Vida longa a nossa casa. Vida Longa ao INSTITUTO CULTURAL STEVE BIKO, espaço de construção coletiva que faz palha com barro virar concreto.

Luciane Reis

24 anos de ousadia. 24 anos de resistência. 24 anos de construção de empoderamento com responsabilidade matricial. Falar do Instituto Cultural Steve Biko, é falar do que me alimenta, me move e sustenta. Falar da Biko, é falar da pedra fundamental de construção da diferença na vida dos jovens negros baianos, de forma concreta.

A Steve Biko, depois das mulheres negras, é quem apresenta resultados concretos na vida da Juventude e povo negro neste país. Reconhecer a história do Instituto Steve Biko, é reconhecer o empoderar a si e aos outros. A Biko é central em nossas vidas, por ser ousada e inovadora. Por ousar sonhar por homens e mulheres negras baianas, quando essas nem sabiam o que sonhar ou que era possível. A Biko ensinou a ser belo, a denunciar toda ou quaisquer tentativas de rebaixamento, imposta pelas ações do racismo e preconceito institucional.

Aprendemos a ser fortes e fazer com que quem é contra a pauta racial, se incomode com a nossa ocupação de espaço, construímos pensamento igualitário alicerçado nos saberes Sankofianos de que "Não é errado voltar atrás pelo o que esqueceste". Refazemos nosso caminho nas aulas de CCN. Choramos nossa travessia em cada aula ministrada. Em cada professor que se parecia conosco e mostrava como chegar onde queríamos. Saímos pra ver o mundo, mas nunca esquecemos nosso caminho de volta e sempre voltamos a mesma para buscar o que deixamos de nós pelo caminho.

O Instituto Cultural Steve Biko, não é somente uma ONG. O Instituto Steve Biko ou a nossa Biko é as nossas visitas ao nosso passado individual. A Biko nos conecta com a África, sem o romantismo eurocêntrico negro. Aprendemos a dar significado e significância às coisas, às palavras, ao outro. Resgatamos a técnica do acolher, reparar, repensar, retomar, refazer, pensar, descobrir, conhecer e, por fim, agir. Somos Bikudos, sabemos qual nosso solo e por onde nos moldamos. Sabemos qual nosso caminho.“Somos porque a Biko é” ou, parafraseando provérbio xhosa da África do Sul “Nós só existimos porque a Steve Biko existe”. Aprendemos que para que um seja feliz todas do grupo também precisam se sentir felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Luciane Reis, Ex aluna do Instituto Cultural Steve Biko ou ex aluna da BIKO.

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Comentário de Michel Chagas em 2 agosto 2016 às 10:41

Emocionante Lu.

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