Após, aproximadamente, dezessete meses do Massacre de Shaperville na África do Sul, no dia 21 de março de 1960, nasce o menino Barack Obama, no início de agosto de 1961. De lá para cá, o menino se fez homem e presidente do poderoso Estados Unidos da América. Nesses cinquenta anos o mundo experimentou mudanças profundas na sua geopolítica e o Brasil quebrou paradigmas nas suas relações de poder. Implodimos o Colégio Eleitoral e vencemos
a ditadura militar, construímos uma Constituição mais cidadã e avançamos na elasticidade democrática elegendo um presidente inspirado pela ótica dos oprimidos. Mas ainda assim, registramos dados de racismo e discriminação frutos da cultura racista que hierarquiza seres humanos. Uma cultura que mantém valores, mentes e crenças presas nas correntes do passado.


A luta para a construção de uma sociedade menos desigual e que promova a igualdade racial é pauta das agendas dos governos municipal, estadual e federal, mas impulsionada pelo Movimento Social Negro Brasileiro que conseguiu agendar a sociedade com o tema que antes mereceu rejeição fora dos territórios da militância negra. Ainda no governo Lula, em 20 dejulho do ano passado, o Brasil conheceu o Estatuto Nacional da Igualdade Racial. Agora, oito meses depois, no mesmo Salão Nobre do Itamaraty, em Brasília, onde o primeiro presidente operário sancionou o primeiro Estatuto da inclusão racial, a primeira mulher a presidir o Brasil, recepciona o primeiro negro a presidir os Estados Unidos. Uma foto jamais vista!


A visita da família Obama ao Brasil é o melhor retrato do futuro que a comunidade brasileira pode projetar para os milhares de Obamas e as milhares Michelles espalhadas nas periferias das nossas cidades. Basta que oportunizemos e alimentemos os sonhos da meninada negra brasileira. Será uma boa homenagem à memória dos revoltosos massacrados pelo regime do apartheid naquele 21 de março. O dia em que a ONU estabeleceu como o Dia de Luta pelaEliminação da Discriminação Racial.


Ailton Ferreira, sociólogo, secretário Municipal da Reparação de Salvador e Elói Ferreira,
presidente da Fundação Cultural Palmares

Exibições: 71

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2019   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço