Terapia do eletro choque: Copa do Mundo e Copa das Confederações

    

                                                            


As manifestações dos últimos dias do Movimento Passe Livre, relativas ao aumento da tarifação do transporte coletivo, de maneira especial, fizeram entrar mais uma vez em erupção, o vulcão "Cidadania" localizado em milha ilha particular, de forma tão solitária.
Dessa vez, parece-me que a Copa do Mundo e a Copa das Confederações como tem sido há décadas, não servirão como terapia de eletro choque, para sedar ou imobilizar a opinião pública, como se ela fosse um paciente psiquiátrico, acometido de idiotia mental e ausência total de lucidez; uma das estratégias políticas para alienar, subjugar e controlar os ímpetos de cidadania e insatisfação dos cidadãos brasileiros. O Brasil nunca foi “o país da cerveja, do carnaval e do futebol”, tentaram fazer-nos acreditar que éramos apenas e tão somente “isso”, para que com “isso” nos contentássemos e aquietássemos.
Os sedativos já não fazem mais efeito. As camisas de força, agora serão usadas para os verdadeiros alienados da verdade, a verdade que permeia este país: lugar de trabalhador, de gente honesta, batalhadora e cansada de ser explorada e subestimada em sua bondade, paciência, inteligência e boa fé. Os momentos de entretenimento fazem parte do direito á qualidade de vida, e deles usufruímos não como forma de alienação, mas como forma de descanso merecido, após aquela semana enfadonha, em que oferecermos para a sociedade, a parte que nos cabe como responsabilidade na construção e no desenvolvimento do nosso país, enfrentando um dos transportes coletivos mais caros do mundo, e nas piores condições possíveis: como gados “carregados” para o abatedouro, para sermos expurgados no próximo ponto de descarregamento.
No entanto, aguardamos desse esforço hercúleo, a resposta do governo, que tem a obrigação de devolver em saúde, educação, segurança, transporte decente, cultura e lazer, o imposto absurdo que pagamos, os encargos sociais obrigatórios a que estamos sujeitos.
Em meio a noites de sono mal dormidas, em virtude da ameaça constante que se tornou a violência urbana em nossa cidade, somos levados de roldão, aguardando a próxima notícia tele jornalística, com mais um crime de latrocínio.  
Não, os alucinógenos já não estão mais fazendo efeito, e a solução para esse descaso com a população brasileira, fatalmente viria da revolta, da insubmissão e da rebeldia dos jovens dos nossos dias, que já não suportam mais deixar suas mães, pais e entes queridos acordados até altas horas da noite, sem saberem se seus filhos voltarão da festinha do amigo, do estágio da faculdade ou do simples passeio de bicicleta, na avenida ao lado de casa. Discurso demagógico ou desabafo de uma voz perdida na multidão? Discurso ideológico de uma voz que ecoa na multidão.
Eu, Cristiane Souza, cidadã brasileira, em pleno gozo das minhas faculdades mentais, decido quando, como e de que forma quero ser medicada, pois para a doença que me corrói a alma e turbilhona meus pensamentos neste momento (indignação) só há um remédio: o respeito, a dignidade. 

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