“Tinha que ser preto!” o racismo brasileiro não descansa nem na Copa

O racismo brasileiro não descansa nem em abertura de Copa do Mundo. Após o jogado Marcelo da seleção brasileira marcar um gol contra no jogo  Brasil x Croácia, em São Paulo, dezenas de pessoas resolveram atribuir o errao ao fato do jogador ser negro. Veja abaixo alguns comentários publicados pelo jornal Estadão. 

 

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Comentário de Adelson Silva de Brito em 24 junho 2014 às 9:44

Flávio, devo endorsar suas colocações e enfatizar que vi, senti, ouvi, vivenciei a experiencia eugenista e perversa, que se torna uma das bases de sustentação da impunidade e do desequilíbrio legal vigente no "Projeto de Brasil".Não nos damos consciência de que o fato de policiais se sentirem no direito de executar cidadãos certos de que não serão efetivamente punidos, tem como base uma atitude fomentada pela herança constitucional que se insere na "Cultura brasileira". Quer ver? A Constituição do Império( e não estamos tão longe dela,basta tomar como evidencia atitudes como "tinha que ser preto" e etc e o principal denominador da desigualdade: Leis que "pegam" e leis que "não pegam".Está indiscutivelmente patente que o respeito a vida humana é uma "lei que não pegou". A Constituição do Império de 25 de março de 1824, no seu inciso XIII do Artigo 179,versa sobre a "igualdade entre os cidadãos perante a Lei" tanto quanto "a recompensa, quanto com respeito a punições": Será que preciso ir mais diante para evidenciar que no Brasil se prega a Lei do Papel e se exerce a Lei da Elites, ou será suficiente sinalizar que essa "Lei de Igualdades" não incluiu a escravidão?

Comentário de Flavio M Oliveira em 24 junho 2014 às 0:04

Creio eu, Adelson, que existe padrões culturais desenvolvidos e outros bem atrasados, como é o caso do Brasil, onde a maioria dos negros e negras acha bonito negar que são negros, e são até incentivados a isso.

Na verdade eu já havia lido sobre a Soledad O'brien na internet de lingua ingleza. Ela é filha de mãe negra e pai branco, e declarou que desde a infância sua mãe sempre a orientava dizendo: Não deixe ninguém dizer que você não é negra!  Mas no Brasil é totalmente o contrário. Aqui tem muita mulher negra que faz questão de engravidar de homens brancos [mesmo quando não é casada com eles] para atenuar a negritude dos futuros filhos via miscigenação, e depois que criança nasce, dizem que o filho, ou filha, não é negro. E passam o resto da vida em uma atitude de cinismo, como se não soubessem que "moreninho" não é identidade racial, mas apenas tom de pele.

A cantora norte-americana Mariah Carey [cuja mãe é branca e o pai é um negro de origem venezuelana], também tem um tipo físico bem diferente do fenótipo africano tradicional, e se assume como negra.

Percebe-se que em um país de cultura mais desenvolvida, o negro [mesmo bem miscigenado] faz questão de abraçar a negritude, enquanto que, no Brasil, o que predomina é a negação. É uma palhaçada esse "país de faz de conta"!

Assim sendo, eu procuro conscientizar os irmãos sobre o atraso que é para nós, negros brasileiros, usar qualquer expressão que crie a ilusão de não ser negro; seja moreno, mulato, sarará ou qualquer outro termo semelhante, porque assim estamos reforçando um padrão cultural subdesenvolvido, e promovendo o projeto elitista de branqueamento da população afro-brasileira.

Comentário de Adelson Silva de Brito em 22 junho 2014 às 10:15

Em tempo, devo sinalizar o tema que voce levantou Irmao Flávio. É que nos Estados Unidos da América, os negros de pele clara, ou como se diz por lá os "light skinned blacks" fazem um capítulo a parte no que toca a evidencia de conscientizaçao do negro com relaçao ao sistema que aposta no fracionamento do contingente éticnico mediante a distribuiçao de privilégios com base em "padrões cromáticos",como acontece aqui no Brasil. Aqui, a gente escuta a história de "melhorar a raça brasieira" mediante a aplicação de uma eugenia tupiniquim. Aqui os negros de pele clara "se  assumem" brancos,reduzindo a intensidade dessa proposta em conseqeuncia da adoção do "sistema de cotas" (rsrsrs). Nos Estados Unidos, a jornalista Soledad O´Brien, uma negra de pele clara, faz questão de colocar essa característica étnica sempre que a oportunidade surge. Se quer vê-la assista a especiais sobre o tema raça e etnia na CNN. É necessário acessar canais de TV em outros idiomas para ver que a visão de mundo não se reduz ao critério étnico-racial erucentrico adotado aqui no Brasil.

Comentário de Paulo AntonioM Moreira em 21 junho 2014 às 17:03

SOMOS   TODOS  IGUAIS.......TAÍ  O  PRECONCEITOOOOOO

Comentário de Adelson Silva de Brito em 17 junho 2014 às 9:55

Irmãos Flávio Oliveira, Bruno Igor

Sem tempo disponível para elaboração de textos na medida que o tema exige, busco estar sempre próximo do palco dos eventos.Torna-se cada vez mais necessário intervir no sistema direcionando a criação de políticas públicas que prestigiem a verdadeira elevação da autoestima do afrodescendente, desviando do atual curso de coisas que privilegiam uma abordagem cosmética, supérflua enquanto irrelevante. Chega de projetos sociais que restringem as nossas crianças a bater tambor e jogar capoeira.Chega de farsas públicas, de criação de cotas espúrias que perpetuam a escravidão enquanto profissionalizam a pobreza de cara afrodescendente. Chega de usar o imposto que o afrodescendente paga para delinear o seu isolamento e marginalização. CHEGA de eleger o dinheiro gerado pela corrupção legalizada como PRE-REQUISITO o para alocação de lideres na linha de frente política.CHEGA,CHEGA, BASTA!!!

Comentário de Flavio M Oliveira em 17 junho 2014 às 1:23

Comentários iluminados os seus, Adelson. Mas eu penso que se vamos considerar o falecido Roberto Marinho e seus descendentes como não-brancos, é melhor que os consideremos como "negros de pele clara", e não mulatos! Em países de cultura mais desenvolvida, o afrodescendente pode ter a pele claríssima que não é colocado em um lugar intermediário entre brancos e negros. Conquanto as pseudo-identidades criadas no Brasil (mulato, moreno, caboclo e outras) tem sido continuamente usadas para nos dividir entre quem é "mais negro" e quem é "menos negro", e isso também é uma conduta eugenista. Igual à atitude do jornalista da Globo que se referiu ao Luis Gustavo como "moreno", pois um negro que se destaca no Brasil (chegando inclusive à seleção brasileira) não é negro de jeito nenhum, é no máximo um "moreno"! Mas quando comete algum erro, vira negão na mesma hora... Tinha que ser preto!

Grande abraço, irmão Adelson!

Comentário de BRUNO IGOR RODRIGUES em 16 junho 2014 às 16:19

Olá Adelson Silva,

 

Você tem toda razão! Você disse o que eu quis dizer...

 

Obrigado.

Comentário de Rosivalda Barreto em 16 junho 2014 às 6:01

Quando Daniel Alves foio desrespeitado na Espanha por um torcedor, o torcedor foi punido. Não entrará mais no campo. Onde estão todas as pessoas que escreveram textos mirabolantes sobre aquele fato? Onde estão todas as pessoas que se transformaram em macacos para defender o jogador brasileiro? As pessoas que escreveram "só pode ser preto" estão identificada nos seus twiters, onde está o Movimento Negro que não toma uma providência? Ok, estamos todos felizes com a copa que podemos deixar isso ( esse ato racista) passar em brancas nuvens sem nenhuma punição para quem escreveu isso!! É por essas e outras que penso que o negro no Brasil jamais será respeitado, or que aceita muita coisa e é um fogo de palha. Tanto protesto contra a copa e estão todos baixando as calças para ela e para alguns políticos brasileiros que se beneficiaram com esse evento e o tal legado deixado por esse evento será M pura!!! Nós negro brasileiros precisamos tomar muito suco de laranja para aprendermos de verdade a defender os nossos direitos!!!

Comentário de Paulo Cunha em 15 junho 2014 às 14:28

É muita falta de vergonha na cara alguns brancos dizerem: TINHA QUE SER PRETO, e outras frases do tipo! Eles desconsideram o fato de que a maior parte de sua história é PODRE.

Roubaram um continente inteiro, mas lemos nos livros didáticos que houve uma colonização das Américas.. Colonização?? Os invasores europeus matavam não somente os guerreiros que se opunham à espoliação de suas terras, mas também as mulheres, para que não trouxessem novas gerações de indígenas ao mundo, e também as crianças, pois elas poderiam se tornar adultos “rebeldes”.

Resta saber se o conceito de rebelde se aplica a quem defende o que é seu; pois se alguém está na terra que pertence a seu povo a milênios, e de repente dizem: Esta terra agora nos pertence! É óbvio que o indivíduo não vai entregar pacificamente o que é seu. Mas os livros são escritos pelos descendentes diretos dos invasores, por isso colocam seus ancestrais num pedestal, como pacíficos colonizadores ou heróicos desbravadores, quando na verdade eram ladrões e assassinos, responsáveis pelo maior genocídio da história da humanidade, tendo levado os indígenas à beira do extermínio pra ficar com suas terras.

E como se não bastasse, ainda seqüestraram milhões de africanos (nossos ancestrais) pra forçá-los a cultivar as terras roubadas, porque não tiveram disposição para fazê-lo por si mesmos.. Contudo, o negro é que é o preguiçoso, o branco não!

Vamos listar os crimes cometidos pela raça superior? ASSASSINATO em larga escala configurando um verdadeiro genocídio; ROUBO de um continente inteiro (América do Sul, América Central e América do Norte); SEQÜESTRO de milhões de pessoas para trabalhos forçados, acrescido de ESTUPROS e exploração sexual das escravizadas.

Será que tudo isso se compara a um mero gol contra?

Não se esqueçam: O NEGRO É QUE É O BANDIDO.. O BRANCO NÃO!

Comentário de Adelson Silva de Brito em 15 junho 2014 às 10:59

Alô Bruno Igor:Meu respeito a você, jovem. Que a sua fala, venha, em um dia do futuro ser a fala do Brasil. Mas note que muita coisa precisa mudar, e mudanças só acontecem quando culturas mudam. Por exemplo, colocar em definitivo no arquivo morto do anedotário nacional essa insistência de dizer que o nego quando não "suja na entrada" ( e sees comentário sobre o Marcelo ilustra indubitavelmente essa atitude), vai sujar na saída. é querer colocar no cenário naicional um Brasil que é País de branco" quando as coisas "dão certo" e "país de pretos" quando o caso é contrário. Isso nao é brincadeira e não deve ser aceito como brincadeira. Brincadeira tem hora.

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