Um bairro chamado Liberdade......................

Um bairro chamado Liberdade......................

Por Jaqueline Barreto e Elton Martins/ Da Redação do Portal Omi-Dúdu

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Ruas, becos e vielas. Pessoas de um lado a outro. Gente. Muita gente. O bate-bate entre quem transita nesse bairro é algo mais que normal. Lá, todos os tipos de comércio têm espaço: ambulantes informais que vendem flores, acessórios, sandálias, bolsas, lanches, estabelecimentos tradicionais vendendo eletrodomésticos, roupas, e, é claro, a famosa feira do Japão conhecida pela diversidade de produtos e pelos baixos preços. Sons vindos dos camelôs na tentativa de levar o “ganha pão” para casa, buzinas dos carros e ônibus, crianças, tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, em perfeita harmonia.

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A antiga estrada das boiadas onde era passagem para os bois que eram vendidos no sertão foi batizada com o nome de “Liberdade” devido à passagem do exército brasileiro que, na época, lutava pela independência da Bahia, em 1823. Após o fim da escravidão, esse bairro foi povoado por negros libertos e ex-escravos. Censos apontam esse local como o de maior concentração da população negra do Brasil. Só que, a negritude desse bairro não se restringe a meros dados demográficos.

A cada passo dado nos deparamos com as mais diversas manifestações dos “negões” e “negonas”. Sem sombra de dúvida, esse local respira e representa a cultura afro-brasileira em seus múltiplos aspectos: é o pagodinho, o sambinha, a cervejinha gelada, os terreiros de candomblé, entre outros.. Falar em estética negra é tocar em uma das suas principais marcas e referências. Penteados exóticos, tranças dos mais variados modelos e estilos, dreadslooks, cabelos blacks e de todos os gostos.

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A beleza, genuinamente negra, é famosa internacionalmente. A presença do bloco afro Ilê Aiyê além de ter proporcionado maior visibilidade na mídia ajudou e continua ajudando no processo de auto-estima dessas meninas e meninos que nascem e crescem ouvindo os “Mais belos dos belos”. Desse modo, ser negro e assim se apresentar perante a sociedade é motivo de orgulho e resistência. “As deusas do ébano” sobem e descem a ladeira do Curuzu esbanjando carisma e beleza.

Os salões afro de Jackson e Jerusa Menezes não são apenas salões e, sim, locais que possuem uma carga simbólica e representativa incomensuráveis se tomarmos como pressuposto uma sociedade alicerçada na política e no ideal do branqueamento. Assim, andar pela Liberdade é entrar em contato com um cantinho único e singular da “baianidade” e suas respectivas problematizações.

Conferir foto-documentário em: http://nucleoomidudu.org.br/noticias/um-bairro-chamado-liberdade---... / Conttao: jaquelnebarreto2008@hotmail.com /8788-7261

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Comentário de Teresa Crisitna Freitas em 14 julho 2010 às 11:35
Tenho muito orgulho em dizer que sou filha da Liberdade, a 30 anos atrás, podiamos curtir o Ilê Ayê no Curuzú com um simples palco de madeira, onde todos dançavam e cantavam no meio da rua todos os sábados, e até hoje o bairro da Liberdade não perdeu o encanto onde negros e negras lindas fazem a força e a resistência nos Guetos preservando a cultura afro-brasileira.
Comentário de Jorge Washington em 13 julho 2010 às 14:06
Uma coisa que me orgulha muito aqui na Liberdade de hoje é o fato da juventude negra ter sua auto estima muito firmada na estética negra. Aqui os jovens negros assumem muito francamente seus cabelos black power, suas tranças, seus dreads; aqui você vê muitas pessoas trajando roupas com referências africanas, como turbantes. Dá pra perceber que a referência de beleza negra aqui na Liberdade traz realmente elementos de negritude que eu convivi na minha época de criança. E isso ainda me orgulha aqui na Liberdade.

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