Zimbábue: fantasma do passado não muito distante

     A estreita entrada da Galeria Nacional em Bulawayo no Zimbabue, mais se parece com uma cena de crime com aquelas fitas escritas "cena do crime, proibido ultrapassar", do que com a porta de entrada de um instituto cultural. O trabalho de arte foi banido, e o artista acusado em insultar o presidente Robert Mugabe. As fotos nas janelas que mostravam as atrocidades cometidas no comeco da ditadura de mais de 30 anos do senhor Mugabe estao cobertas com paginas amareladas do jornal controlado pelo Estado.

     O esforco do governo de enterrar a historia do pais tem provocado recordacoes das mortes e torturas perpetrados a milhoes de cidadaos pelo Estado sob as ordens do ditador Robert Mugabe desde que assumiu o poder do pais. "Voce pode reprimir exibicoes artisticas, pecas e livros, mas voce nao pode remover a memoria destas atrocidades dos coracoes das pessoas," disse o historiador africano Pathisa Nyathi. E indelevel.

     Com a aproximacao do periodo eleitoral, segundo a agencia independente de pesquisas, a AFROBAROMETER, 70% dos zimbabuanos tem medo de sofrer algum tipo de violencia politica, ou algum tipo de intimidacao como a que ocorreu durante a ultima eleicao em 2008. Mas um numero proporcional igual quer que as eleicoes prossigam este ano. Evidencia clara da vontade dos cidadaos em favor da democracia, e tambem da vontade de muitos votarem para o fim do reinado do ditador.

     Voti Thebe, o encarregado da galeria Nacional disse que o artista Woen Maseko criou a exibicao com o intuito de contribuir para uma reconciliacao. Nao havia dinheiro ou patrocinadores, entao o senhor Thebe trabalhava quando dava. Ele era ainda uma crianca quando mais de 10 mil pessoas foram mortas pelo ditador assim que o Zimbabue se livrou das garras da minoria branca que controlava o pais ate 1980. Ele disse que ainda tem na memoria o barulho dos helicopteros sobrevoando o lugar onde morava, e tambem o barulho das sirenes. " As memorias ainda estao aqui," ele disse. " As vitimas ainda estao vivas. Nao e algo que podemos simplesmente esquecer."

      Dentre as chocantes imagens mostrada na galeria, esta a de um homem imponente e usando um par de oculos escuros maior do que seu rosto. - o senhor Mugabe. Um dia depois da exibicao aberta ela foi f echada. O artista foi detido e entao transferido para uma prisao usando grilhoes antes de ser solto pagando fianca. O caso do senhor Maseko espera pronunciamento da corte suprema do pais. Ele e acusado de insultar o presidente e propagar mentira prejudicial ao Estado, uma acusao prossivel de ate 20 anos na prisao.

     O dramaturgo Cont Mhlanga sabe bem o custo da liberdade de expressao. Sua peca "The Good President" foi fechada no dia de sua abertura em 2007 quando os guardas do ditador de baionetas em punho tomaram de assalto o teatro. O personagem principal e a avo que mente a seus netos sobre a morte do pai. Ele foi enterrado vivo durante o masscre de Gukurahundi, mas os jovens, ignorantes da verdade, se tornaram beneficiarios do governo do senhor Mugabe. Um deles e um policial abusivo, e o outro o recipiente de uma fazenda tomada pelo Estado dos seus antigos donos brancos. O titulo da peca se refere, o senhor Mhlanga disse, aos lideres africanos que chama o senhor Mugabe de um bom presidente, "este e um homem que certamente tem sangue em suas maos."

     O senhor Mhlanga diz que "sente como se alguem  colocasse grandes pedacos de fita adesiva na sua boca, " mas insiste que os artistas devem expressar aquilo que o povo esta com medo de dizer. "Vivemos numa sociedade onde estamos com tanto medo, ate mesmo de nossas proprias sombras," ele disse. "Para criar espacos democraticos numa sociedade como a nossa, temos que aprender a lidar com o medo."

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