Terreiros convidam para a “II Caminhada do Recôncavo – O Povo de Santo pela liberdade religiosa”, no próximo domingo (27), na cidade de Cachoeira (Bahia)

 

 

A série de ataques sofridos pelo Terreiro Zogbodo Malê Bogum Seja Unde (Roça do Ventura), localizado em Cachoeira, e a busca pela efetivação do tombamento deste terreiro – um dos mais antigos do país – pelo IPHAN como patrimônio cultural do Brasil são os principais motivos para a realização da “II Caminhada do Recôncavo – O Povo de Santo pela liberdade religiosa”, no próximo domingo, com concentração às 9h, na Rua da Feira, no município de Cachoeira.


A Caminhada, um realização do Terreiro Seja Unde e Munzanzu Produções, reunirá as comunidades de terreiros e o povo de santo da região do Recôncavo Baiano e do estado da Bahia para protestar contra a invasão, destruição e ocupação das terras sagradas e para caminhar pela liberdade de fé e respeito aos cultos das religiões de matriz africana. O encerramento da II Caminhada ficará por conta da apresentações dos grupos locais Samba de Dona Dalva, Esmola Cantada, Gêge-nago, Samba de roda Filhos do Caquende, além da participação do Olodum, com o oferecimento de uma feijoada. A “II Caminhada do Recôncavo – O Povo de Santo pela liberdade religiosa” tem patrocínio do projeto Novembro Negro da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi) e conta com o apoio da CESE, Ofarerê Produções e Fundação Paulo Dias Adorno.

 

Durante a Caminhada, o povo de santo fará uma homenagem póstuma a dois importantes mestres da sabedoria dos cultos das religiões de matriz africana do Recôncavo Baiano:

 

 

- Pejigan Irineu Ferreira, do Terreiro Raiz de Airá, situado no município de São Félix. Ao lado da Yalaxé Mariah Kecy, Seu Irineu comandou o terreiro, um dos mais tradicionais da região de nação nagô-vodun. Filho de Ogum com Iemanjá, "Seu" Irineu tinha como uma das características o notório saber, fruto do amor, vivência e dedicação dada à religião e, principalmente, aos orixás. Ele era mestre de obras e exerceu um importante papel na construção da Barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu. "Seu" Irineu faleceu aos 87 anos em março de 2011.

 

 

 

 

- "Seu" Benzinho, considerado um religioso dos mais sábios da nação angola na Bahia, era Tata Kuxikaringoma Ncondiandembo do Terreiro Tumba Junçara, referência forte da tradição angola. Ele participou de muitas fundações de terreiros desta nação no Estado e era mestre nas artes dos toques de atabaques do Tumba Junçara, sendo inclusive amigo e contemporâneo do Pejigan Irineu. Ambos eram referência para a história do candomblé baiano. "Seu" Benzinho faleceu aos 96 anos em agosto de 2011. 

 

 

Intolerância Religiosa
O Terreiro Seja Hunde, fundado em 1854, teve em 2010 suas terras invadidas e 12 hectares devastados pela ação de grileiros e especulação mobiliária. A construção de um empreendimento na área causou a derrubada de árvores sagradas centenárias, destruindo louças do século passado que constituíam assentamentos (ibá) dos vodun ali cultuados, além de causar danos ao que restou do Barracão da Roça de Cima e o aterramento da Lagoa de Nanã. A devastação ambiental cometida pelo empreendimento imobiliário destruiu parte de uma área tombada, que é a cidade de Cachoeira e um espaço especialmente protegido pela norma do IPHAN.


Em janeiro deste ano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou provisoriamente a Roça do Ventura, como é chamado o terreiro de nação jeje-mahin. No entanto, o povo de santo da Casa aguarda a liberação do tombamento oficial, que garantirá o reconhecimento da Roça do Ventura por parte do Estado, sua proteção e conservação.

 

Registro em Vídeo
Este ano, junto da II Caminhada do Recôncavo, acontece a produção de um documentário de registro e memória do povo de santo desta região, com destaque para a história da família jeje-mahin na Bahia. O Recôncavo Baiano é um dos territórios do Estado que é marcado pela forte memória e presença religiosa de origem africana, na região são cerca de 65 terreiros de candomblé de diversas nações, da umbanda e do culto aos caboclos. Dessa maneira, o registro em audiovisual, uma realização da Munzanzu Produções, fará parte das ações para efetivação do tombamento da Roça do Ventura e servirá como importante material para o povo de santo e sua luta pela liberdade de fé.

 

Programação
9h – Concentração (Local: Rua da Feira)
12h Encerramento (Local: Praça da Aclamação)
Atrações culturais: Samba de Dona Dalva, Esmola Cantada, Gêge-nago,
Samba de roda Filhos do Caquende e Olodum.

 

Produção:
Juê Olivia: juolivia@gmail.com – 71 9113-3182
Virgínia Nunes: virginia.ufrb@gmail.com - 71 9161-3849

 

 

 

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