Show com piada racista termina em confusão na zona sul de SP

Acabou em confusão a primeira edição do Proibidão, show de stand-up no qual comediantes fazem piadas preconceituosas contra negros, gays, deficientes e mulheres.

Um músico da banda que fazia as vinhetas entre uma apresentação e outra se sentiu ofendido por uma piada racista contada pelo humorista Felipe Hamachi.

Negro, o tecladista chamou a Polícia Militar. Após muita conversa, a confusão foi resolvida ali mesmo, sem a necessidade de registrar um boletim de ocorrência.

CARTA ANTIOFENSA

O show aconteceu na noite de anteontem, no Kitsch Club, zona sul paulistana.

Já na entrada, as pessoas tinham de assinar um termo de compromisso, confirmando que não ficariam ofendidas com nada que fosse dito.

A plateia era formada por pessoas de várias idades. Havia negros e mulheres. Entre os comediantes estavam Danilo Gentili, Fábio Rabin e Luiz França. Alexandre Frota era o apresentador.

A confusão ocorreu no momento em que o humorista Hamachi disse que não se pega Aids em relações sexuais com macacos e, em seguida, dirigiu olhares para o tecladista insinuando que mantinha uma relação com ele.

O músico, que não havia assinado o compromisso de "não ofensa" que é imposto ao público, abandonou o palco e chamou a polícia, que foi ao local. Amigos, companheiros da banda e funcionários tentaram acalmá-lo.

À Folha Alexandre Frota disse não ter percebido o ocorrido, pois não estava no palco no momento. Ele disse acreditar que o público se divertiu com a noite e até aplaudiu de pé. "Ninguém agrediu ninguém na rua ou dentro de um bar. É feito no palco."

O sócio majoritário do Kitsch Club, Marcelo Szykman, disse que não esperava tal reação. Segundo ele, a função da comédia é "provocar reflexão e quebrar mitos e tabus".

Em sua página do Facebook, Hamachi disse: "A única pessoa com quem brinquei no show era a única que não estava avisada do que aconteceria ali e isso causou mal-estar, que foi resolvido depois de muita conversa e de eu pedir desculpas para a pessoa".

Folha não localizou o músico, que é conhecido como Rapha "Dantop".

FILIPE OLIVEIRA
RAPHAEL SASSAKI
AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Colaborou Ricardo Bunduky

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1061675-show-com-piada-racis...

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Comentário de Dilnei Severo em 23 março 2012 às 17:19

Assinar documento é sacanagem..

É o mesmo que dizer que vai haver um assassinato ou um estupro no palco e que o publico vai concordar...

Seriam todos cúmplices....

Isto é idiotice....

A questão principal é que fatos assim não ocorrem somente em locais fechados.

Isto ocorre no dia a dia das pessoas negras em qualquer lugar em que elas estejam. As vezes você está no ônibus e na sua frente tem um indivíduo rasgando o verbo ao chamar alguém de negro "isto" negro "aquilo" e se você disser que se sentiu ofendido arruma briga e ainda é agredido.

Em programas como o Casseta e Planeta piadas assim são feitas a todo instante e não tem nenhum órgão que consegue reprimir a força das grandes redes de Tv que só servem parara proliferar o racismo.

Parabéns a este músico que demonstru indignação...Que pena que não podemos sua real identidade para que ele nos relatasse a verdadeira emoção que sentiu. E quanto aos outros negros omissos presentes?????

Comentário de Maria Olina Souza em 19 março 2012 às 13:23
Pois é , pra sociedade funcionar mantendo o status quo é necessário que um grupo não se desenvolva: adivinha que grupo é este?
Abs e obrigado pelo rico diálogo.
Comentário de Adelson Silva de Brito em 19 março 2012 às 13:14

Valeu Olina,

Eu havia esquecido desse importante "nicho" de mercado, muito bem dimensionado, recortado e explorado pelos nossos irmãos africanos americanos. Que diferença faz a Conscientização. Nos conhecemos Whitney Huston, mas desconhecemos Aretha Franklin, Mahalai Jackson e tantos outros ícones, que aqui não sao divulgados , mas que são modelos de emancipação negra, com visibilidade universal, que continuam negros autenticos a longe de hibridizações assintosas que desservem a nossa causa enquanto africanos na Diáspora. O nosso desconhecimento da realidade dos nossos irmãos africanos americanos não é casual. É parte de uma erquestração covarde e silenciosa. Da memsma orquestração que criou o conceito de " democracia racial brasieleira".

Comentário de Maria Olina Souza em 19 março 2012 às 12:18
É verdade Adelson, pois é o povo negro que fortalçece o mercado "gospel" do Brasil, assim como as músicas sertanejas, pagode e axé. Os brancos são intérpretes da arte negra e enriquecem rapidamente, quando um negro/a ascende socialmente via esporte ou música , a gente sabe o que acontece.... os que se dão bem são brancos porque aprenderam as estratégias deste jogo social , até uma bobagem como a música daquele tal de Teló, ( que foi uma negra que compôs)deixa o cara rico, enquanto isto os verdadeiros artistas vendem seu talento muito barato para ser vagamente lembrado/a num programa de Domingo.
Comentário de Adelson Silva de Brito em 19 março 2012 às 10:25

Esse depoimento da Maria Olina é uma denúncia do preço que nós negros estamos pagando pela nossa apatia geral e total falta de consciencia política. O reforço diuturno descarado dos modelos de adminintraçao a serviço da consolidadção do " branqueamento" da sociedade brasileira passa por todos os canais de poder e por cima de todas as formaas de enaltecimento do autentico legado africano. O dinheiro segue descaradamente para as mãos dos empresários de pele clara. No Brasil, o bonito é ter empresários descndentes de europeus, e não-negros de um modo geral.É assim que, por exemplo, os "artistas do axé" são brancos e/ou de pele clara e mega-empresários (vamos ver qual a trajetória que estão planejando para a revelação Magary Lord) respaldados no empreendedorismo brasileiro, que o único no mundo ocidental que vive atrelado ao patrocínio do governo.Ser empresário recebendo dinheiro público, repassado pelo  Governo e mantendo a hegemonia do modelo europeizante é a ralidade empresarial brasileira.Aindústria, que não ode se dar ao luxo dessa benécie vai mal das pernas. Daí a queda na produção industrial no ano pasado. A nós resta pregar a conscientização de que o Projeto Brasil não inclui negros. A constatação dessa realidade é ponto de partida para a construção de uma sociedade africana brasileira autonoma e dotada de poder de decisão.

Comentário de Maria Olina Souza em 18 março 2012 às 21:57

Enquanto este triste espetáculo é apresentado, olhem o que o MInc faz com o Comuns:

 
 
 
Prezad@s parceir@s da Cia dos Comuns, Fórum Nacional de Performance Negra e Olonadé – A cena negra brasileira
 

A Cia dos Comuns inscreveu o projeto da quarta edição da mostra de teatro “OLONADÉ – A cena negra brasileira” para concorrer no edital de ocupação do Teatro Glauce Rocha/2012, ligado à FUNARTE/MINC. Durante os quatro meses de ocupação o projeto OLONADÉ ofereceria ao público carioca a seguinte programação: 16 espetáculos (13 adultos e 3 infância e juventude) totalizando 78 apresentações; 6 leituras dramatizadas; 10 oficinas para atores e bailarinos já iniciados, 4 palestras (História do teatro negro no Brasil; Dramaturgia negra brasileira; A interpretação do artista negro brasileiro; Estética negra – Um fazer teatral diferente); e 6 depoimentos de atores e atrizes negros consagrados, dentre eles: Léa García, Ruth de Souza, Zezé Motta e Chica Xavier (confirmadas) Lázaro Ramos a confirmar e outro a ser convidado. PERDEMOS. O que não é mais qualquer novidade para a Cia dos Comuns e tantas outras Companhias de dança e teatro negros espalhadas por todo o País. PERDER. E nesse edital específico, perdemos também ano passado com o mesmo projeto. NÃO NOS QUEREM.

 

Ganhou o projeto Linguagens brasileiras – Cultura Negra em Cena, da JLM Prodruções. O que se confirma que o dinheiro continua na mão de produtores brancos, porque a exemplo dos Back to Blacks da vida as duas donas da JLM são brancas e descobriram como ganhar dinheiro com projetos de “Negão”. As informações que temos (extra oficiais porque a FUNARTE até agora não publicou a programação vencedora), é que o projeto contemplado apresenta uma programação de apenas 3 espetáculos contra 16 do projeto Olonadé. E pasmem: “todos” os 3 espetáculos produzidos  pela empresa vencedora a JLM Produções. No Olonadé só tem um único espetáculo produzido por nós, da Cia dos Comuns: SILÊNCIO, contra 15 de outras produções porque é prática nossa dividir o bolo, sobretudo quando se trata de dinheiro público. E não tem espetáculos para a infância e juventude como pede o edital. No Olonadé tem 3. Entramos com recurso para saber por que perdemos e até o presente momento não obtivemos respostas.

 

Ressaltamos que juntando o tempo de experiência da Cia dos Comuns com o meu, que inclui o período que dirigi o Centro José Bonifácio, soma-se mais de 23 annos na luta por valorização das artes negras e inclusão dos artístias e técnicos negros no merc ado de trabalho. Essas meninas descobriram que negro dá dinheiro ontem (5 anos). E tempo e experiência é algo estremamente relevante numa licitação pública.

 

Portanto convidamos a tod@s @s parceir@s para estarmos presentes no dia 20 próximo (terça) às 9 horas, nesse evento abaixo e cobrar da Ministrra Ana de Holanda e do Presidente da FUNARTE, Sr. Antonio Grassi, esclarecimentos.

 

Comentário de Movimento Mulher de Raça em 18 março 2012 às 8:51

Ainda bem que as pessoas estão começando a tomar consciencia e se valorizar, parabenizo esse tecladista pela coragem.

Comentário de José Norberto em 17 março 2012 às 11:23

Pessoal,

Algo bom está acontecendo.

AS pessoas estão reagindo aos insultos, coisas que até ha pouco tempo atras nao ocorria.

Muitas vezes, infelizmente, coisas extremas acontecem, como no caso Pinheirinho, mas só assim, grupos se mobilizam em fortalecem e sae a luta em busta de seus direitos

Comentário de joao cicero em 17 março 2012 às 9:21

Se essa merda continuar acontecendo vai dar bosta tem que denunciar  nao deicha para amanha

Comentário de Adelson Silva de Brito em 17 março 2012 às 8:42

Estamos vivendo em um País onde o nível de desenvolvimento humano cái dia-a-dia, incontestável e displicentemente. Uma das evidencias dessa cruel realidade é o "humor" que se cultiva. A prática de " achar graça" na " criatividade" espúria é característica de sociedades que se estabelecem por força da sua divisão em grupos estanques, onde alguns " podem" tudo e os outros " nada podem" .Nesse caso específico, me parece  " notória" a atitude dos "organizadores" antecipando a tônica que tería o "show" e tentando " se garantir" por meio da imposição de um " compromisso por escrito de aguentar a tudo sem se sentir ofendido". Muito engraçado....Pela proposta, no mínico indecorosa, está explicito o caráter sem graça do evento.Penso que tais "episódios" deveriam ser confrontados com tantos outros que caracterizam a realidade cultural do nosso Brasil escravista hereditário. Por exemplo, o fato de que cerca de1% do nosso Pruduto Interno Bruto é investido em Cencia e Tecnologia, e uma das conseqeuncias é qeu somos uma " potencia" por qeu vendemos frango, soja e minério de ferro, enquanto China e Índia dois dos nossos pares no BRICS investem pesadamente em Cineia e Tecnologia e a noss Educação é primeira área visitada por qualquer proposta de cortes orçamentários dos governos. Daí, uma teoria para o sucesso dos Big Brother pode ter plantada a semente de sua conjectura. A parte mais triste é que comentários como o que me dei ao trabalho de tecer, caem no vazio da nosss incapacidade geral de se indignar que assola a sociedade brasileira.

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