Uma visão politica sobre o RAP no Brasil, por Enderson Araújo

O Rap no Brasil é presente há mais duas décadas e desde então tem como principal missão ou função levar as falas dos excluídos para o mundo e cobrar mudanças. Isso lhe confere o direito, assim como de qualquer outro cidadão ou grupo social, de discutir e questionar a política, a economia, o acesso à educação, à saúde e etc e de inclusive refletir sobre suas próprias atitudes.Entretanto, o processo de massificação do estilo na mídia ou por conta das manobras mercadológicas da indústria fonográfica, tem feito a Velha Escola do Hip Hop e do Rap repensar suas estratégias para a manutenção e resistência do estilo. Para mim o rap sofre um processo de crescimento muito rápido, no entanto, vem perdendo na qualidade e na crítica.
O rap cresceu muito, ganhou quantidade e perdeu em qualidade e esse é um de seus defeitos e isso é um reflexo de uma série de faltas na periferia. As pessoas não lêem, não estudam, não tem trabalho. Além disso, muitos grupos só fazem rap por grana, dinheiro e assim acabam usando sempre as mesmas fontes até que ela esteja saturada ou porque tem medo de sair dos assuntos, que hoje estão em pauta, como o crime, as armas, as drogas. Mas isso é um erro, porque a mensagem, o coração tem que ser colocados em primeiro lugar, como diz o Mano Brown, um por amor, dois por dinheiro.  O dinheiro é a conseqüência, mesmo que ele ainda seja pouco, afinal o Rap é para um público que não tem dinheiro e o máximo que se pode alcançar é um estágio mínimo, respeitável.

Mano Brown, DJ Kl Jay, Edy Rock e Ice Blue - Racionais Mc's Grupo de Rap Brasileiro com Maior Requisito.

O rap não perdeu sua função social, seu compromisso ao passar uma mensagem, ao  representar a favela, a periferia, a coisa se expande, prolifera.   O rap é um conjunto de palavras e mensagens jogadas no ar e absorve isso quem se identifica. Quem escrevendo RAP sabe da responsabilidade que isso tem. Por outro lado, sempre existe gente nova. Quando o CD chega a uma família de classe média ou alta, não acredito que isso pode mudar o raciocínio delas em relação à periferia, aos problemas sociais, Dificilmente, 1%, sempre tem alguém, mas eu não estou do lado de lá e por isso é difícil responder. Aqueles que dizem fazer caridade e tem cerca elétrica em casa tem medo.   Tem medo porque devem e são essas pessoas que bancam a opressão.Mas ai vc mim pergunta, o documentário Falcão, produzido pelo MV Bill e Celso Athayde, exibido em canal aberto, não fizeram as pessoas refletirem sobre o problema? De verdade muito pouco. Eu vejo por outro lado.

Celso Athayde e Mv Bill Autores do Livro Falcão - Meninos do Tráfico

 

 

 O MV Bill lançou o livro na Daslu, tudo bem, essa loja vende. Pelo que eu li ela contribui ou pode contribuir com a Cufa (Central Única das Favelas), com a Cidade de Deus. Eu sei que isso não vai mudar a Cidade de Deus, ainda é pouco, mas para quem está na periferia, a Cufa é um puta incentivo. Se a Central Única das Favelas conseguir mudar a vida de 100 pessoas isso já vai ser uma semente e o MV Bill que não estará para sempre nisso, terá provado que é possível fazer mudanças e as coisas continuarão acontecendo. Por isso, eu bato palmas, de pé, para o Falcão, mesmo com muita gente criticando a iniciativa. Todo mundo fala, mas quero ver fazer. Ele fez, e mais, como ele vai manter uma instituição como a Cufa se ele não for na Daslu, no Shopping Vila Lobos se isso tudo é fonte de dinheiro? Onde está o dinheiro? Na classe média, alta e é preciso alguém ir lá buscar. E quem está indo buscar? Quem está sendo Robin Hood? É o Bill, mas as pessoas não entendem isso, estão com ciúme, inveja, dor de cotovelo, recalque. A favela não tem dinheiro então ele tem que ir lá buscar, levar para a Cidade Deus e ter o dele também, porque trabalhou dignamente. O documentário fez as pessoas pararem para olhar, analisar, discutir e polemizar. Eu apoio totalmente, isso é uma revolução. O MV Bill (no documentário) falou a verdade, bem falada, bem filmada. Mas as palavras não são vazias, toda ação tem uma reação e o que você fala volta e o Bill sabe disso, sabe da cobrança, mas está preparado. Por isso, sempre que eu puder, até que me provem o contrário, vou defender e apoiar o projeto dele, porque é para o bem, para a Cidade de Deus. Ele é inteligente, e o Celso também, ele tem uma visão administrativa, comercial e tem que existir vários assim no movimento hip hop porque as pessoas que estão na política só pensam em si, no bolso, são egoístas e mentirosas. Temos que reinventar, começar tudo outra vez, tem que prender esses caras aí. Mas, quem vai prender?
O Brasil é preconceituoso em relação à cor, raça, credo, a tudo, é uma mentira e, por isso, eu não creio no país, na instituição.
Aqui você tem que falar o que eles (os poderosos) querem escutar, tem que ouvir o que eles dizem, ver o que eles mostram, comprar o que lhe é sugerido, você não tem opção, é celular, tênis, roupa, carro. O país é isso, dinheiro, consumo e mentira. A gente vive em uma mentira e às vezes temos que mentir também para sobreviver. Mas eu acredito nas pessoas, ainda tem gente boa.



Fotos Reiradas do site - http://parrudo69.blogger.com.br e do site http://celsoathayde.com.br

Enderson Araújo é Estudante do 3° ano do ensino regular e integrante do Grupo de Comunicadores Jovens Mídia Periférica 

Twitter: @endersonrp
Email: enderson.nato@gmail.com

Msn: enderson.nato@hotmail.com

 

 

 

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