerária pelo povo preto, falta de medidas socioeducativas que retirem essas pessoas desses locais, bem como uma alternativa de superação dessa realidade por meio da cultura de periferia, serão os temas prioritários da Tela Preta desta semana. Para isso, serão exibidos alguns clipes de rap da cidade, o documentário que fala sobre o rap na Santa Maria da Codipi “Ouça o Gueto”, bem como outros curtas referentes à essa temática.

(Veja nota de repúdio abaixo)

Além disso, também dividirá o palco com a Sambão, o momento de culminância das oficinas de férias que aconteceram durante o mês de Janeiro. As oficinas eram de Dança Urbana ( Grupo de Dança Coletiva Street Dance -DC), Dança Afro (Grupo Afro Cultural Afoxá) e Rima/Rap (Grupo de Rap Reação do Gueto). Durante a noite os resultados das oficinas serão apresentados ao público presente.

Na sala de Instalações, será aberta a Exposição “História do Carnaval de Teresina” com um acervo histórico do historiador Mauro Monteiro e peças de fantasia da Escola de Samba Sambão.

 

NOTA DE REPÚDIO CONTRA A AÇÃO TRUCULENTA DA POLÍCIA MILITAR AO GRUPO DE RAP “A IRMANDADE” - CONTRA O RACISMO E PELA DESMILITARIZAÇÃO DA PM

28 de Janeiro de 2015, Teresina-PI

 

O Movimento RUA - Juventude Anticapitalista, organização Nacional formada por diversos militantes, vem, por meio desta nota, REPUDIAR a atuAÇÃO truculenta da Polícia Militar contra Rapper's do Grupo "A IRMANDADE", formado pelos músicos Kedé e Luciano Leite. Também repudiamos a abordagem totalmente errônea dada pelos meios de comunicação, representada pelo site 180º - coluna Sirene Policial - editado pela Jornalista Apoliana Oliveira -, que repassou informações inverídicas, apoiadas apenas nas alegações dos policiais, segundo os quais, “o grupo de jovens estaria fotografando uma abordagem policial”.

Na verdade, conforme o relato do repórter e fotógrafo Renato Bezerra, este e os integrantes do grupo de Rap capturavam imagens para o novo Clip do grupo, quando foram VIOLENTAMENTE abordados pela Polícia Militar. O fato ocorreu no dia 25 de janeiro, último domingo, por volta das 12 horas, ao meio-dia, no Parque Industrial.

Nas palavras do integrante do Grupo “A Irmandade”, Preto Kedé:
“Então... Nós apenas estávamos fazendo o nosso trabalho, e junto com o nosso fotógrafo e jornalista, ficamos tirando foto e pegando algumas cenas pro nosso novo trabalho e o nosso fotógrafo avistou umas abordagem e filmou a abordagem da polícia, mas foi de boa mesmo, como um jornalista que trabalha nessa área. Daí fomos descendo rumo ao parque industrial pra tirar mais fotos e pegar mais cenas pro nosso trabalho quando a gente foi ver, eles (PM) estavam seguindo a gente... Sem dever, saímos do carro de boa, porém quando saímos do carro, eles foram logo pra cima da gente, de uma forma cruel apontando armas e metralhadora para nossas cabeças e pedimos calma, pois não estamos devendo, e só estávamos fazendo nosso trabalho - somos artistas; mas isso não resolveu e eles agiram de forma truculenta agredindo a gente e com esse motivo começamos a discutir com eles, dizendo que não justificava eles fazerem isso, por que a gente só estava fazendo o nosso trabalho e somos trabalhadores...

 E as coisas foram piorando e nós nos defendendo também, por que lógico, nós não estávamos devendo por que temer, né? Revistaram o carro do nosso fotógrafo e jornalista, mas não encontraram nada, e sempre agindo agressivo, tinha um que começou filmar e eu disse pra ele parar de me filmar, por que assim como eles não querem que mostre a realidade cotidiana deles, por que eles vão filmar a gente? Depois eu pedi o nome de todos para eu ir na Corregedoria, por que não justifica eles agirem assim, pois quando eu fui pegar meu celular, um deles me deu um tapa nas costa e eu me defendi e os mesmos que mi deram um tapa nas costa, pegou no meu pescoço e acochou e mi derrubou no chão e mi algemaram e mi levaram para o camburão e lá dentro mi deram 3 tapas e pegaram o meu paceiro que estava com a gente, que estava se defendendo por que levou um tapa também e botaram no camburão e levaram a gente pra Central de Flagrantes e lá fomos pra cela; Ficamos umas 4 horas dentro da cela, isso não justificava eles fazer isso, se ele tivessem agido com educação de boa não tinha acontecido mas só por que nosso fotógrafo e jornalista pegou uma cena de uma abordagem agiram assim fiquei sem entender, mas por que só por causa de uma filmagem ?”

Até quando essa criminalização recairá sobre a juventude negra? A violência policial e a repressão às manifestações culturais do povo negro é um problema histórico, principalmente quando falamos em racismo estrutural ao aclamado "Estado Democrático de Direito", em que se reforça a marginalização do povo negro. Atualmente, legitimando as ações criminalizadoras sob o argumento da segurança para população de bem - leia-se “bens” -, a Polícia Militar persegue e mata a juventude negra da Periferia. Essa truculência histórica apenas mudou de face, mas aperfeiçoou suas ferramentas de tortura - os capitães do mato de ontem vestem fardas e usam armas de fogo nos dias de hoje.

A exclusão do povo preto é visível, assim como a criminalização de seus elementos culturais, como é o caso do HIP HOP, que, embora seja uma ferramenta da periferia para denunciar os maus tratos/descasos do Estado, é tratado como música de “bandido”. A Polícia Militar serve única e exclusivamente para REPRIMIR, VIOLENTAR e MATAR aquelxs que foram historicamente excluídxs. Representa, ademais, o modelo de política adotado pelo Estado - agente mantenedor do status quo. Uma polícia que atua de forma RACISTA, FASCISTA e MACHISTA jamais deveria existir em um dito “Estado Democrático de Direito” e que se almeja verdadeiramente humanizado.

Ao observar essa situação que aconteceu com o Preto Kedé, é necessário trazer à lume que a criminalização dos jovens negros, dos pobres e daqueles que se manifestam como Mc's - Rapper's - insere-se em uma política estatal de Guerra direcionada ideologicamente. Quantos jovens são rotulados de drogados e criminosos pelo simples fato de serem negros?! Quantos Mc's - Rapper's - são abordados e ameaçados violentamente, em função de sua arte intransigente?! Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que a polícia aborda o Preto Kedé. O mesmo já fora ameaçado e levado preso pra ser "ouvido" por ter composto uma música denunciando a violência policial.

Face ao exposto, repudiamos veemente toda e qualquer violação de direitos, discriminação ou preconceitos em razão de cor, raça, etnia, gênero, idade, orientação sexual ou condição social. Também repudiamos a inconsequente cobertura jornalística feita por veículos de comunicação que noticiaram os fatos sem checar a veracidade das informações, reproduzindo uma concepção racista que se hegemoniza nos diversos espaços sociais e que, consequentemente, reforça a criminalização das expressões culturais de suas vítimas, silenciando, mais ainda, as vozes subalternas e disseminando, lamentavelmente, o racismo e o preconceito em rede.

“QUEREMOS O FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA POPULAÇÃO E DA CULTURA NEGRA E A DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR, POIS ACREDITAMOS QUE SÓ ASSIM VENCEREMOS O RACISMO E ESTAREMOS LIVRES DOS ABUSOS E VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS CADA VEZ MAIS PRESENTES EM NOSSO ESTADO!”
PEDIMOS TAMBÉM:

• O Fim do Extermínio da Juventude Negra;
• A Democratização da Mídia;
• O Recorte histórico e cultural visando à Descriminalização do Rap;
• O Fim do Racismo Institucional;
• A Retratação imediata do Batalhão da Polícia Militar;
• O Afastamento do comandante da ação;
• O Afastamento do Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social;
• A Retratação do Governador Wellington Dias (PT).

ASSINAM ESTA NOTA:

- RUA - JUVENTUDE ANTICAPITALISTA
- GRUPO RAP “A IRMANDADE”
- GRUPO RAP “REAÇÃO DO GUETO”
- GRUPO RAÇAS - SMC
- RAPPER O WESLEY ADRIAN
- CORAJE - CORPO DE ASSESSORIA JURÍDICA ESTUDANTIL/UESPI
- NAJUC JA - NÚCLEO DE ASSESSORIA JURÍDICA UNIVERSITÁRIA - COMUNITÁRIA JUSTIÇA E ATITUDE/ICF
- PROJETO CAJUÍNA - CENTRO DE ASSESSORIA JURÍDICA POPULAR DE TERESINA
- COLETIVO ANTÔNIA FLOR - CAF
- FEDERAÇÃO NACIONAL DE ESTUDANTES DE DIREITO - FENED
- REDE ESTADUAL DE ASSESSORIA JURÍDICA UNIVERSITÁRIA DO - PIAUÍ - REAJUPI
- DCE UESPI LIVRE
- MOVIMENTO ‪#‎SOSUESPI
- DCE DA UFPI - GESTÃO “AMANHÃ VAI SER MAIOR”
- GRUPO DE RAP “RACIOCÍNIO
- ASSEMBLEIA NACIONAL DE ESTUDANTES LIVRES (ANEL)
- DIRETÓRIO ACADÊMICO DE DIREITO PROFª FIDES ANGÉLICA (DADIFA/ICF) - GESTÃO RECONSTRUIR
- COLETIVO ENECOS PIAUÍ (EXECUTIVA NACIONAL DE ESTUDANTES DE COMUNICAÇÃO SOCIAL)

- SEXTA NAGÔ: ZUMBIDOS DO MEMORIAL

 

 

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