Começou Subúrbia! E eu que ansiava tanto pela série só consegui assistir o primeiro capítulo a partir da cena em que Conceição sai do hospital com o pé engessado. É que a vida me chamou para algo mais interessante do que a TV e mesmo tendo compromisso comigo mesma, precisei adiar a função telespectadora de mini-série.


Uma coisa boa está acontecendo, várias pessoas do campo das artes negras têm se manifestado quanto ao primeiro capítulo do seriado, entretanto, pouco (ou nada) reconheço da minha mirada no material que tenho lido. São tantos os problemas apontados e eu não os vi. Estarão meus sentidos embotados?

Procurei assistir o capítulo inteiro pela Internet, mas só consegui uma cena nova, o momento da fuga de Conceição da FEBEM e logo a seguir o atropelamento pela benfeitora (não se trata de algo novo ou velho, a benfeitora ainda é constante na vida de muita gente preta), portanto, não vi a cena da carvoaria, a chegada dela ao Rio e devo ter perdido outras coisas também.

Em dado momento eu escrevia sobre Gabriela e gostaria de convidar meus leitores a assistirem Subúrbia, no parágrafo final do texto. Perguntei a um ator conhecido sobre o pessoal nosso envolvido na trama, pois queria informação segura e completa. Recebi pronta e gentil resposta, mas nenhuma menção a Paulo Lins, como co-roteirista, apenas nomes de atores e atrizes. Imaginem a bola que eu, uma escritora, comeria, se não menciono a presença e o trabalho do grande Paulo Lins? Minha Nossa Senhora, como o povo diz na terra minha e de Érika Januza. Nem eu me perdoaria.

O esquecimento de Paulo Lins, sujeito fundamental da trama, me lembra os comentários sobre Subúrbia que tenho acessado, parciais e um tanto egocentrados. É certo que tenhamos diferentes pontos de vista, miradas diversas, a partir de pontos determinados, mas há que buscar a abrangência, mesmo que seja apenas no aprofundamento do aspecto escolhido para análise. Não basta afirmar de maneira peremptória que os atores e atrizes negros de Subúrbia são maravilhosos! Esse grupo de profissionais, fantástico, sim, merece que nos debrucemos sobre a atuação de cada um deles. É o mínimo necessário.

Até o momento, o texto de Subúrbia é delicado, preciso, poético, historicamente localizado e pleno de significado nas entrelinhas. Um texto à altura de Paulo Lins, um dos maiores escritores do Brasil contemporâneo. Cidade de Deus, ao lado de Viva o povo Brasileiro e Um defeito de cor, compõe, a meu juízo, a tríade magistral do romance brasileiro de 1970 para cá. Um autor dessa envergadura não merece ser reduzido ao lugar de insider, daquele que estaria a serviço dos brancos, da Globo e do capitalismo oferecendo o frescor das tintas pretas para repaginar uma velha história. Pelo menos não merece se não houver uma análise consubstanciada do texto que justifique a conclusão. Permito-me a redundância e afirmo, é um autor merecedor de crédito.

Estou adorando o texto, os diálogos e a performance do elenco. Confesso a vocês que demorei para reconhecer a Dani Ornellas. Eu a tinha visto em ação uma vez, em Filhas do Vento. Acho que ela perdeu o ar de menina e não assisti outros trabalhos para ver a mulher florescer. Mas, me digam aí, vocês que entendem muito de teledramaturgia, não é uma coisa muito boa a atriz modificar-se de tal forma quando encarna uma personagem, que a gente fica em dúvida se a conhece ou não? Lembrei-me de um comentário feito por um cineasta. Ele contava que Dani Ornellas era acusada de ser bonita demais para uma negra brasileira, parecia atriz estadunidense e isso deve tê-la impedido de conseguir alguns trabalhos. E aí está ela, subvertendo essas expectativas racistas e hipócritas, encenando uma mulher negra evangélica, uma fundamentalista do morro, mas com princípios. Ah... que bom, Subúrbia nos permite ver essa grande atriz na telinha. E bela, esplendorosa beleza, que ser bonita nessa terra só é defeito, quando se trata de limitar a ascensão profissional de uma preta talentosa.

Louca eu estava para assistir a atuação de Haroldo Costa, só o conheço como escritor e personagem antológico do samba. Vi, mas não o suficiente para emitir opinião. Quero muito ver a cena em que ele olhará as gaiolas de passarinho, sentado no quintal, como a foto imortalizada de Pixinguinha, com o saxofone no colo, no jardim da própria casa. Isso, além de configurar imagem inter-textual, é a tal cultura negra, bem representada pela arte. 

Não vi Haroldo Costa, ainda, mas vi Cridemar Aquino, impagável como Moacir, o filho mais velho do patriarca suburbano. Homem casado, malandro na medida, inclusive nos quilinhos a mais. Paquerador manso e safado, daquele tipo “estou aqui, se a gata quiser, não nego fogo”. De leve, no sapatinho, respeitador e dado, oferecido discreto, daqueles que colam o corpo no corpo da menina e deixam o corpo falar. Ele não explicita o desejo como os adolescentes doidos para pegar a moça no laço. De acordo com os rudimentos de dramaturgia conhecidos, isso se chama construção de personagem. Cridemar constrói Moacir com solidez e verossimilhança. Ah... que bom Subúrbia ter oferecido a Cridemar a possibilidade de mostrar na TV o grande ator que é, velho conhecido nosso da Companhia dos Comuns.

Às vezes, um ator ou atriz demora mais para chegar ao papel, tive essa sensação com Rosa Marya Colin, a matriarca suburbana. Mas uma hora ela chega e vai cantar, precisa cantar, o Brasil vai parar para ouvi-la e, infelizmente, muita gente achará que nasceu, no instante do canto, uma cantora madura. Zezé Barbosa e Sheron Menezes não chegaram de cara em Lado a lado, mas agora já encontraram o tom de Berenice e Jurema e estão muito bem, melhores, a cada capítulo da novela das seis.

O texto é muito bom e Érika Janusa é mesmo atriz revelação. A Conceição criança é uma ótima atriz também, que tenha o tratamento dado às demais boas atrizes mirins da Globo. Aquela cena do caminhão de leite que chega na FEBEM todo dia, acompanhada por Conceição, estudada, cronometrados no relógio mental os gestos do motorista, é sua única possibilidade de fuga, é de poesia ímpar.

O leite é ensacado, como a gente só consegue ver hoje em super-mercado chinfrim de subúrbio ou em super mercado de rico, nas seções quase naturebas, leites tipo B e tipo A, não o velho e conhecido C. Hoje predomina o leite de caixinha, muitas marcas com componentes do formol, a título de conservante. Esses detalhes constroem uma ambiência verossímil e as tramas negras são merecedoras desse cuidado estético.

A cabeça da Conceição-menina desandou as contas da passagem do caminhão de leite, por isso, ela sabia que passou muitos dias presa. O eu lírico da menina (porque isso é poesia, se vocês não perceberam) precisava de um recurso qualquer que a ajudasse a contar o tempo necessário para maturar a fuga. O texto, as entrelinhas e o olhar dela, o risco de perder a vida grudada debaixo do caminhão para não morrer em vida, me deram esse entendimento. Simplesmente porque a arte é colírio para meus olhos viciados e cansados do mesmo, quando vejo o novo, sei enxergá-lo, mesmo que não seja em Todo dia é dia de Maria.

Aos navegantes, confirmo que é em Minas Gerais a localização da carvoaria. Só no dialeto mineirês as pessoas falam uma “muntuêra de dia”, para significar muitos dias, dias de perder a conta ou “dimais da conta” para não perder o tom do dialeto, nem a metáfora, nem a ideia de diáspora, que carece de compreensão, inclusive, nossa.

A corporeidade negra será um tema forte em Subúrbia e isso é bem velho, quando se trata das abordagens feitas à gente. Não tenho competências substanciais para analisar o tema, mas sei do seguinte. Há alguns anos trabalhava num projeto de ação afirmativa com jovens negros que acontecia em São Paulo e no Rio de Janeiro, simultaneamente. Houve uma atividade de integração no Rio e o local escolhido foi a quadra de esportes do Complexo do Alemão, onde morava grande parte dos integrantes do projeto. Morava lá também a assistente de coordenação do módulo-Rio, uma mulher negra, jovem, casada, mãe de duas crianças e formada em Pedagogia. Churrascão no sábado à tarde e a moça chega hiper rebolativa, trajando um micro-short (relativamente solto no corpo, acho que era o código de diferença entre casadas e solteiras), salto plataforma de 10cm, blusa de alcinha, branca e transparente. Quando ela chegou ao portão da quadra, creio que fui a primeira a vê-la e me levantei para cumprimentá-la, não tanto por simpatia, mas porque eu estava morrendo de medo e queria saber se não haveria mesmo tiroteio e se houvesse, para onde deveríamos correr. A moça nem me viu. Do alto dos óculos escuros enormes percebeu que todo o grupo estava vestido de projeto, mesmo no churrasco na quadra do Alemão. A moça deu meia volta, foi em casa, vestiu uma bermuda acima do joelho, uma regata com borboletas e flores, sandália rasteira e voltou uniformizada para socializar-se num projeto educativo em moldes paulistanos.

Esse episódio me ensinou muito sobre a corporeidade negra, real, vivida no cotidiano do Rio de Janeiro, parte singular dessa imensa diáspora negra, e confio que Paulo Lins a conheça muito melhor do que eu e vá retratá-la com dignidade. Foi o que vi até o momento.

O funk ingênuo do final dos anos 80, década de 90, de Claudinho e Bochecha, Pepê e Nenem, me transporta para o funk de hoje que os meninos faziam no bondinho de Santa Tereza quando iam para o Dois Irmãos ou saiam do colégio público no Largo das Neves. O mesmo funk brincalhão do decantado 5 Vezes Favela. Lembram da cena em que um dos garotos perde uma prova de Matemática ou é mal sucedido na prova, algo assim? Isso imediatamente vira letra de funk, como parte do código de comunicação entre a moçada. Os proibidões também são uma forma de comunicação, a diferença é que são usados como trilha sonora do tráfico, do sexo e da guerra.

Não entendi qual é o problema da cena de estupro, para além do estupro, em si, obviamente. Aguardo o próximo capítulo torcendo para que tenha sido mesmo uma tentativa, que o estupro não seja consumado. Fiquei procurando um instrumento pérfuro-cortante no entorno de Conceição para ajudá-la em sua defesa. Tomara que haja um e que ela tenha condição de reagir. É novo que todos nós chamemos o ocorrido de estupro, com todas as letras. Estupro dentro de casa, patrão estuprando a empregada.

Não consegui ver o mais do mesmo denunciado. Ao contrário, a cena não foi construída como algo normal, corriqueiro, sim, mas normal, não. É corriqueiro porque é acontecimento freqüente para as trabalhadoras domésticas, dentro do local de trabalho. Era comum, naqueles dias, nos dias antes daqueles e continua sendo hoje. Conceição, ao que parece, contará com uma rede de solidariedade negra, uma família que vai acolhê-la e não vai questioná-la. Isso é velho na nossa vivência, mas novo na TV brasileira.

A música de Roberto Carlos é o problema? Por quê? Vi coerência na escolha. Desde criança Conceição trabalha ouvindo Roberto. Ela estava trabalhando e o macho branco indômito tenta forçá-la ao sexo. O cantor faz parte do cotidiano dela, da rotina de todo dia e, certamente, a fantasia do tarado é estuprá-la na circunspecção de sua vidinha, a cozinha, com o rádio e a música habituais. Estamos falando de composição de cena, certo? 

Outra coisa, os críticos não pensaram que a música poderia ser uma alegoria da cotidianidade do estupro? Meninas e mulheres são estupradas durante o dia, quando saem da escola, quando vão comprar pão, quando deixam as crianças na creche, quando estão sozinhas em casa, até dentro do ônibus quase vazio, não só de madrugada, quando saem do baile funk. Se fosse uma música da trilha de Hitchcok acharíamos exagerado. Qual é a trilha sonora adequada a um estupro na teledramaturgia? Existe uma?

Alguém mais atento e lúcido chamou a atenção para o momento em que Vera, personagem de Danielle Ornellas, apresenta a casa para Conceição. Existem quartos, vários quartos! Quantas vezes vimos, na teledramaturgia global, uma casa ampla e arejada, de gente pobre e digna como aquela? Eu nunca havia visto. Quantos de nós tivemos uma casa assim e não a vimos ou vemos representada? Uma casa simples, mas grande, com quintal, amorosa e espaçosa! Subúrbia está mostrando isso. Para os meus olhos cansados que já viram muita coisa insólita sobre o negro na TV, é algo novo.

A amiga de Conceição vai para a igreja e quer levá-la para o seu mundo. Conceição recusa, delicadamente, ela tem sua própria fé, sua santinha Aparecida, como grande parte dos pretos das Minas e dos interiores de São Paulo (olha a diáspora negra aí, gente!). Ela quer experimentar o que é dormir numa cama na casa de verdade de uma família preta, que poderia ser a família dela, que desde o momento da acolhida ela sente como sua família. Conceição quer degustar o que é estar numa casa de verdade, cujos donos são gente igual a ela. Aos desavisados, lembro que a primeira fala da menina Conceição ao chegar à casa da futura patroa branca foi: “é a primeira vez que eu entro numa casa de verdade, tem até televisão.” Desculpem-me irmãos, mas meus olhos cansados que já viram muito do mesmo, estão abertos para enxergar o novo no tratamento da teledramaturgia brasileira aos negros e essa cena, a meu juízo, foi plena de humanidade e significado poético, por isso nova, no formato de abordagem à vida dos negros, em que pese o tipo de personagem negro escolhido para a trama.

Por fim, a cena que mais me emocionou é o primeiro dia efetivo de trabalho da menina Conceição. A singeleza com que ela, criança, não consegue ajeitar o avental, feito para uma mulher adulta e a naturalidade com que a patroa branca a ajuda. É assim mesmo, não é? Conhecemos essa história velha, mostrada, a meu ver, com arte. O afeto camufla a exploração, justifica que crianças negras trabalhem, afinal, a patroa precisava mesmo de uma empregada que dormisse no emprego. Conceição era uma pessoa de bem, digna de cuidar de suas crianças. Ela sentiu isso quando ouviu a história da menina. Deus e o diabo moram nos detalhes, não é?

Fiquei emocionada porque me lembrei que no segundo período do meu curso universitário, quando tinha aulas aos sábados pela manhã. No quarto sábado de aula, quando chegava para subir a rampa da FAFICH, saiu esbaforida de um dos prédios chics que cercavam o antigo e decadente prédio da universidade, uma moça negra que gritava “Parecida, Parecida, me espera”. Aguardei, surpresa. Era Rosana que havia sido minha colega de turma no segundo ano primário, nove anos atrás. Depois de me abraçar, perguntar se eu me lembrava dela e de ouvir minha resposta afirmativa, ela me disse uma das coisas mais marcantes da minha vida: “eu trabalho naquele prédio ali e quando te vi da janela, há três sábados, eu sabia que era você. Eu sabia que você ia conseguir. Eu sabia que você ia fazer faculdade. E eu vim aqui para falar com você, mesmo sem saber se você ia se lembrar de mim, para te dizer que todo sábado de manhã, quando você sobe essas escadas, eu subo junto com você, eu entro junto com você na sala de aula. E quando você sair dali, formada, eu vou me formar junto com você.”

Eu, como vocês imaginam, chorei como choro agora, e só consegui abraçar aquela mulher-gigante e me recostar nos ombros dela, consternada por todo Axé que ela me dava. E, se vocês não entenderam, eu só consegui, como Rosana disse, porque tive uma família digna e amorosa, como a família de Subúrbia e que cuidou de mim como criança, quando eu era criança.

A cena me emociona, porque dentre todas as minhas colegas negras do segundo ano primário, éramos cinco, eu tinha oito, nove anos, elas tinham um pouco mais porque estavam repetindo a série, só eu não trabalhava à tarde como empregada doméstica, como Conceição e Rosana. A primeira na casa da doutoranda, a segunda na casa das professoras da própria escola. 

Quando fui transferida para aquele grupo escolar, vinda de outro melhor, me colocaram no horário-tampão de 11:00 às 15:00, estratégia para otimizar o tempo de funcionamento da escola e garantir vaga para a super população de crianças do bairro operário. Pedi a meu pai que me transferisse para o horário das 7:00 às 11:00 e, por pouco ele não conseguiu, porque eu não trabalhava e poderia estudar no pior horário, segundo a diretora.

Eu me emociono porque até outro dia, meu pai me dava notícia dessas colegas que em dia de eleição, principalmente, passavam na casa dele para ter notícias minhas. Mais de trinta anos se passaram e eu continuava sendo a realização delas. E meu pai me contava que uma tinha cinco filhos, outra aparentava ser muito mais velha do que de fato era, outra tinha varizes assustadoras. Um dia, diante da falta de notícias, perguntei ao pai se elas não passavam mais por lá. Ele respondeu que passavam sim, mas decidira parar de me contar porque percebia que eu ficava triste e chorava escondido. 

Em um lugar ou em outro, de Conceição, de Rosana de Parecida ou de Cidinha, essa é a minha história. É assim a nossa vida e, se nós mesmos não formos capazes de nos reconhecer em Subúrbia, quem será?



Foto: Érika Januza e Paulo Lins / Fabrício Boliveira

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Comentário de Déo Cardoso em 30 novembro 2012 às 12:20

Máximo respeito à Cidinha da Silva (essa preta linda e que tanto me inspira)... máximo respeito a todas as opiniões aqui postadas... legal demais o debate! Sou assíduo espectador do "Subúrbia" e tod@s estão de parabéns... 

Mas, na moral, a gente tá se contentando com muito pouco! 

Vejo lampejos de novidades, e uma tempestade de estereótipos requentados num estilismo poético, e embalados numa estética "instagram"!  

Haroldo Costa e Erika Januza seguem com uma presença de cena marcante e decisiva!


Mas na semana em que sai mais uma estatística apontando negros e negras como maiores vítimas da violência, eu não posso achar genial uma trama que segue reforçando o estigma de negros se armando.

Chega, né?!

Só uma humilde opinião!

Déo Cardoso

Comentário de Paulo César Cardoso em 9 novembro 2012 às 12:09

Salve simpatia!

Fico muito feliz com a oportunidade de ter acesso a espaço como esse, onde temos a chance de compartilhar (partilhar com), ideias, experiências, anseios, pensamentos... Confesso que antes mesmo da estreia de Subúrbia, ainda durante os anúncios da série, estive ansioso e de certo modo, com " o pé atrás"; na expectativa de assistir mais um programa estereotipado, mais do mesmo, enfim como temos acompanhado ao longo da história da TV brasileira. 

No entanto, já no primeiro capítulo fui surpreendido positivamente, sobretudo, quando atento aos créditos, tive a satisfação de ver o grande Paulo Lins, de quem sou admirador, como co roteirista. Um olhar um tanto mais atento e crítico nos possibilitará uma visão mais positiva dessa história.

Parabéns Cidinha, excelente texto! 

Comentário de maria olina souza em 8 novembro 2012 às 22:22
Olá Cidinha, muito bom ler seus comentários, assisti Subúrbia, porque acompanho todas as programações que envolvem atrizes e atores negros.
Nunca acreditei que Paulo Lins faria um trabalho de qualidade duvidosa, sobretudo com esta temática.
Do meu lugar de telespectadora(mas crítica) me emocionei com Subúrbia...vi um povo negro que conheci no Rio Grande onde nasci, as amigas de minhas tias e irmãs mais velhas moravam em casas assim, e contavam chorando mt histórias de estupros, as vezes com gravidez.Que as pessoas vem para as cidades grandes atrás de ilusões a gente bem sabe, minhas duas irmãs também chegaram ao Rio esperando uma recepção de braços abertos(Cristo Redentor), uma cidade que tem um Cristo de braços abertos.....elas casaram com homens que não gostavam, engravidaram,ligaram as trompas no Benfam, pararam de estudar e o resto todo
mundo sabe.Voltando a Suburbia, daqui a pouco vai começar, tomara que a Cidinha assista e comente novamente, para eu não achar que ando distraída e traindo os meus negros princípios de dignidade.
Comentário de Vanderson em 8 novembro 2012 às 21:52

O que "cheirou" este seriado SUBURBIA para muita gente foi mais uma tentativa de tentar escravisar influenciando nossa gente neste catolicismo  barato e ordinário que ARRASOU  também com nossa gente E QUE ALEM DE NUNCA TEREM RESPEITADO NOSSA RELIGIÃO AFRICANA, roubaram e copiaram tudo da gente e alem de tudo, dirigiram suas orações para tudo que de cor preta fosse negativo, como o lado NEGRO da coisa, a coisa esta PRETA  e por ai vai,   como forma subliminar tanto de nos separar como para muita gente branca tambem não gostar da gente e como agora estamos tomando VERGONHA na cara, pois ao passarmos por ai dificilmente se ve um oriental nas favelas ou nas palafitas, pois alem de sempre apesar de seus problemas, mas sempre se UNIRAM e valorizaram suas criatividades, para delas sobreviverem e como agora estamos também, kd dia mais UNIDOS  e nos VALORIZANDO, estão tentando criar todos os tipos de subterfúgios para tentar desfazer , mas  JAMAIS  conseguiram,  mesmo colocando gente de nossa gente como sempre fizeram tentando nos convencer que seria o que querem para nossa gente o certo pois o filme de sofrimento, de escravidão, e etc. que nos impuseram, NUNCA  conseguirão apagar de nossas mentes!

Estão tentando de todas as formas manter o domínio NAZISTAS,  mas a reeleição do Obama,  nas pesquisas mesmo que não queiram mas veio mostrando o que é uma tendência e REALIDADE MUNDIAL que nazistas estão completamente sem força, pois ASIÁTICOS, HOMOSSEXUAIS E PRINCIPALMENTE A NAÇÃO PRETA  e etc. estão kd vez mais UNIDAS!!! Só aqui no Brasil que é vergonhosos a pese-uda sexta economia do mundo pagar para mostrar ao mundo que aqui SERIA  o reduto de nazista que o MUNDO  todo tem NOJO! Como pode um pais feito o nosso completamente MESTIÇO e de maioria de pessoas de cor PRETA, as propagandas que eles próprios se premiam, serem destes aspectos???

1-     E se percebe mais uma NUCLEAR nos pés das igrejas que até bem pouco tempo diziam que pessoas de cor pretas e indígenas não possuíam almas, vem com esta campanha na CONTRA A MÃO  da PAZ,  envergonhando a imagem do ministério publico como sempre a igreja tem feito com entidades que deveriam dar exemplos de seriedades e de justiça, mas ve sujando mais uma vez impreguinando mais mentiras???

2-      Pessoas também e principalmente exotéricas ou até crianças sabem, que ao fazer meditações ou para se acalmar é preciso contar de 10 a 0, pois se contam em ordem progressiva a tendência é a pessoa ficar ainda mais nervosa!

3-       Branco pela paz é NAZISMO EXPLICITO, pois se diz que branco seria a paz é o mesmo de dizer que a pessoa humana da cor preta seria a violência, ( pois ninguém tem orgulho de ser carne podres que é o que significa a palavra negro, que a igreja criou em nome de fazer as pessoas HUMANAS  de cor preta falarem e eles ainda rirem destas pessoas enquanto embranqueciam tudo que a NAÇÃO PRETA  criou) pois PAZ, não tem cor ou que diferença faz a cor de pele ou de roupa para quem rouba ou mata e etc.? e AINDA COLOCAM PESSOAS DE COR PRETA NO MAIOR CINISMO????

Todo mundo sabe que atualmente amarelo e vermelho é pelo VATICANO,  que nos exploram por detrás de todas as políticas do MUNDO e hoje usa  as cores de PORTUGAL ou ALEMANHA com o manto SAGRADO DA PEDOFILIA  e um dos símbolos do NAZISMO? Que o Vaticano vem mais uma vez envolvendo o mundo como fez com Ano do Brasil na França e da Itália, como forma de quem usam as cores assim também vermelho e branco que é pela Suíça é para dizer que todos nas cores destes países estariam dizendo sim ao NAZISMO E A PEDOFILIA! 
 Não dão os braços a torcer, mas darão seus BOLSOS,  pois as campanhas de BOICOTES, com esta frase corre a solta kd dia mais, " SE NÃO DÃO VALORES A NOSSA IMAGEM NEM EMPREGOS A NOSSA GENTE, NÃO MERECEM NEM VER E NEM TER  A COR DA NOSSA GRANA PRETA"! Pois a kd pirracinha de kd propaganda NAZISTA, lembramos do que poderia ser um emprego para uma sobrinha, filho, pai, mãe e etc. de nossa gente, e ai nos dá mais VONTADE, de espalhar mesmo para ninguém COMPRAR estes produtos, e então esta frase , serve para todas as pessoas que são discriminadas nas horas dos empregos ou seja;  idosos, asiáticos  homossexuais, indígenas, pessoas gordas etc. mas principalmente para nossa NAÇÃO PRETA,  que junto com as pessoas brancas que a gente ama e que nos amam também pois, não são racistas ou tem filhas ou pai pretos etc., SOMOS MAIORIA  de consumidores e estamos DESLIGANDO AUDIÊNCIAS E BOICOTANDO MESMO também lojas que só se ve gente por cotas, pois cotas damos de rações a animais e se for assim a RECIPROCA E BEM JUSTA, POIS AGORA O FEITIÇO SE VIROU CONTRA O FEITICEIRO; QUEREMOS COTAS PARA BRANCOS EM TUDO QUE SÃO DE CRIATIVIDADES PRETAS E INDÍGENAS  Ou não seria justo? E não teremos por obrigação de manter cotas por mesmo por lei nem o governo RESPEITOU, pois basta ver a foro da politica que assustou a diplomata da Africa!  Ou mesmo antes nunca vimos um restaurante alemão com  obrigação de dar emprego a dois japoneses? Portanto kd nação sobrevive da sua cultura e a nossa EMBRANQUECERAM  desde os primórdios tempos, podem colocam brancos para cantar Funk ou Hip hop , samba, pagode etc. em programas de gente preta apresentando, mas estes se apresentando em qualquer parte, serão vistos e chamados globalizadamente como LADRÕES dos espaços de trabalho da NAÇÃO PRETA!!!!!

CINZA E PRETO É POISSSSSSSS GALERAAAAAA

Comentário de Valdir Campos Estrela em 8 novembro 2012 às 12:31

Cidinha, assisti o 1º capítulo de subúrbia com grande ansiedade e expectativa por saber que o roteiro é de Paulo Lins e a temática remete à vida cotidiana de uma comunidade negra em permanente interação com o mundo "branco". Seus comentários emocionadoas e emocionantes são altamente pertinentes. Confesso que minha primeira impressão foi a de que a série apresentou estereótipos de maneira requentada visando dar-lhe um ar de glamour. Mas realmente vc tem razão, mesmo sendo na Globo, temos que observar um pouco mais e dar crédito a quem merece o que é o caso de Lins. De qualquer modo é um avanço essa série. Devemos agora cobrar da Globo que possui concessão pública que contrate diretores negros como por exemplo Jeferson Dee para dirigir outras séries como Subúrbia e com protagonistas principais negros. Axé. 

Comentário de Marcos Romão em 7 novembro 2012 às 8:02

Cidinha,

uma coisa mais, Subúrbia já me proporcionou. A possibilidade de ler este seu texto enxuto e denso sobre as nossas vivências.

Você me fez ver o monte de vivências que poderão se ver retratadas nesta série enquanto ela durar.

Vão ser muitas as opiniões que esta série despertará e já despertou. Talvez seja esta a caixa de Pandora, que  os produtores tenham tanto medo de abrir.

Assistir uma produção com quase 100% de atores negros no Brasil, já é algo para me fazer parar para pensar. Pensar e apostar que o espectador produzirá a sua própria leitura de um livro na tela, que até agora não tinha sido escrito.

Já depois do primeiro capítulo, vejo agora, nenhuma atriz ou ator negro, ou nenhuma espectadora ou espectador do Brasil serão mais os mesmos. Aconteceu, a sorte está lançada. Obrigado, Cidinha da Silva por nos lembrar de tantas existências e vivências.

Comentário de Célia Cris em 5 novembro 2012 às 12:07

Olá,Cidinha!

Assisti ao 1º capitulo de Suburbia..ainda estou avaliando...mas o que você postou, nos alerta para assistirmos ao seriado com olhos bem atentos e críticos...temos uma história..que nem todos conhecem com clareza..

Na expectativa por um relato coerente com a realidade brasileira do negro...aguardemos.

Comentário de Déo Cardoso em 5 novembro 2012 às 9:23

Olá Cidinha, tudo bem?

Gostei muito da sua análise. Também fiz uma análise do 1° capítulo de "Subúrbia", uma obra pela qual eu nutro imensa expectativa. Como um cineasta menor, é sempre muito complicado e perigoso pra mim analisar obras audiovisuais de outros roteiristas/cineastas. Os riscos de cair num egocentrismo do tipo "eu faria de outra forma" são sempre latentes.

Sempre fui um fã inveterado de Paulo Lins, desde que li um de seus contos na "Caros Amigos - Literatura Marginal" e de lá pra cá li tudo o que ele escreveu - com exceção de seu último "Desde que o samba é samba".

Quando eu empreguei o adjetivo "insider" não quis reduzi-lo a um "porta-voz" da Globo, mas simplesmente ao fato de que o Paulo, ao contrário dos demais autores, talvez seja o único ali que pertence à realidade retratada. Uma dúvida que eu realmente tenho é, numa obra como essa, até onde vai a autonomia do roteirista com relação ao tratamento dado pela direção.

Não sei se Paulo escreveu por encomenda (o que em hipótese alguma significa um trabalho menor) ou se ele apresentou "Subúrbia" à direção dramatúrgica da Globo. Pelos artigos que andei lendo, a ideia foi do Luiz Fernando Carvalho (diretor) baseado na empregada doméstica que o criou. Mas isso só o próprio possa me responder.

O "novo", em nossa conversa, é algo muito subjetivo. Na minha análise fui bem claro que criei uma expectativa quanto a algo "novo" na TV envolvendo a temática e a estética, não à abordagem nova de algo corriqueiro.

Gosto desse debate e espero que mais pessoas se envolvam, cada um com seu ponto de vista. Isso é muito bacana e positivo. Uma minissérie dessa magnitude, tendo como autor um dos nossos, é vital para nossos anseios. 

E que venham os próximos capítulos.

PS.: em meu recente curta-metragem, ainda em produção, menciono você em um dos diálogos. Assim que tiver pronto, gostaria de enviar uma cópia!

Beijo!

DC

Translation:

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