“Uma universidade preta para o futuro”


Assim começou, na fala do diretor Lázaro Cunha, a sétima edição do VII Festival de Arte, Cultura e Ciência do Instituto Steve Biko, na noite de ontem (30)

Resistência, ousadia e reparação foram as palavras de ordem da abertura do VII Festival de Arte, Cultura e Ciência do Instituto Cultural Steve Biko. Cerca de 200 pessoas, entre jovens, adultos e idosos, lotaram o auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia para festejar os 18 anos da Biko e ouvir os discursos sinceros e comoventes das professoras Ceres Santos, Edenice Santana e Geri Augusto. Estiveram presentes na comemoração, alunos e professores do Instituto, as mulheres da Associação do Alto das Pombas, ativistas do movimento negro, artistas e políticos, como o candidato a Deputado Federal Luiz Alberto, o vereador Moisés Rocha e candidato ao Senado Walter Pinheiro.

A apresentação do Instituto foi feita pelo diretor de Projetos e Comunicação Lázaro Cunha, que fez um resgate sobre como o nascimento da Biko, que segundo ele, foi fruto da indignação da juventude negra soteropolitana. “Um grupos de jovens se reuniram param confrontar a academia racista. O que formamos foi uma conspiração de problemáticos para o sistema e somos até hoje”, ressaltou. Cunha destacou também o papel das mulheres durante o processo de construção do Instituto, que com força e coragem lutaram pelo acesso de jovens negros às universidades e dessa forma “lutaram para ocuparmos os espaços, na autonomia de nossas decisões e principalmente pelas medidas reparatórias”, salientou.

Logo em seguida, a coordenadora de projetos Jucy Silva falou sobre as realizações e os efeitos da Biko nos últimos 18 anos, que possibilitaram o ingresso de mais de 1.500 jovens às universidades públicas e privadas, como o Pré Biko (Pré-vestibular), o acesso a bens culturais (teatro, cinema etc) e principalmente a elevação da auto-estima, através do regaste da ancestralidade africana e da cidadania e consciência negra, coma disciplina CCN. “A Biko é transformadora, disso eu tenho certeza. São 18 anos de muita luta, garra, resistência e serão mais 10, 18 mil anos de ação afirmativa”, elogiou Silva.

O seminário que debateu o tema "18 anos de Cidadania e Consciência Negra: Transgredindo Espaços; Transformando Realidades", com as professorsa Ceres Santos, Edenice Santana e Geri Augusto que levaram ao público um momento de reflexão sobre as ações cotidianas para o enfrentamento ao racismo e principalmente a aliança da comunidade negra, com sua ousadia e resistência para construção de uma conjuntura benéfica e uma universidade negra.

Na mesa, da esquerda para direita, Geri Augusto, Edenice Santana, Lázaro Cunha e Ceres Santos.

“A crueldade do racismo nos faz ser a vítima e também o agente para mudar esta situação. Foi essa intranquilidade que fez um grupos de jovens negros criar uma ação pioneira, como é a Biko. Então é através dessa nossa inquietação que devemos agir e essa juventude negra que está estudando são os guardiães dessa luta ”, concluiu a professora e jornalista Ceres Santos.

E hoje será mais um dia de festa para o Instituto Steve Biko. A partir das 16h, na Praça Tereza Batista (Pelourinho), acontecerá a apresentação gratuita dos artistas Juliana Ribeiro, Talentos Bikudos, Lazzo, Os Negões, Dj Sankofa, RBF, Afro Jhow, Didá, Aloísio Menezes e Aro 7.

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Comentário de Paulo Rogério em 2 agosto 2010 às 8:40
Parabéns, Instituto Steve Biko. Tenho muito orgulho de ser um bikudo!!!

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