Por Cidinha da Silva

Outro dia ouvi Guimarães Rosa na boca de uma Preta Velha (entidade das religiões afro-brasileiras) em uma telenovela. Dizia a venerável voz à Conceição, consulente atormentada: a vida é assim mesmo, minha filha, esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que a vida quer da gente é coragem.

Curioso! O mesmo trecho escolhido pela Presidenta Dilma Roussef para concluir o discurso de posse. No caso desta,

demonstração de erudição sensível, além de cala-boca no tucanato mineiro que a acusava de bandeamento para o lado dos gaúchos. Na emissão da Preta Velha, entretanto, o trecho rosiano é signo de reapropriação da cultura popular pelos autores de Subúrbia, telenovela em foco.

Rosa bebeu da cultura do povo do sertão de Minas para compor sua obra. As mesmas brenhas alegóricas de onde vem Conceição, personagem central da história. O povo de Minas e do Brasil bebe da ancestralidade negra, ontem e hoje. Rosa, então, está bem posto e faz sentido na boca de uma Preta Velha, de onde a vida e suas exigências emanam. 

É tudo círculo. Roda. O mundo gira e volta ao lugar do princípio. Da sabedoria popular na terra e da sabedoria ancestral que se manifesta pela Preta Velha. Bonita, a poética de Subúrbia!

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