Recebi, por e-mail, a figura abaixo que representa uma hipotética matéria de capa da "Veja" caso a revista existisse na ocasião da Abolição da Escravatura:

A capa é uma mentira, claro, mas considerando que ela retrata o estilo e o viés ideológico da revista, podemos inferir diversas verdades acerca da revista e de outros órgãos da imprensa comprometidos com elites oligárquicas, que usa da sua penetração junto aos leitores para (de)formar opiniões. Vamos enumerá-las:

1. Baseada no conceito biológico de raça, a revista nega a existência de uma raça negra e, por conseguinte nega racismo no Brasil. Para a Veja, racismo só é problema nos EUA e foi problema na África, aqui tudo se resolve com "jeitinho brasileiro", tanto é que no Carnaval da Bahia, atrás do trio elétrico, pulam negros e brancos juntos, só não vai quem já morreu. A tal democracia racial da qual tanto se fala. A revista ignora até mesmo o o conceito sociológico e cultural de raça.

2. Não é preciso ser um gênio para perceber que a revista defende os interesses das classes abastadas, em detrimento dos direitos das minorias.

3. No discurso da Veja observa-se que os ricos têm direitos, que não podem ser reduzidos, mas sim ampliados. Já os pobres que ralem e conquistem algum direito, desde que não seja muito e que isso não implique em redistribuição de renda, divisão do bolo ou qualquer coisa que prejudiquem os princípios da propriedade e da locupletação. .

4. Para a Veja, defender direitos dos pobres e das minorias é "coisa de maluco". .

5. Boa parte dos leitores de "Veja" não é rico, também não é pobre, mas defende as posições elitistas da revista porque lê sem qualquer senso crítico, é praticamente adestrado pela revista. .

6. A revista dramatiza, faz estardalhaço, exagera, distorce, dissimula, omite e induz os leitores a acreditar no inacreditável e no absurdo..

Fazendo analogia com outra droga que é o cigarro e inspirado pela idéia criativa da capa que não existiu, eu imagino a revista sendo vendida com o seguinte aviso estampado na capa:

O Ministério de Liberdade e do Respeito ao Ser Humano adverte: a leitura constante e desavisada da Revista Veja pode causar danos irreversíveis ao cérebro do leitor, com efeitos colaterais devastadores na sociedade, incluindo os não leitores.

Algumas matérias - sobre tecnologia, novidades, medicina - até que trazem boa informação, então, se quiser Veja e leia, mas não em tudo creia.

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