Professores, calouros e veteranos da Universidade Federal da Bahia discutiram sobre as ações afirmativas no Brasil

Por Jaqueline Barreto/ Redação do Portal Omidùdú
O Supremo Tribunal Federal, desde 3 de março, através de audiências públicas, está questionando o caráter constitucional das ações afrimativas no Brasil. Atentos para o risco iminente de perder as conquistas históricas ,como as cotas nas universidades públicas, o auditório da Universidade Federal da Bahia, no campus de São Lázaro, na última quarta-feira(3) realizou debate sobre a importância do sistema de cotas para o país .

De acordo com Paula Barreto, do Centro de Estudos Afro-Orientais(CEAO), a existência de programas de ação afirmativa só fazem sentido devido às desigualdades existentes no Brasil. “As disparidades entre brancos e negros persistem.” Paula ressaltou que algumas pessoas acusam as cotas de discriminação ao contrário. Por isso, apontou distinçôes entre discriminação positiva e negativa. “A negativa refere-se às visões estgmatizadas e excludentes e a positiva tem uma relação com as ações afrimativas que visam promover e elevar as consequências do passado”, explica.
Para a a Coordenadora do Ceao, apesar de as ações afirmativas não estarem dispostas de forma explícita na constituição, estão amparadas pelo sistema jurtídico na medida em que essas políticas defendem o princípio da igualdade. “ As desigualdades ainda permanecem presentes na sociedade brasileira”, enfatizou, destacando ainda que “ as políticas reparadoras surgiram da pressão dos movimentos sociais e não se restringem às cotas nas universidades.
Segundo Jéssica, estudante indígena da Universidade Federal da Bahia e representante do Instituto Cariri, muitas pessoas se opõem à adoção das reservas de vagas para as comunidades indígenas e, para isso, defendem o argumento de que os índios não precisam estudar e que ao saírem da aldeia vão adquirir elementos culturais novos resultando em perda de identidade. “ O imaginário social coloca duas questões: ou o índio continua na aldeia ou entra na faculdade e deixa de ser índio”, denuncia.
“ A gente valoriza nossas tradições. Valorizar a tradição é a gente continuar a luta de nossas ancestrais". De acordo com ela, a universidade é espaço de reprodução de estereótipos . “Nós queremos inserir nas faculdades discussões sobre a temática indígena a partir de nossa perspectiva” . Jéssica salientou que as cotas devem ser acompanhadas por políticas de permanência e apontou a distância física entre as aldeias e as universidades como um dos entraves à continuidade dos alunos indígenas . “ Da minha aldeia a UFBA são 900 km”, disse.
Para Jocélio Teles, do CEAO, os cursos de maior concorrência e maior prestísgio social tinham a maioria absoluta dos alunos composta por brancos oriundos das escolas particulares. “ A idéia de que os estudantes do sistema de cotas não conseguiriam se manter na universidade ocasionando em evasão e redução da qualidade do ensino, não se confirmou”, frisou.

Conferir em: www.nucleoomidudu.org.br

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