Sobre as Negras e Negros da Campanha da Reparação Brasil

A Negra e o Negro autênticos, são pessoas resolutas, ousadas e destemidas, definindo-se definitivamente como uma nação que, compõe dentro de si diversas nações. Essa é a Negra e o negro, descolonizados, que caminham nas diversas trilhas de seu continente, sem as amarras impostas pelo contexto oligárquico imposto pelo opressor; colonizador este que, tendo sequestrado sua força ativa, privatizando sua mobilidade econômica e social, tenta agora, a todo custo, privatizar seu pensamento, através da cínica e hipócrita dissimulação, manipulado sobre o véu de inocentes mentiras sacralizadas e transformadas em vírus; o vírus da brancolândia.

Enquanto nós, as Negras e Negros resolutos estivermos concisos de nosso coletivismo como sujeitos protagonistas da própria história, não vamos nos perder nesse estúpido sentimento branco bairrista e paroquiano do pérfido individualismo que mata e destrói a percepção da necessidade urgente do coletivismo como forma de subsistência humana. 

Nossa liberdade depende de nos aventurarmos por essas movimentadas estradas do desconforto e da insegurança, para sair definitivamente do conformismo confortável da servidão; Sem medo, nem reservas; pois o medo será sempre fatal. Nosso futuro é agora; nesse ano que vem que já chegou. Só dessa maneira, construiremos um Estado-nação compartilhado de forma coletiva e sólida. 

Penso que a questão negra não é uma questão nacional, mas sim, internacional, visto que nosso território e nossa questão vão muito além do cativeiro das linhas colonizantes limitadoras do mundo, tornando-o cativeiro de gente e de gentilezas. Sendo assim, devemos ter nossa identidade traduzida, como mulheres e homens, de forma, e que abarque nossa origem cultural e nossa cultura contemporânea; curando-nos desse modo, da metástase do assimilacionismo, que nos mantém mentalmente presos e na condição de povo colonizado.

As leis estabelecidas pela supremacia branca, desde o fim da primeira guerra mundial, há muito já caducaram, até mesmo para as queridas pessoas brancas elas já não tem a devida eficácia. Precisamos pois, estabelecer contato com o mundo real, agir e interagir como povo, como gente e como ser humano, enfrentando as dificuldades do diálogo, nas trocas, construção e desconstrução, aprendendo e desaprendendo, ensinando e desensinando; nos encontros, nas ruas, no trabalho e reuniões; trabalhando as contradições, tendo o cuidado de não rimar opiniões com argumentos.

Rael Rasta

Organização Para a Libertação do Povo Negro

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